Fotografia: Até daqui a pouco…

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Fotos: Chronosfer. O tempo sempre presente. E nele, minha estada. minha morada. É tempo de estrada. Tempo de ir. Tempo de voltar. O amanhecer é sempre o novo.

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Chronosfer: Pausa ou Fim (Pause or The End)

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Às vezes, parar, deixar o tempo passar reconcilia a vida. Interioriza os sentidos, se desfaz tanto para abrir espaço para outro tanto. É vez de uma pausa. Talvez definitiva. Não sei a resposta. O sul do meu sul chama de novo. Não sei dizer não. Por isso, não sei se volto de lá. Mas, aqui também é minha casa e vocês todos moradores. O tempo dará a resposta.

Sometimes, stop, let the time pass reconciles the life. Internalise the senses, disposes both to make room for another. It’s time for a break. Maybe final. I don’t know the answer. The South of my South calls again. Can’t say no. So I don’t know if I go back there. But, here is my home too and you all residents. The time will give the answer.

 

Fotografia: De repente, apenas o olhar… (Suddenly, just the look)

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Fotos: Chronosfer. O olhar às vezes se perde ou perde-se assim em uma fração de segundo. A vida continua escorrendo por entre os ponteiros do relógio, e prega algumas peças. Fica estática, acelera, vibra, entristece em seu fluxo contínuo. De repente, os olhos cristalizam algum momento. Também é vida.

The look sometimes gets lost or lost in a fraction of a second. Life keeps flowing through the hands of the clock, and it nails some pieces. It becomes static, accelerates, vibrates, saddens in its continuous flow. Suddenly, the eyes crystallize some moment. It is also life.

Conto: “Um amor inesquecível”, por Gustavo ´Lopecito´ Lopez

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UM AMOR INESQUECÍVEL
Lopecito (*)

O dia em que completei dezoito anos lembro que meu pai olhou para mim e disse:
– Filho, começa outra etapa. Você já é um adulto.
Honestamente eu sentia-me o mesmo babaca do dia anterior, mas tentei interpretar o mandato.
Ainda imerso em uma ditadura militar atroz que durou toda a minha adolescência mas começava a lançar as hurras, eu me perguntava o que poderia fazer de diferente na minha vida a partir desse momento.
As respostas não demoraram em chegar a minha cabeça. Tendo dezoito podia ir ao cinema para ver filmes com mulheres nuas sem esgueirar-me na entrada (os poucos seios que permitia olhar o censor Tato); entrar no cassino com o documento de identidade fixado na testa como se fosse o ás de espadas e, por que não, conhecer um hipódromo.
Assim foi como em finais de 1981 fiz minha primeira experiência no turfe e, como você pode imaginar, não parei nunca mais.
Entrar no velho Palermo era como ir para escola. Sentava-me nos degraus do Paddock, a poucos metros da coluna desde onde as pombas descarregavam bombas impiedosas sobre os adventícios, e meus parceiros de arquibancada eram sempre os mesmos: Horacio, Daniel, Coco, Pistola, Mura, Paul y Walter. Horacio era por vários corpos o maior do grupo e nunca tivemos a coragem de tratá-lo com muita confiança. Evidentemente não era velho, mas estava feito um papiro. Jamais o vimos com outro elemento de estudo que não fosse o Programa Oficial, e quando falava de corridas impunha um respeito mortal. Na realidade, só pela casualidade sabíamos o seu nome. Pra nós era simplesmente “O Catedrático”.
Se falávamos de jóqueis, o cara os tinha visto correr a todos: Legui, Jara, Nardi… Bem, não vou citar a todos. Porém, tinha uma debilidade: Batruni.
Para O Catedrático, José Luis Batruni era o jóquei mais completo que tinha visto y cuidado daquele que tivesse a audácia de discuti-lo. Uma vez tivemos que levá-lo para a enfermaria da raiva que tomou com um fulano que lhe fazia piadas.
Eu não tinha visto na minha puta vida o Grande Prêmio Jockey Club que “O Polvozinho” Batruni tinha vencido esse mesmo ano com o cavalo Tello, mas ele me contou a corrida tantas vezes que… Bom, não o contava, o atuava. Num segundo montava-se sobre o Programa que colocava entre suas pernas e com seu boné batia uns chicotes impressionantes. Comovia, eu juro.
Ele nos acompanhou dez anos no mesmo lugar e me ensinou tudo o que os livros não ensinam, até que uma tarde simplesmente desapareceu. Naqueles tempos sem telefonia celular de pronto descobrimos que incrivelmente ninguém sabia onde morava nem como contatá-lo. Tentamos, mas nunca mais voltamos a vê-lo. Durante anos, cada vez que olhava para Avenida Dorrego esperava ver o boné cinzento entre a multidão. Acreditamos no pior final.
Uma manhã de 2011 eu esperava em um desses consultórios médicos onde há trezentas portas e atendem mil especialidades, viu? Quando de repente meu coração se acelerou.
Sentado ao lado de uma mulher um pouco maior do que eu, um velho muito velho e em uma cadeira de rodas não levantava os olhos do chão.
Tinham passado mais de vinte anos e o boné agora era verde, mas esse era O Catedrático.
Saí catapultado, cumprimentei rapidamente a mulher, me abaixei e lhe disse:
– Oi Horacio, sou Gustavo. Se lembra? Do Hipódromo de Palermo!
Nada…
Tentei com um par de nomes das pessoas daquele grupo, mas ele nem sequer me olhou.
A mulher apresentou-se como Laura e me contou que depois de dois AVCs Horacio nunca tinha logrado se recuperar. Hoje tinha 88 e já desde dois anos atrás quase não vivia momentos de lucidez. Nem sequer lembrava-se dos nomes de seus filhos. Horacio, sempre sem olhar para mim, disse baixinho algumas frases sem sentido nenhum.
Cumprimentei-os com uma tristeza que me encolhia o coração e voltei ao meu lugar.
Horacio e Laura entraram para ver o neurologista. Minha cabeça era um turbilhão.   Chegou o meu turno com o oftalmologista, mas o deixei passar. Você me entende, não? Precisava ver ao Horacio pela última vez.
Esperei.
Quando eles saíram me acerquei para cumprimentar novamente. Voltei a me curvar para ficar na altura daquele rosto e joguei o movimento de xadrez que aqueles minutos tinham-me permitido elaborar:
– Horacio, que montaria Batruni! Não é?
Levantou a cabeça lentamente, olhou nos meus olhos por alguns segundos e respondeu apenas balançando a cabeça:
– O Polvozinho.
Lagrimando expliquei a Laura o que tinha acontecido, e choramos juntos.
Continuei tentando, porfiado, com Tello, L’Express, mas sem sucesso. O Catedrático já tinha voltado a se despedir.
Hoje ainda fico emocionado pensando naquele “volta e volta o churrasquinho” do Paddock, naquele suco escuro que o Oviedo puxava do seu tambor metálico e nos vendia como café, na sexta edição do periódico Crónica na saída com “A tragédia de hoje!”, nos motoristas de ônibus que na porta gritavam “Vamos para Liniers! Vamos para Liniers!” E, claro, vejo ao Horacio montado no programa e batendo chicotes com seu boné cinzento.
Pronto para fechar estas linhas, vem a minha mente aquela música de Los Charros e cantarolo: “Um amor como o nosso, não deve morrer jamais”.

Notas
– Miguel Paulino Tato foi um jornalista e crítico de arte nascido em Buenos Aires. Dirigiu entre 1974 e 1980 o Ente de Classificação Cinematográfica e foi considerado o máximo censor da história do cinema argentino.
– Legui, Jara, Nardi… Históricos jóqueis do turfe argentino. Irineo “O Polvo” Leguisamo, Eduardo Jara, Oscar “Pocho” Nardi.
– Tello e L’Express foram grandes cavalos de corrida guiados pelo “Polvozinho” José Luis Batruni.
– Durante muitas décadas, na porta do Hipódromo de Palermo se estacionavam longas fileiras de ônibus que transportavam passageiros para distintos bairros de Buenos Aires como Liniers, Boedo, Flores, etc.
– Los Charros é um grupo musical argentino, da província de Chaco.

(*) Lopecito, o autor do conto, é o criador do blog “Los Pingos de Todos” que funcionou durante dez anos. Atualmente colabora no Hipódromo de Azul, na província de Buenos Aires.

  • Hoje 26, sempre ao meu lado, a saudade pede um café, escuta Piazzolla, e começa a olhar com os seus olhos tranquilos os meus, que acolhem um mar de tristeza, água e sal. No infinito, meu pai e meu irmão, por certo conversam sobre a vida, o turfe, a ausência aqui e, quem sabe, da saudade de todos nós. E dos amigos de tantas idas e vindas neste universo das corridas de cavalos. E vem da Argentina, de Buenos Aires, este conto que abraça os dois. Escrito pelo Gustavo “Lopecito” Lopez, Um amor inesquecível é desses momentos que chegam para ficar. Amigo, que a geografia impediu até agora de abraçar, não apenas esteve com o Mário irmão, como me recebeu no seu Los Pingos de Todos, sobre turfe, naturalmente. O meu abraço de muito obrigado a ele, ao Marcelo, ao Pablo, e ao Marcos Rizzon do http://www.jornaldoturfe.com.br/ , onde pela primeira vez este conto encontrou casa. (a música é escolha deste Chronos)

 

Fotografia: (M)arcas do tempo

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Fotos: Chronosfer. Villa Dr. J. M. Muñoz, Montevidéu. – O tempo somos, com suas marcas e arcas. Somos o olhar para trás, para o agora e questionamos o amanhã. O tempo. Apenas passa e nós o acompanhamos.

Bossa Nova: Em casa com Luiz Eça

Luiz Eça

O bossa nova do título é apenas uma referência. Em casa com Luiz Eça é uma homenagem ao compositor, pianista, arranjador e professor Luiz Eça. Para quem não lembra mais ou ainda não o conhece, foi o líder do Tamba Trio, dos maiores conjuntos de música brasileira. E, como todo virtuose, seus caminhos derivaram para o jazz, samba e instrumental. Os 80 anos de Eça, se vivo, acolhe leituras que se aproximam das originais com sabores distintos. Convidados como Edu Lobo, Toninho Horta, Zé Renato e Dori Caymmi se juntam ao filho do mestre, Igor Eça, e os dois outros do Tamba, Bebeto Castilho e Hélcio Milito e mais a base com Jurim Moreira, Itamar Assiere e Mauro Senise. Difícil não encontrar uma pérola nas 12 faixas abrigadas no cd. Daqueles que se escuta com o gosto doce do viver.

Como não está disponível no Youtube, fica esse trabalho magnífico:Luiz Eça & Cordas.

Fotografia: Encontro de diferentes momentos ( Different meeting times)

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Fotos: Chronosfer. O sentido. Há uma tênue linha entre cada passagem nesse encontro desde a cerca, que oprime, as janelas e sua simetria, o olhar de esperança da abuela da Plaza de Mayo, os vinhedos semeados à mão, o céu e sua poesia através das cores ou uma porta tantas vezes aberta agora pede descanso. O sentido. É todo de você, que lança seu olhar sobre cada um desses encontros.

The sense. There is a fine line between each pass on this date since the fence, that oppresses, windows and your symmetry, the look of hope of “abuela” in the Plaza de Mayo, the vineyards planted by hand, the sky and your poetry through the colors or a door open so many times now it wants rest. The sense. It’s all of you, that throws your look at each of these meetings.