Fotografia: Diálogo entre o real e o abstrato (Dialogue between the real and the abstract)

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Fotos: Chronosfer. O real e o abstrato. Imagens reais refletidas em superfícies diversas, vidros, água. O diálogo entre ambas é o nosso diálogo cotidiano. Se há distorções nelas (imagens) precisamos olhar melhor a vida que vivemos. o diálogo entre ambas nos indicam realidades e caminhos.

The real and the abstract. Real images reflected on various surfaces, glasses, water. The dialogue between them is our daily dialogue. If there are distortions in them (images) we need to look better at the life we live. the dialogue between them indicates us realities and ways.

Ficção: Fragmentos do destino II ( Fiction: Fragments of destiny II)

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Das cinzas, o sol;

da madeira, as veias;

dos ossos, a pele;

da vida, o exílio;

do Tempo, o tempo;

no talho, o destino coagulado.

Dentro, a noite adentra.

 

From the ashes, the sun;

the wood, the veins;

of bones, skin;

of life, exile;

of Time, time;

in the butcher, the coagulated fate.

Inside, the night goes deep.

 

 

Fotografia: Os ciclos do olhar (The cycles of the look)

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Fotos: Chronosfer. Os olhos preservam a memória dos ciclos. Vivem cada um como se fossem únicos. É quando a vida ganha sentido e significado na memória da vida.

The eyes preserve the memory of the cycles. They live each one as if they were unique. It is when life gains meaning and meaning in the memory of life.

Fotografia: Desfoques, sombras, o cotidiano como ele é (Blurs, shadows, the everyday as it is)

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Fotos: Chronosfer. Os olhos e olhar. Os juntos buscam libertar das retinas as imagens guardadas no momento, do momento. As distorções do tempo, os reflexos do espelho, as sombras, as luzes, a vida seguindo o seu viver. Os olhos são livres. E nessa liberdade revelam universos infinitos em seu olhar diário.

The eyes and look. The together seek to release from the retinas the images stored at the moment, of the moment. The distortions of time, the reflections of the mirror, the shadows, the lights, the life following your live. The eyes are free. And in that freedom they reveal infinite universes in their daily gaze.

Fotografia: Cabeça para baixo (Head down)

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Fotos: Chronosfer. O dia quente em demasia desafiava o olhar. O coração batia com suavidade. As retinas dialogavam com a alma. O antiquário preservava o que havia passado. A rua deserta criava desânimo. Então, um conjunto perfeito para chá ou café eletrizou os olhos. E o pequeno espaço do visor ganhou o presente: a rua estava de cabeça para baixo. E o coração disparou enquanto as retinas e a alma silenciaram felizes. A vida gira todos os dias em todos os graus. E recomeça tudo de novo.

Too hot a day defied the look. Her heart was beating softly. The retinas talked with the soul. The antiquary preserved what had passed. The deserted street was despondent. So a perfect set for tea or coffee electrified the eyes. And the small space on the viewer won the present: the street was upside down. And the heart raced as the retinas and soul silenced happy. Life spins every day in every degree. And start all over again.

Literatura: Mia Couto – Tradutor de chuvas (Literature: Mia Couto – Tradutor de chuvas)

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PALAVRADOR

O papel,

antes do poema,

é um chão depois da chuva.

O idioma do grão

lavra a caligrafia do pão.

 

POEMA DIDÁCTICO

Já tive um país pequeno,

tão pequeno

que andava descalço dentro de mim.

Um país tão magro

que no seu firmamento

não cabia senão uma estrela menina,

tão tímida e delicada

que só por dentro brilhava.

Eu tive um país

escrito em minúscula.

Não tinha fundos

para pagar um herói.

Não tinha panos

para costurar bandeira.

Nem solenidade

para entoar um hino.

Mas tinha pão e esperança

para os viventes

e sonhos para os nascentes.

Eu tive um país pequeno,

tão pequeno,

que não cabia no mundo.

Mia Couto – Tradutor de Chuvas – Caminho outras margens, 2011

Fotos: Chronosfer. A poesia viva de Mia Couto expressa o tanto, o tudo e muitas vezes o nada que podemos sentir. Não fiz a tradução dos poemas em respeito ao autor, poderia não reproduzir com exatidão suas palavras. É um alento para 2018 que chega e o que deixo para todos os que aqui habitam a casa, por aqui passam, deixam de ficar aqui, mas que estarão sempre presentes. A paz seja com todos a cada dia dos dias que nos cabem viver.

The living poetry of Mia Couto expresses both the everything and often the nothingness that we can feel. I did not translate the poems in respect of the author, I could not reproduce their words exactly. It is a breath to 2018 that arrives and what I leave to all who inhabit the house, here pass, do not stay here, but will always be present. Peace be with each and every day of the days that we live.

 

Fotografia: Olhar disperso (Scattered look)

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Fotos: Chronosfer. O olhar percorre caminhos. Vive o momento, vive o tempo. Às vezes, dispersa. Olha o infinito, olha o que está a um palmo de distância, olha para si mesmo. É neste movimento contínuo que a vida se revela. Em todos os tempos e verbos.

The gaze traverses paths. Live the moment, live the time. Sometimes scattered. Look at the infinite, look what is a handful away, look at yourself. It is in this continuous movement that life is revealed. At all times and verbs.