Liebster Award 2018

Recebi nominações para o Liebster Award 2018 de dois queridos amigos: reemasandhu ( https://reemasandhu.wordpress.com) e sk8sandhu (https://sk8sandhu.wordpress.com) , ambos talentosos e sensíveis em seus blogs, espalhando para todos que os visitam vida. Convidos-os a visitarem suas casas e nela permanecerem muito tempo. São maravilhosos.

I received nominations for the 2018 Liebster Award from two dear friends: reemasandhu and sk8sandhu, both talented and sensitive in their blogs, spreading to all who visit them life. They are invited to visit their homes and stay there for a long time. They’re wonderful.

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As perguntas de reemasandhu:

 

1) What mattered in your childhood?

1) O que importava em sua infância?

Being child only.

Ser criança, apenas.

2) What is dining for you ?

2) O que é jantar para você?

I’m not in the habit of dining, I like a good cup of coffee.

Não tenho o hábito de jantar, gosto de uma boa xícara de café.

3) who do you love most in your life?

3) quem você mais ama em sua vida?

My family.

Minha família.

4)How do you define richness?

4) Como você define a riqueza?

Knowledge, discernment, social conscience, justice, …

Conhecimento, discernimento, consciência social, justiça,…

5) How do you define poverty?

5) Como você define a pobreza?

Lack of justice, knowledge, discernment, social conscience, …

Falta de justiça, conhecimento, discernimento, de consciência social,…

6) What is your favourite dish?

6) Qual é o seu prato favorito?

Here in the south of Brazil there is a typical dish called “churrasco”.

Aqui no sul do Brasil há um prato típico chamado “churrasco”.

7) Do you like fishing?

7) Você gosta de pescar?

No.

Não.

8) Did you ever offered chairty to orphans?

8) Você já ofereceu caridade aos órfãos?

I try to help in the ways I can every month.

Procuro ajudar das maneiras que posso todos os meses.

9) What is your favourite colour and why?

9) Qual é a sua cor favorita e por quê?

Blue. The reason, I never knew, I just like it, maybe because it brings me peace and tranquility and strength and life at the same time.

Azul. A razão, nunca soube, apenas gosto, quem sabe por me trazer paz e tranquilidade e ao mesmo tempo força e vida.

10) What do you think about nature?

10) O que você acha da natureza?

Life in all its fullness.

Vida em toda a sua plenitude.

11) How do you define beauty?

11) Como você define beleza?

Be what you are naturally.

Ser o que se é naturalmente.

 

Perguntas de sk8sandhu:

1) How you handle a child in home if he is smoking ?

1) Como você lida com uma criança em casa se ele estiver fumando?

Conversation. The arguments can be put clearly and objectively, showing the malfunctions of the cigarette.

Conversa. Os argumentos podem ser colocados de maneira clara e objetiva, mostrando os malefícios do cigarro.

2) Children don’t listen to elders, how you are going to handle – direct speech or hit them?

2) As crianças não ouvem os anciãos, como você vai lidar – fala direta ou acerte-os?

I always believe in dialogue. Without it we’re not going anywhere. And, again, show that the elders possess the wisdom and experience that one day they may also have.

Acredito sempre no diálogo. Sem ele não vamos a lugar algum. E, mais uma vez, mostrar que os mais velhos possuem a sabedoria e a experiência que um dia ele também poderá ter.

3) Elders in home, how often you take them out for walking ?

3) Anciões em casa, com que frequência você os leva para caminhar?

In my house we are only two people. As I like to walk, I remember that when my parents were alive, we walked a lot, especially with my mother.

Em minha casa somos apenas duas pessoas. Como gosto de caminhar, lembro que quando meus pais eram vivos, caminhávamos muito, em especial com minha mãe.

4) What is your old time memory with your father?

4) Qual é a sua memória antiga com o seu pai?

It is not a memory that I have, but a photograph that was lost in time: my father between my older brother and me. Today I am happy to have lived that moment, although I do not remember it, because both are no longer present.

Não é uma memória que tenho presente, mas de uma fotografia que também se perdeu no tempo: meu pai entre meu irmão mais velho e eu. Hoje fico feliz por ter vivido aquele momento, embora não lembre dele, pois ambos não estão mais presentes.

5) How often you travel with your family members aboard?

5) Com que frequência você viaja com os membros da sua família a bordo?

As we are only two, at least once a year we like to stay for a few days in a region here in Rio Grande do Sul called the Serra Gaúcha.

Como somos apenas dois, pelo menos uma vez por ano gostamos de ficar alguns dias em uma região aqui no Rio Grande do Sul chamada de Serra Gaúcha.

6) What is your favourite subject?

6) Qual é o seu assunto favorito?

Music, literature. Culture.

Música, literatura. Cultura.

7) What is your children favourite food?

7) Qual é a comida favorita de seus filhos?

I have no children, unfortunately.

Não tenho filhos, infelizmente.

8) Where you travel this year?

8) Onde você viaja este ano?

The idea is to go to the Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul, Brazil.

A ideia é ir para a Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul, Brasil.

9) What is your parent favourite food ?

9) Qual é a sua comida favorita dos pais?

My parents are no longer present, but they always like simple food.

Meus pais já não estão mais presentes, mas sempre gostaram de comida simples.

10) Father’s day, what you will gift to him?

10) Dia dos pais, o que você vai fazer para ele?

Visit him where he rests today.

Visitá-lo onde hoje descansa.

11) Which is your favourite flower?

11) Qual é a sua flor favorita?

Tulip.

Tulipa.

Agradeço aos queridos amigos pela nominação e indico a todos os que por aqui passam, seguidores e visitantes como merecedores do Liebster Award 2018.

I thank my dear friends for the nomination and I would like to inform all those who pass by here, followers and visitors as deserving of the 2018 Liebster Award.

 

 

 

 

 

 

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Ficção: Fragmentos do destino II ( Fiction: Fragments of destiny II)

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Das cinzas, o sol;

da madeira, as veias;

dos ossos, a pele;

da vida, o exílio;

do Tempo, o tempo;

no talho, o destino coagulado.

Dentro, a noite adentra.

 

From the ashes, the sun;

the wood, the veins;

of bones, skin;

of life, exile;

of Time, time;

in the butcher, the coagulated fate.

Inside, the night goes deep.

 

 

Literatura: Mia Couto – Tradutor de chuvas (Literature: Mia Couto – Tradutor de chuvas)

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PALAVRADOR

O papel,

antes do poema,

é um chão depois da chuva.

O idioma do grão

lavra a caligrafia do pão.

 

POEMA DIDÁCTICO

Já tive um país pequeno,

tão pequeno

que andava descalço dentro de mim.

Um país tão magro

que no seu firmamento

não cabia senão uma estrela menina,

tão tímida e delicada

que só por dentro brilhava.

Eu tive um país

escrito em minúscula.

Não tinha fundos

para pagar um herói.

Não tinha panos

para costurar bandeira.

Nem solenidade

para entoar um hino.

Mas tinha pão e esperança

para os viventes

e sonhos para os nascentes.

Eu tive um país pequeno,

tão pequeno,

que não cabia no mundo.

Mia Couto – Tradutor de Chuvas – Caminho outras margens, 2011

Fotos: Chronosfer. A poesia viva de Mia Couto expressa o tanto, o tudo e muitas vezes o nada que podemos sentir. Não fiz a tradução dos poemas em respeito ao autor, poderia não reproduzir com exatidão suas palavras. É um alento para 2018 que chega e o que deixo para todos os que aqui habitam a casa, por aqui passam, deixam de ficar aqui, mas que estarão sempre presentes. A paz seja com todos a cada dia dos dias que nos cabem viver.

The living poetry of Mia Couto expresses both the everything and often the nothingness that we can feel. I did not translate the poems in respect of the author, I could not reproduce their words exactly. It is a breath to 2018 that arrives and what I leave to all who inhabit the house, here pass, do not stay here, but will always be present. Peace be with each and every day of the days that we live.

 

Fotografia: Perdido em Siena (Lost in Siena)

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Fotos: Chronosfer. Há muito tempo, aqui em Porto Alegre, em um bairro nobre apenas olhava os prédios e suas janelas vazias, ruas desertas, guaritas de segurança nas esquinas. Pouco depois, em um bairro popular, as janelas repletas de roupas para secar, janelas abertas, movimento, comércio, pessoas. Ali, me encontrei. Ali, a vida fez sentido. Em Siena, o tempo todo foi assim, com pessoas, movimento, vida, janelas abertas, roupas ao vento. Tudo se fez. Perdido? Sim, de humanismo da cidade e de seu povo. Experimentei o gosto da alegria e da felicidade.

Long ago, here in Porto Alegre, in a noble neighborhood, I just looked at the buildings and their empty windows, deserted streets, security guards at the corners. Shortly after, in a popular neighborhood, windows full of clothes to dry, windows open, movement, commerce, people. There I found myself. Life made sense there. In Siena, the whole time was like that, with people, movement, life, open windows, clothes in the wind. Everything was done. Lost? Yes, the humanism of the city and its people. I tasted the taste of joy and happiness.

Ficção: Don Antonio (Fiction: Don Antonio)

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Havia esquecido as horas. O lugar exato está em algum lugar da memória. Ela já começara a anunciar sua despedida desde o dia em que o reflexo no espelho começou a ser diferente todas as manhãs. Muito tempo por aqui, dizia. A voz rouca, quase sem poder ser ouvida, ainda articula poucas palavras. O cansaço acompanha o olhar velho, ressequido, sem cor. O cheiro da terra molhada nos dias de chuva e os olhos no horizonte ao anoitecer, quando as raras lâmpadas da casa são acesas, encobrem a tristeza, o medo e as sombras dos noventa anos sobreviventes do sol. As retinas azuladas confessam os fragmentos reconstruídos, os mesmos que deixaram os fantasmas de Maria para trás. Os mesmos que trazem Ponta Delgada e a Ilha de São Miguel sem pressa, quase sem querer para este outro que ele é hoje. Este estranho que ainda vive somente com os músculos da dor e do vazio. Este outro que se perde dentro de um corpo cujo peso dos ossos mostra sua cota de vida.

Muito tempo por aqui – repete – muito tempo. Sorri o riso entristecido de quem não vivera todo o fogo do instinto. Mastiga o fumo e com o hálito quente volta ao silêncio. Seus passos se afastam da janela, quando, lenta, a noite começa seu turno diário e em um único tempo, vindas da galáxia, as estrelas surgem acima de sua cabeça. A madeira queima no fogão e ele, com seus pulsos fracos, toca a cama. A solidão é um sonho marcado em alguma página do livro que fica no chão.

As horas param pouco antes de o sol nascer.

 

He had forgotten the time. The exact place is somewhere in the memory. She had already begun to announce her farewell since the day when the reflection in the mirror began to be different every morning. Long time here, he said. The hoarse voice, barely audible, still articulates few words. The weariness accompanies the old, dry, colorless look. The scent of wet earth on rainy days and eyes on the horizon at dusk, when the house’s rare lamps are lit, mask the sadness, fear, and shadows of the ninety years of the sun. The blue retinas confess the reconstructed fragments, the same ones that left the ghosts of Mary behind. The same ones that bring Ponta Delgada and the Island of São Miguel without hurry, almost unintentionally for this other that it is today. This stranger still lives only with the muscles of pain and emptiness. This other that is lost within a body whose weight of the bones shows its quota of life.

Long time around here, he repeats, a long time. I smiled the sad laugh of someone who had not lived all the fire of instinct. He chews on the smoke and with his warm breath returns to silence. His steps move away from the window, when, slowly, the night begins its daily shift and in a single time, coming from the galaxy, the stars rise above his head. The wood burns on the stove and he, with his weak wrists, touches the bed. Loneliness is a dream marked on some page of the book lying on the floor.

The hours stop just before the sun rises.

Publicado pela Revista Magma, nº 7, 2008 – Lajes de Pico, Açores, Portugal.
Foto: Chronosfer. Buenos Aires, Argentina.

Ficção (Fiction)

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I

No presente, o agora, dentro do círculo, é a saída.

II

Por ser larva, o voo é um ciclo. Por não ser larva, a palavra é o voo.

 I

In the present, the now, within the circle, is the output.

II

Because it is larva, the flight is a cycle. Because it is not larva, the word is flight.

Foto: Chronosfer.

Fotografia: Momentos de luz (Moments of Light)

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Fotos: Chronosfer. Hoje, nos dias em que vivemos, mais que necessária, essecial. Luz. A que amanhece com o novo. Com a paz.Com a harmonia. Com sabedoria. Com discernimento. Segunda-feira, na Feira do Livro de Porto Alegre, Amyr Klink e Mia Couto. O brasileiro conversando sobre suas viagens, às vezes solitário, pelo continente antártico. O moçambicano,sobre a vida na África e suas relações não apenas com o Brasil, também com o mundo. Cada em seu jeito de ser, revelaram luz. A de viver e compreender o momento. Que nunca mais se repetirá. Somos nós que construímos a nossa história. Acima, Amyr. Depois, Mia. Com eles, a luz. Em Klink, bastou olhar para os holofotes. Para Couto, no reflexo dos óculos e na janela desfocada à direita de quem olha a fotografia. E a nossa? Não vamos deixar para amanhã.

Today, in the days we live, more than necessary, essential. Light. What dawns with the new. With peace. With harmony. With wisdom. With discernment. Monday, at the Porto Alegre Book Fair, Amyr Klink and Mia Couto. The Brazilian talking about his travels, sometimes solitary, by the Antarctic continent. The Mozambican, about life in Africa and its relations not only with Brazil, but also with the world. Each in their way of being, they revealed light. A to live and understand the moment. That will never happen again. It is we who build our history. Above, Amyr. Then Mia. With them, the light. In Klink, just looking at the spotlight. For Couto, in the reflection of the glasses and in the blurred window to the right of whoever looks at the photograph. And ours? We will not leave until tomorrow.

Pelo povo do Iraque e Irã, vítimas de terremoto.

For the people of Iraq and Iran, victims of earthquake.