Milton Nascimento: Coração Civil

Coração Civil

Quero a utopia, quero tudo e mais
Quero a felicidade nos olhos de um pai
Quero a alegria muita gente feliz
Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
Quero ser amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil
Me inspire no meu sonho de amor Brasil
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real
Bom sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal
Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder ?
Viva a preguiça viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida
Eu viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso,um dia se realizar

Coeur Civil

Je veux l’utopie, je veux tout et plus
Je veux le bonheur dans les yeux d’un père
Je veux la joie, beaucoup de gens heureux
Je veux que la justice règne dans mon pays
Je veux la liberté, je veux le vin et le pain
Je veux être amitié, je veux l’amour, le plaisir
Je veux notre ville toujours ensoleillée
Les enfants et le peuple au pouvoir, je veux voir
São José du Costa Rica, cœur civil
Inspire-moi dans mon rêve d’amour Brésil
Si le poète est celui qui rêve ce qui va être réel
Il est bon de rêver à de bonnes choses que l’homme fait
Et attendre les fruits dans le verger
Sans police, ni la malice, ni les sorts, où est le pouvoir ?
Vive la paresse, vive la malice que seul le peuple sait avoir
En disant ainsi mon utopie je mène ma vie
Et je vis bien mieux
Fou de voir mon rêve têtu un jour se réaliser
https://www.youtube.com/watch?v=Wg0opaj8OWU

Para Arthur *30.07.2017. Um mês de vida. Um mês de resistência. Seja o teu sacrifício não mais apenas um número na estatística das balas perdidas que destroem sonhos. Seja o teu sacrifício a paz que tanto necessitamos.

Crônica: Meu Velho

 

 

Pai e Mar

Meu Velho

Quando tua pele escureceu por trás desse vitral, e teu corpo criava coreografias que te sustentavam entre os teus havias chegado à maturidade sem festa,

Quando o meu assovio te irritava e ganhavas mais velocidade para fugir do reflexo que fazia sobre teus olhos, eras adolescente diante de mim e o medo não tinha significado algum,

Quando todos os outros corriam em eterna disputa pelo pequeno pedaço de comida, flutuavas como folha de outono ao vento da manhã,

Quando amanhecias ainda na noite da tua casa podia te ver solitário no canto que escolhestes para ser teu como tua era a casa,

Quando eu insistia em atravessar o olhar pelas íris já brancas do teu tempo, em silêncio admirava teus movimentos e sentia queimar esse vidro esverdeado que nos separava,

Quando tua partida já estava sendo anunciada não pedistes para acelerar a ida, lutavas em teu cotidiano por mais um dia,

Quando enfim não havia mais dia algum, não renunciaste à vida, olhaste de frente o que te esperava do outro lado desse vitral, na aridez da laje fria que meus pés pisam, e que hoje perdeu suas cores e fez, Meu Velho, com que tudo ficasse mais vazio e sem sentido.

Quando agora olho a todos os outros, é a ti, Meu Velho, que minha voz chama e é por ti que meus olhos salgam as horas ausentes da tua história.

Foto: Jockey Club do RS. Hoje, 26, mais um mês da partida de meu pai e meu irmão. O pai, em abril de 2014. Meu irmão, setembro 2016. O texto tem uma história de alguns anos atrás que é a de um peixe, criado em aquário pela Inês. Ela conhece cada um e cada um tem seu nome. O Velho era um lutador. Incansável, resistiu a um voo para fora do aquário, voltou a nadar e aos poucos seu brilho se desfez. Não deixou nunca de lutar. De continuar. É em homenagem aos dois Mário que o post repousa neste Chronos.

Fotografia: Vulcões, geleiras & inverno

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Fotos: Chronosfer. 1 – Vulcão Osorno, Chile.  2 – Vulcão Calbuco, Chile.  3 – Geleira no Parque Torres del Paine, Chile.  4 – Cena de inverno no interior do Rio Grande do Sul.

Este post é dedicado a todos os que aqui chegam, alimentando este Chronos.

Fotografia: Despedida do dia, grafismos & passagem do tempo

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Fotos: Chronosfer. Este é o último post do Chronosfer. Como um trem que chega ao seu destino final, este Chronos cumpriu o seu. Ainda há por postar – e o farei ao longo dos dias mais adiante – nominações e um ensaio fotográfico chamado Construção. A todos os que são seguidores, os que deixaram de seguir este espaço, os que aqui passam, por tudo sempre, o meu muito obrigado. Foi uma viagem inesquecível, que fica guardada para todo o sempre.