Fotografia: Amanhecer em contraluz (Dawn in backlight)

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Fotos: Chronosfer. O amanhecer acorda todos os dias, despertado pela noite quando esta parte para o outro lado do mundo. Há nele, tons diversos. Cores que se abrem, ou dias nublados, onde o fundo é um contaluz surpreendente. Assim foi com o pássaro distante. A lente, pouco desfocada, pouco ajustada, encontrou seus movimentos. Doces, como seu canto, e coreográficos para o novo o dia. Também o nosso dia. Os olhos agradecem.

The dawn wakes up every day, awakened at night when this part to the other side of the world. There are several tones in it. Colors that open, or cloudy days, where the background is an amazing contaluz. So it was with the distant bird. The lens, slightly blurred, slightly adjusted, met its movements. Sweets, like your singing, and choreographed to the new the day. Also our day. The eyes thank you.

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Fotografia: Portas e janelas, a vida sendo vivida (Doors and windows, life being lived)

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Fotos: Chronosfer. Cristal, interior do Rio Grande do Sul, Brasil. O tempo passa entre as janelas e as portas. É por onde a nossa vida também vive. E nessa passagem, revela o como vivemos, o quanto olhamos a nossa história de vida. deixamos marcas visíveis de que a nossa história pode ser contada e na sua materialidade abandonada. Somos poucos. Vivemos à sombra de nós mesmos. Aos poucos vamos perdemos nosso passado. Perderemos o presente. Não teremos futuro. São elas, janelas e portas, que ainda nos permitem sonhar.

Cristal, interior of Rio Grande do Sul, Brazil. Time passes between the windows and the doors. That’s where our lives live too. And in this passage, it reveals how we live, how much we look at our life story. we leave visible marks that our history can be told and its materiality abandoned. We are few. We live in the shadow of ourselves. Little by little we lose our past. We will lose the present. We will have no future.They are windows and doors that still allow us to dream.

Ficção: Don Antonio (Fiction: Don Antonio)

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Havia esquecido as horas. O lugar exato está em algum lugar da memória. Ela já começara a anunciar sua despedida desde o dia em que o reflexo no espelho começou a ser diferente todas as manhãs. Muito tempo por aqui, dizia. A voz rouca, quase sem poder ser ouvida, ainda articula poucas palavras. O cansaço acompanha o olhar velho, ressequido, sem cor. O cheiro da terra molhada nos dias de chuva e os olhos no horizonte ao anoitecer, quando as raras lâmpadas da casa são acesas, encobrem a tristeza, o medo e as sombras dos noventa anos sobreviventes do sol. As retinas azuladas confessam os fragmentos reconstruídos, os mesmos que deixaram os fantasmas de Maria para trás. Os mesmos que trazem Ponta Delgada e a Ilha de São Miguel sem pressa, quase sem querer para este outro que ele é hoje. Este estranho que ainda vive somente com os músculos da dor e do vazio. Este outro que se perde dentro de um corpo cujo peso dos ossos mostra sua cota de vida.

Muito tempo por aqui – repete – muito tempo. Sorri o riso entristecido de quem não vivera todo o fogo do instinto. Mastiga o fumo e com o hálito quente volta ao silêncio. Seus passos se afastam da janela, quando, lenta, a noite começa seu turno diário e em um único tempo, vindas da galáxia, as estrelas surgem acima de sua cabeça. A madeira queima no fogão e ele, com seus pulsos fracos, toca a cama. A solidão é um sonho marcado em alguma página do livro que fica no chão.

As horas param pouco antes de o sol nascer.

 

He had forgotten the time. The exact place is somewhere in the memory. She had already begun to announce her farewell since the day when the reflection in the mirror began to be different every morning. Long time here, he said. The hoarse voice, barely audible, still articulates few words. The weariness accompanies the old, dry, colorless look. The scent of wet earth on rainy days and eyes on the horizon at dusk, when the house’s rare lamps are lit, mask the sadness, fear, and shadows of the ninety years of the sun. The blue retinas confess the reconstructed fragments, the same ones that left the ghosts of Mary behind. The same ones that bring Ponta Delgada and the Island of São Miguel without hurry, almost unintentionally for this other that it is today. This stranger still lives only with the muscles of pain and emptiness. This other that is lost within a body whose weight of the bones shows its quota of life.

Long time around here, he repeats, a long time. I smiled the sad laugh of someone who had not lived all the fire of instinct. He chews on the smoke and with his warm breath returns to silence. His steps move away from the window, when, slowly, the night begins its daily shift and in a single time, coming from the galaxy, the stars rise above his head. The wood burns on the stove and he, with his weak wrists, touches the bed. Loneliness is a dream marked on some page of the book lying on the floor.

The hours stop just before the sun rises.

Publicado pela Revista Magma, nº 7, 2008 – Lajes de Pico, Açores, Portugal.
Foto: Chronosfer. Buenos Aires, Argentina.

Sufjan Stevens: The greatest gift

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Sufjan Stevens reapresenta Carrie & Lowell como nova face, novo nome e  algumas canções inéditas naquele disco. The greatest gift como remixe funciona muito bem e Stevens é carismático,sensível e olha para frente. Ainda que os temas centrais sejam os mesmos, muito pessoais, a leitura que recebe ganha a mesma profundidade do seu original. Sentimentos enraizados, perenes e à luz do dia sempre trazem emoções diferentes e de alguma maneira – ou de todas – a identificação é instantânea. Se para muitos o álbum é um apêndice do primeiro,  hospedagem das canções em dez faixas não deixa dúvidas: é um bela e interiorizada viagem por dentro de si mesmo. Denso na medida, o fôlego para a vida se renova e o coração acelera e pulsa as veias para o sangue correr feito rio para o mar.

Sufjan Stevens re-presents Carrie & Lowell as a new face, new name and some unreleased songs on that album. The greatest gift as a remix works very well and Stevens is charismatic, sensitive and looks forward to it. Although the central themes are the same, very personal, the reading you receive gains the same depth as your original. Feeling rooted, perennial and in the light of day always bring different emotions and somehow – or all – the identification is instantaneous. If for many the album is an appendix of the first, lodging the songs in ten tracks leaves no doubt: it is a beautiful and internalized journey inside of itself. Dense in the measure, the breath for life is renewed and the heart accelerates and pulsates the veins so that the blood flows made river for the sea.

Fotografia: Pássaros do tempo (Birds of Time)

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Fotos: Chronosfer. O tempo visto pelos pássaros é um presente. Eles revovam e pacificam a vida. As manhãs ganham seus voos e cantos e as horas acolhem esse viver. Os pássaros são o próprio tempo dentro dos nossos olhos.

The weather seen by the birds is a gift. They revolt and pacify life. Mornings gain their flights and songs and the hours welcome that live. Birds are the very time within our eyes.

Fotografia: Pela paz, pela humanidade (For peace, for humanity)

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León Gieco – Sólo le pido a Dios (English translation)

I only ask of God

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I only ask of God
That i am not indifferent to the pain,
That the dry death won’t find me
Empty and alone, without having done the sufficient.

I only ask of God
That i won’t be indifferent to the injustice
That they won’t slap my other cheek,
After a claw (or talon) has scratched this destiny (luck) of mine.

I only ask of God
That i am not indifferent to the battle,
It’s a big monster and it walks hardly on
All the poor innocence of people.

I only ask of God
That i am not indifferent to deceit,
If a traitor can do more than a bunch of people,
Then let not those people forget him easily.

I only ask of God
That i am not indifferent to the future,
Hopeless is he who has to go away
To live a different culture.

I only ask of God
That i am not indifferent to the battle,
It’s a big monster and it walks hardly on
All the poor innocence of people.

Fotografia: Um dia na vida (A day in the life)

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Dia a Dia 22

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Marinh 16

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Fotos: Chronosfer. Gosto desde sempre dos Beatles. Hoje, escutava uma coletânea e lá está A day in the life. E veio a ideia do post. Cenas mais que comuns, nada de novo, nada de inovador ou surpreendente. Um dia você caminha e olha a fachada de uma casa e há arte, musical por acaso, ou em meio aos vinhedos, o trabalho curioso em cima de um barril, ou ainda um muro com a inscrição Cultiva Consciência, nuvens carregadas, flores desfocadas mas alegres ou ainda um simples passeio de bike pela beira do mar. Um dia na vida. Vale por ela inteira.

I’ve always liked The Beatles. Today, I listened to a collection and there is A day in the life. And came the idea of today’s post. scenes that are more than ordinary, nothing new, nothing innovative or surprising. One day you walk and look at the facade of a house and there is art, musical by chance, or amidst the vineyards, the curious work on top of a barrel, or a wall with the inscription Cultivation Consciousness, loaded clouds, unfocused flowers but cheerful or even a simple bike ride by the sea. A day in the life. It’s worth it all.