Conto: A estação / The station

Hoje, 26 de abril o circulo de três anos da partida do meu pai e o dos sete meses do meu irmão se completam. A ausência de ambos estão em meus olhos que, como a terra, semeiam em seu brilho a saudade, que floresce a cada dia dos dias que ainda me cabem viver. A eles, um texto que havia já publicado neste Chronos, e ao reler cada uma de suas linhas, elas me trazem a presença dos dois na estação de nossas vidas. Faço junto uma versão em inglês, pelo Google Tradutor, para os tantos seguidores e visitantes que passam por aqui e que vivem em outras terras amigas.

estação

A ESTAÇÃO

A estação não atrai mais os pássaros. As luzes apagadas apenas recebem o sol da manhã. As telhas descansam seus vincos tingidos pelo sereno. Deixam vazar um ou outro pequeno vão por onde é lapidada a lembrança. Há muito a pele da madeira e os seus feixes estavam secos. Todo o dia ali era noite. Não a vemos como os velhos a vêem em suas memórias, hoje procurando refúgio. Elas nunca mais estarão abertas como antes, estão misturadas como retalhos tecidos à mão. Mas, sempre há um nervo que se abre e deixa fugir um pedaço da alma. Depois, retorna às pressas com medo do horizonte tenso e em brasa do lado de fora. O que era turvo aos olhos torna−se mais turvo sobre as linhas refletidas na água dos córregos, margeando o verde desse silêncio. A estação não atrai mais do que relâmpagos e temporais. Depois, passam, deixam rastros, ferrugens e cicatrizes azuladas como as veias que recortavam os braços do último maquinista. Ali, o trem parou, e o tempo seguiu seu destino. A mudez das sombras, coberta de cinzas, fundiu−se com os trilhos e os dormentes. Não há mais como voltar. O esquecimento é apenas um território cujo mistério nasceu quando caiu o último letreiro de viagem com as histórias de muitas vidas.

 

The station

The station does not attract more birds. The lights out only receive the morning sun. The tiles rest their creases dyed by the serene. Let leak one or another little go by where is faceted to memory. There’s a lot of wood and skin their beams were dry. All day there was night. We don’t see how the old see it in his memoirs, today looking for refuge. They will never again be opened as before, are mixed as hand-woven flaps. But, there is always a nerve that opens and go away a piece of the soul. Then returns in haste with fear of tense and horizon on fire outside. What was cloudy in the eyes makes it more blurred on the − lines reflected in the water of streams, bordering the green of this silence. The station attracts more than lightning and thunderstorms. Then, pass, leave traces, rusts and bluish scars like the veins that cut out the last train driver. There, the train stopped, and followed your target time. The muteness of the shadows, covered in ashes, merged with the rails and − the sleepers. There’s no more turning back. Oblivion is just a territory whose mystery was born when the last sign of journey with the stories of many lives.

Foto: Chronosfer. Estação ferroviária de Rio Branco, Uruguai.

Anúncios

32 Respostas para “Conto: A estação / The station

  1. A morte é uma das coisas mais cruel que existe. A saudade de uma pessoa não diminui, temos apenas que aprender a suportar a ausência. Eu acredito na ressurreição, e é isso que nos dar a esperança de reencontrar quem amamos.

  2. Acostumamos com o físico, com o toque, com o abraço ( e muitos que tem essa chance não faz isso) e esquecemos que a presença é além do ver e tocar e sim, sentir. Os seus estão mais perto de ti do que pensa.
    Abraço

    • assim tem sido, Anna, embora há dia em que ela aperta mais e a ausência se torna mais presente. e a cada passo, sinto que caminham comigo. obrigado sempre pela sensibilidade e pela palavra. o meu abraço carinhoso.

  3. Every day I see this writer’s soul… not only with your words but in your photos also…

    You are a poet … a writer… a photographer …but the better is that you are HUMAN !!!!!!!!!!!!!!!

    That’s why i read you !!!!! Thank you for the honor to read my posts!!!

    • I’m an ordinary person, Efi, who studied / studied a lot, I really enjoy reading, researching, looking … so what you look at, read on my blog is a result of what I think / feel / learn. I like to read blogs, yours is fantastic. my problem is that if I read the posts and I like to read of those who follow me / I follow, I am almost without comment. Anyway, I’m still going to sort it out. Thank you so much for your precious friendship.

      • Me too….. i enjoy to read your posts and i want to this point to tell you … i can comment because i have not so many followers as you and i have the time to do it…

        So don’t have problem…. if you don’t comment i can understand you!!

        I am happy to find people like you!!!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s