Harvest: tempo de Neil Young

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É verdade, o som analógico mantém, preserva a sua pureza original. O digital mascara, pode ser manipulado com maior facilidade, e sei lá mais o quê. A transição para os atuais meios de reprodução sonora tem suas vantagens, também, embora o retorno ao analógico é uma realidade. Uma das vantagens é a de recuperar registros antigos. Registros que não mais frequentavam catálogos de discografias importantes e essenciais da música. Pode avançar, do cinema, das artes, da literatura. E uma vez recuperados, estão à disposição do público. Claro, com todas as ressalvas, ponderações a favor e contra e mais outras questões, no entanto, ainda penso que se continuássemos apenas dialogando tecnicamente talvez não saíssemos do mesmo lugar. Talvez. Outra vantagem, é a reconsideração sob o ponto de vista crítico do que havia sido feito anos atrás e como é visto hoje. O conhecimento amadurece, a palavra também. E os ouvidos ficam mais apurados para escutarem melhor. Harvest é um desses tantos discos que lançado em 1972 recebeu mais críticas negativas que se poderia esperar vindo de um trabalho feito por Neil Young. O repertório foi logo rotulado de country rock, folk rock e por aí foi seguindo os passos de uma carreira solo logo após se desvincular de Crosby, Stills e Nash. Alcançou, ainda assim vendagens superiores, e ganhou corpo ao longo dos anos, e gerou mais adiante uma das preciosidades de Young: Harvest Moon. Acompanhado de um grupo batizado elo nome e The Stray Gators gravou dez canções ao seu melhor estilo. Há uma variação nas gravações tanto em estúdio, quanto ao vivo e mesmo em celeiro de uma cidade do interior dos estados Unidos, e participações mais que especiais durante a realização do projeto. De um programa de rádio onde estavam presentes James Taylor e Linda Ronstadt para algumas faixas do disco foi o suficiente para fazer de Harvest um álbum diferenciado. E aos poucos os músicos locais e outros convidados foram chegando. O baterista Kenny Buttrey, o baixo de Tim Drummond, a guitarra de Bem Keith, Jack Nitzsche em vários instrumento e arranjos, a London Symphony Oechestra conduzida por David Meecham estavam no grupo básico com os Gators. Terminou aí a lista de convidados? Nem pensar. Mais tarde, em duplas ou solos, Graham Nash, Stephen Stills e David Crosby gravam suas participações. E está feito o encantamento de um disco que levou alguns anos para ser reconhecido como um dos melhores álbuns produzidos até os dias de hoje. Canções como “Heart of Gold”, “Old Man” e “Harvest” são trilhas para muitos de nós que gostamos de música. Uma colheita felizmente não tardia de quem não havia gostado antes.

Ao povo de Santa Catarina, Xanxerê, mais que solidariedade, força e esperança.

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