The Waifs: Beautiful You

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O folk australiano já bateu às portas desta casa e entrou com o Angus e a Julia Stone. Não saíram mais, e frequentam os espaços por onde faço o meu caminhar. Agora, assim de repente chegam The Waifs.As irmãs Vikki Thorn (harmônica, guitar e vocal) e Donna Simpson (guitar, vocal) mais Josh Cunnigham (guitar e vocal) também formaram um trio com a essência do folk rock. A história é comum a tantos encontros que aqui e ali ao longo do tempo acontece e se desenvolve até se transformar em um grupo de densidade musical forte e de identidade. Claro que o universo folk se abre para as semelhanças e influências diversas, o que é algo que mais agrega e constrói que qualquer outra forma de comparação. E as semelhanças são positivas, pois os elementos harmônicos e vocais cumprem papel decisivo para que as tessituras que criam possam ganhar voos mais altos e distantes. O sétimo álbum dos Waifs, Beautiful You, possui essas características e se insere naquela música que a gente sente prazer e alegria em ouvir seja ao amanhecer seja ao anoitecer, quem sabe quando a tarde estiver longa demais. The Waifs, para se guardar e ouvir.

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The Grateful Dead: American Beauty

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A figura emblemática e repleta de carisma de Jerry Garcia sempre conduziu os caminhos do Grateful Dead desde 1965. A cena hippie, o psicodelismo da época em San Francisco, Califórnia, foram a essência do grupo que mesclou folk rock, country, o rock psicodélico e mais adiante até fletes com o jazz. estavam à frente de muitos e suas apresentações recheadas de improvisos quebravam com as rotinas dos bem comportados grupos de então. Faziam a sua música. Foram únicos, tiveram seus seguidores, até os dias de hoje por sinal, e somente pelo fim dos anos sessenta entraram em estúdio para valer. Vieram primeiro com Workingman`s Dead, com um sonoridade madura, centrada e com os flertes acentuados nos gêneros country, pop e jazz. Um disco que alicerçou American Beauty de 1970. Álbum quase todo acústico, percebe-se aqui e ali a guitarra elétrica, mas é no bandolim, na pedal steel guitar, nos vocais e backings e sua sutilezas que engrandecem a obra do Dead. É nesse encontro de estúdio que começa uma parceria extraordinária entre Jerry e David Grisman. Todas as dez faixas se igualam em beleza e encantamento, em harmonia com o todo sem quebrar em nenhum momento parte alguma de cada canção. Âncora, Garcia conduz o Grateful Dead a concepção do seu melhor disco. E cabe a cada um de nós, se assim desejarmos, desfrutarmos de uma unidade rara, criativa e sensível.

Harvest: tempo de Neil Young

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É verdade, o som analógico mantém, preserva a sua pureza original. O digital mascara, pode ser manipulado com maior facilidade, e sei lá mais o quê. A transição para os atuais meios de reprodução sonora tem suas vantagens, também, embora o retorno ao analógico é uma realidade. Uma das vantagens é a de recuperar registros antigos. Registros que não mais frequentavam catálogos de discografias importantes e essenciais da música. Pode avançar, do cinema, das artes, da literatura. E uma vez recuperados, estão à disposição do público. Claro, com todas as ressalvas, ponderações a favor e contra e mais outras questões, no entanto, ainda penso que se continuássemos apenas dialogando tecnicamente talvez não saíssemos do mesmo lugar. Talvez. Outra vantagem, é a reconsideração sob o ponto de vista crítico do que havia sido feito anos atrás e como é visto hoje. O conhecimento amadurece, a palavra também. E os ouvidos ficam mais apurados para escutarem melhor. Harvest é um desses tantos discos que lançado em 1972 recebeu mais críticas negativas que se poderia esperar vindo de um trabalho feito por Neil Young. O repertório foi logo rotulado de country rock, folk rock e por aí foi seguindo os passos de uma carreira solo logo após se desvincular de Crosby, Stills e Nash. Alcançou, ainda assim vendagens superiores, e ganhou corpo ao longo dos anos, e gerou mais adiante uma das preciosidades de Young: Harvest Moon. Acompanhado de um grupo batizado elo nome e The Stray Gators gravou dez canções ao seu melhor estilo. Há uma variação nas gravações tanto em estúdio, quanto ao vivo e mesmo em celeiro de uma cidade do interior dos estados Unidos, e participações mais que especiais durante a realização do projeto. De um programa de rádio onde estavam presentes James Taylor e Linda Ronstadt para algumas faixas do disco foi o suficiente para fazer de Harvest um álbum diferenciado. E aos poucos os músicos locais e outros convidados foram chegando. O baterista Kenny Buttrey, o baixo de Tim Drummond, a guitarra de Bem Keith, Jack Nitzsche em vários instrumento e arranjos, a London Symphony Oechestra conduzida por David Meecham estavam no grupo básico com os Gators. Terminou aí a lista de convidados? Nem pensar. Mais tarde, em duplas ou solos, Graham Nash, Stephen Stills e David Crosby gravam suas participações. E está feito o encantamento de um disco que levou alguns anos para ser reconhecido como um dos melhores álbuns produzidos até os dias de hoje. Canções como “Heart of Gold”, “Old Man” e “Harvest” são trilhas para muitos de nós que gostamos de música. Uma colheita felizmente não tardia de quem não havia gostado antes.

Ao povo de Santa Catarina, Xanxerê, mais que solidariedade, força e esperança.