Lô Borges, um dos gênios do Clube da Esquina

lô

O Clube da Esquina é um divisor de águas na música popular brasileira. Se a Tropicália mexeu com as estruturas – e a censura – nos anos sessenta, os setenta chegaram com os mineiros de trem com o condutor Milton Nascimento. Entre eles, os jovens Lô Borges e Beto Guedes. Está no filho do seu Salomão e da Dona Maricota a gênese da canção que deu origem ao nome do grupo de músicos. É sua a sequência harmônica que Milton musicou e Márcio, seu irmão, pôs letra e batizou como Clube da esquina. Eternizou. A universalidade de todos permitiu que os beatlemaníacos Lô e Beto desenvolvem suas composições com densidade e ganharam letras de nomes como Ronaldo Bastos, Fernando Brant além do “mano” Márcio. O mérito de Lô está presente no primeiro álbum duplo do clube. E se a nossa atenção estiver aguçada, vamos confirmar que as composições do jovem compositor são quem sabe os maiores destaques do emblemático disco. Quem não conhece “Um girassol da cor de seu cabelo”? ou “Trem Azul”, gravada inclusive por Elis Regina e Tom Jobim? “Cravo e Canela”? “Trem de doido”? Pois é, de repente as cortinas se abrem para o mineiro solar. No mesmo ano de 1972, ele lançou seu primeiro solo. A capa é ícone até hoje, está ali acima. Um dos mais extraordinários trabalhos lançados à época. Lô Borges é um disco pop, mpb, é tão mineiro como poderia ser inglês ou mesmo norte-americano. De tudo um pouco, um pouco de tudo, e o talento se abrindo sem medo. Mais adiante, vieram Sonho Real, Nuvem Cigana, A Via Lactea, Feira Moderna, não necessariamente nessa ordem, e outros mais sempre com esse viés de mesclas, de pop, de convidados, de abertura para o novo. Em 1980, quebrando um pouco o clube, grava um disco família: Os Borges. Faixas em que toda a musicalidade dos Borges aparece em uma reunião maravilhosa e trazendo um encarte com texto do pai, Seu Salomão, delicioso por contar grande parte da história do filho e do próprio clube. Continuo “vidrado” no disco dos tênis. Por tudo, pelos músicos que o acompanham – na contracapa há toda as letras e quem toca o que em cada faixa – a suavidade, a sutileza, a ironia, o romantismo, a essência de um músico que transformou, juntos com o Clube da Esquina, para sempre a MPB desde as Minas Gerais para o mundo.



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2 Respostas para “Lô Borges, um dos gênios do Clube da Esquina

  1. Ampliou o acervo musical brasileiro, um dos artistas mais emblemáticos da música brasileira. Viva os Borges!!

    Diego Borges – A Arte Liberta!

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