Yes : The Yes Album

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Um álbum pisciano – março de 1971 a data de sua vinda  ao mundo. Talvez o melhor de todos os outros gravados pelo Yes. Tem, com certeza, sua melhor formação: Jon Anderson (vocais e percussão), Chris Squire (baixo e vocais), Steve Howe (guitarra, violão e vocais), Tony Kaye (piano, órgão) e Bill Bruford (bateria). Seu nascimento estava previsto para o outono do ano anterior, mas nada deu certo. As canções, os arranjos, a saída do guitarrista Peter Banks e a pressão maior. O mundo do lado de fora recebia com apreensão a guerra entre a Índia e o Paquistão. Um cenário triste. O grupo ensaiou à exaustão cada composição, a chegada de Howe deu novo ânimo, e de repente as harmonias, os vocais, as conjunções todas passaram a conspirar a favor do Yes. De um rio passaram a mar com naturalidade. E o virtuosismo de cada um foi se revelando com mais espaço e as sensibilidades ultrapassaram os limites da pele. O rock progressivo ganhara um disco soberbo, com mudanças de ritmos, clima e estilo, vocais envolventes e a guitarra de Steve acaricia cada melodia de forma inexplicável. Uma força inevitável no Yes fez a transformação. E quem ganha somos nós. O disco é atual, presente, denso, caudaloso do seu melhor significado e sentido e nos abraça, olhando para dentro de nós. Um disco que rompe com todas as distâncias e é referência em qualquer lugar do mundo. Não esqueça: The Yes Album.

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Steve Howe: Portraits of Bob Dylan

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Covers são muito comuns. Mesmo entre os grandes, talvez já mais ainda. fazer leituras dos maiores é sempre desafiador. É sempre um passo que pode ser à frente ou um atrás. E tributos a ídolos são verdadeiras fontes arrecadadoras de recursos às gravadoras, muito embora há discos muito bons. Steve Howe, que é um excelente instrumentista, ex-Yes, tropeçou em sua tentativa junto a obra de Bob Dylan. Ainda que muito bem acompanhado para fazer essa travessia dylaniana, como Jon Anderson, o ex-Hollies Allan Clarke nos vocais (The Hollies, o grupo de Graham Nash, antes de se unir a Crosby e Stills), P.P. Arnold, onde se fala soul se fala P.P. Arnold, e outros nomes de igual talento. Todavia, se debruçar sobre as composições de Mr. Robert Zimmerman é algo que se complica quando os arranjos saem do tradicional composto por ele. Não há como reproduzir, e isso poderia valer para qualquer cover ou homenagem a compositores em geral, o universo de Dylan tal como o concebeu. ninguém canta como ele, ninguém interpreta como ele. Quem sabe o mais próximo de um trabalho bem simples e até original tenha sido realizado por Richie Havens em seu disco com canções do Beatles e do bardo folk. Não que Portraits of Bob Dylan seja um álbum descartável, daqueles que você passa longe ou se escuta já tenta passar adiante. Não, absolutamente não. Há muito boas passagens, boas interpretações, sonoridade com timbres e texturas agradáveis e para por aí. Não penetra na área restrita a Dylan, não consegue. De toda a sorte, é um disco para colecionador, que pode ser escutado, apenas não é a primeira opção. Pena, porque Steve Howe é sem dúvida alguma um músico de primeira linha e seus amigos são muito bons.

Jon Anderson: Toltec

Toltec

O nome de Jon Anderson está no íntimo e na história do Yes. Grupo que em 1968 dava seus primeiros passos no rock com uma formação inesquecível: Jon, nos vocais, Chris Squire, baixo, Tony Kaye, teclados, Peter Banks, guitarra, e Bill Bruford na bateria. Foram ousados, gravaram Byrds e Beatles até surgir em 1970 talvez seu melhor disco o The Yes Album. Porém, nem tudo que começa bem, continua bem. A entrada de Rick Wakeman nos teclados veio com o clássico Fragile que ao contrário de se manter nas linhas do rock foi para os lados da mescla com o erudito. Estava o Yes se inscrevendo na lista dos grupos de rock progressivo dos anos setenta. Fizeram alguns trabalhos bem elaborados, Close to the Edge, já sem aquele vigor roqueiro. E passaram a se desconstituir ao longo do anos, com entradas e saídas de seus membros originais. Nunca mais foram os mesmos. Jon Anderson iniciou curiosa e interessante carreira solo. Ou em parceria com Vangelis. Alterna bons e maus momentos, tanto sendo apenas Jon ou com outro parceiro, quem sabe com Vangelis a visibilidade e o sucesso foram mais perceptíveis. No entanto, um curioso e muito bem elaborado trabalho de Anderson chegou ao mercado nos anos noventa: Toltec. Os Toltecas foram um povo que viveram entre os séculos X e XII no México Central. Foram abatidos pelos Chichimecas que deram origem a civilização Asteca. Seu legado no entanto foi notável, deixando marcas como o calendário, a escrita e o trabalho em metal. De alguma forma, Jon penetra nesse império passado e o traduz, curiosamente, se valendo do rock progressivo para fazer a sua narrativa. As treze canções estão divididas em três partes, onde tenta capturar o ambiente de um povo extinto. Descreve, mais em musicalidade, as linhas mestras do poder, da criação, da força do terra, do sentido e significado dos toltecas. Não é um disco Yes, não um disco que se identifique com algum gênero, podendo se misturar ao new age, world music, o carimbo do rock progressivo denso no trabalho. No entanto, é intrigante e instigante ao mesmo tempo. Vale passar alguns minutos nesse universo criado por Jon Anderson e pela cicilização tolteca.

* Pelos povos do Nepal e da Índia, a nossa solidariedade.