Trio Madeira Brasil: música instrumental brasileira

Trio Madeira Brasil

Na carteira de identidade, o Trio Madeira Brasil tem como registro de nascimento a cidade do Rio de Janeiro e como seus criadores Ronaldo do Bandolim, Marcello Gonçalves (violão de 7 cordas) e José Paulo Becker (violão). Música instrumental, gênero Choro. Essa é a sua gênese. Sua base. Sua terra fértil. E ao longo do tempo, das estações, das semeaduras, as sementes foram alimentadas também por Yamandu Costa, Jacob do Bandolim, Chico Buarque, Egberto Gismonti, o saudoso Paulo Moura, acolheram o universo d tango/jazz/erudito de Astor Piazzolla, tornaram suas terra mais universais. Mais ricas. densas, profundas. Criaram novas tramas musicais. E o seu plantio tem sido pleno e cada vez mais se entranha nas harmonias que tecem com seus instrumentos. Melhor que escrever, é ouvi-los. Bom para fechar os olhos e viajar em sua sonoridade arrebatadora.

Anúncios

Yamandu Costa: Tocata à amizade

Yamandu_Costa_-_Tocata___Amizade__CAPA_

Reproduzir ambientes do passado, mesmo que recente, não é privilégio da indústria cinematográfica. Alguns músicos se valem desses ambientes, que ainda resistem ao tempo e aos modernismos, e com seus companheiros instrumentistas se reúnem e fazem verdadeiras celebrações musicais. É a amizade fluindo através das harmonias e acordes, dos cantos, das homenagens e de arranjos feitos à queima-roupa entre os amigos que se embalam em sorrisos e criatividade. Tocata à Amizade mais um dos tantos discos gravados por Yamandu Costa parte dessa premissa afetiva. E consegue transformar quem para para (ops, desculpem, mas a construção ficou assim mesmo, primeiro o verbo parar) escutar sente-se envolvido pelo clima, pelo ambiente. Ali, bem próximo a mesa do bar, a noite ganhando terreno sobre o dia, em volta deles mais amigos e admiradores. Ou apenas pessoas vivendo o seu normal. A formação dos músicos que estão em Tocata é camerística com Alessandro Kramer (acordeom), Rogério Caetano (violão 7 cordas de aço) e Luis Barcelos (bandolim 10 cordas). E mais não foi necessário. O começo foi um convite do Museu do Louvre para ele, Yamandu, compor uma peça que representasse um pouco da música popular brasileira. O movimento composto, “Suite Impressões Brasileiras” tem essa mensagem que abraça algumas regiões do território brasileiro (choro-tango, valsa, frevo-canção, baião com milonga). “Negra Bailarina” e “Boa Viagem” anunciam os amigos compositores que seguem a linha proposta. E chegam composições de Raphael Rabello (“Pedra do Leme”), João Pernambuco (“Graúna”) e a “Suite Retratos” com “Pixinguinha”, “Ernesto Nazareth”, “Anacleto de Medeiros” e “Chiquinha Gonzaga” que possuem a assinatura do maestro Radamés Gnatalli. Um trabalho coeso, bonito e delicioso de se escutar, e é mesmo uma celebração à amizade. (as reproduções são de momentos da carreira de Yamandu Costa).

Yamandu Costa: maturidade e talento desde sempre

Yamandu2

O desde sempre lá do título parece ser exagero. Não é. Yamandu Costa é único desde sempre. O violinista gaúcho, que hoje sopra trinta e cinco velas, tem em sua corrente sanguínea a música. Filho da cantora Clari Marcon e do multi-instrumentista Algacir Costa, o convívio com as harmonias e sequências musicais foi desenvolvido com a mesma naturalidade que hoje tem ao se apresentar em qualquer palco do mundo. Se aos sete anos seus primeiros acordes nasciam, com o argentino Lúcio Yanel, com quem mais tarde gravou um disco antológico, tornou sua técnica mais exuberante. E aí, nessa, vamos chamar de primeira fase, suas influências estavam enraizadas, e ainda permanecem, no folclore do sul brasileiro e nos países do Prata. Depois, foram chegando Radamés Gnatalli, Baden Powell, Tom Jobim e Raphael Rabello, como anunciadores de uma nova forma e estética de tocar e compor. Da soma ou multiplicação de tantas e felizes influências, dedilhar o violão para o tango, o chamamé, o jazz, a MPB, a bossa nova, o samba, o chorinho e o que mais possa chegar é parte da vida de Yamandu. Sua discografia é fiel a sua história. Basta seguir a lista abaixo, de 2014 a 2000 para descobrir o quanto do seu talento se mescla a diferentes músicos e instrumentistas do Brasil, sem nenhuma espécie de concessão que não seja o talento e a criatividade. E a diversidade de seus trabalhos revelam toda as suas faces de violinista.
2014 – Bailongo
2013 – Continente
2010 – Lado B (com Dominguinhos)
2010 – Luz da Aurora (com Hamilton de Holanda)
2010 – Yamandú & Valter Silva
2008 – Mafuá
2007 – Lida
2007 – Yamandu + Dominguinhos
2007 – Ida e Volta
2006 – Tokyo Session
2005 – Música do Brasil Vol.I (DVD)
2005 – Yamandu Costa ao Vivo (DVD)
2005 – Brasileirinho
2004 – El Negro Del Blanco (com Paulo Moura)
2003 – Yamandu ao Vivo
2001 – Yamandu
2000 – Dois Tempos (com Lúcio Yanel)

Assim como a lista de premiações já é longa, suas apresentações pelo mundo adentro atestam o que desde sempre se soube: Yamandu Costa é único. Escutá-lo é uma experiência de vida.

http://www.youtube.com/watch?v=fddswrZWHR8
http://www.youtube.com/watch?v=T-mAzD1j0L0
http://www.youtube.com/watch?v=sV_T2gyvOsM
http://www.youtube.com/watch?v=XVYzEWjveF4
http://www.youtube.com/watch?v=vT1sMuGc4uE

Foto: http://www.jornalnopalco.com.br