Vitor Ramil: Foi no mês que vem

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Vitor Ramil é um compositor exigente. É um compositor que não esgota nenhuma possibilidade. Ousa. Não tem medo. Realiza. E isso desde o seu primeiro disco, o que traz a bela e definitiva “Estrela, Estrela”. Desde então, cada disco, uma obra. Obra trabalhada à exaustão. Trabalho de ourives. E é nessa exaustão que marca encontro com a ousadia. Com o novo. No clássico Ramilonga suas milongas além do violão eram acompanhadas por cítara. Quem mais poderia fazer isso? Ou gravar Satolep Sambatown com o percussionista Marcos Suzano. Vitor é essa síntese recheada de conteúdo e marcas profundas.

Sabemos do seu rigor e o bom gosto estético. Esta reunião de antigas novidades onde está bem definida suas sensibilidade, delicadeza, seu humor sutil, ou quem sabe os seus olhares biográficos,  e comentários históricos e literários, reflexões filosóficas, pensares incomuns sobre o amor. Nada é excluído em sua criação. Um quê de melancolia, talvez essa coisa que acompanha os que vivem ao sul, a introspecção, o frio, o inverno, a lareira, a pampa imaginária. Foi no mês que vem é um apanhado sólido de sua carreira. Um concerto onde os convidados se revezam e se entrelaçam em suas harmonias também de forma harmoniosa e desfilam seus nomes: Jorge Drexler, Marcos Suzano, Carlos Moscardini, André Gomes, Carlos Badia, Fito Paez, Wagner Cunha, Pedro Aznar, Franco Luciani, Ian Ramil, Bella Stone, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Santiago Vazquez, Kàtia B, Kleiton & Kledir e outros mais. Um disco magnífico, belíssimo e sobretudo inspirador do criador da Estética do Frio. Vitor em toda a sua plenitude. Dessas obras que a gente ouve sem jamais esgotar a vontade de ouvir de novo.

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Carlos Moscardini: Um guitarrista e compositor essencial – Por Marcelo Fébula

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Nasceu em Temperley, província de Buenos Aires, em 1959.

Estudou música no Conservatório Provincial “Julian Aguirre” da localidade de Banfield, onde seu professora foi Dinah Galvan.

Trabalhou com artistas renomados da música popular Argentina, fazendo gravações e atuando em teatro, rádio e televisão.

Gravou como solista o “El Corazón Manda” (1997, “Buenos Aires de Raíz” (2005) y “Silencios del Suburbio” (2012) para o selo Epsa Music da Argentina, “Horizonte Infinito” (2009) para Winter & Winter da Alemania, e também “Maldita Huella (2008) para Epsa, trabalho em dúo con a cantora Luciana Jury, além de numerosas participações em outras gravações.

Apresentou-se em mais de 20 países participando de festivais de guitarra como júri em competições nacionais e internacionais, e conduziu cursos de aperfeiçoamento em instituições da Argentina e Europa.

Hoje suas obras são uma referência para a nova música argentina para violão e são incluídas nos currículos de conservatórios de Argentina e Europa.

É membro do Fondo Nacional de las Artes e professor titular nos conservatórios “Gilardo Gilardi” de La Plata e “Manuel de Falla” de Buenos Aires, onde fundou a Carreira de Folclore e Tango.

As suas obras foram publicadas pelas EPSA Publishing, Warner Chappell e Edições Delatour (França).

Compartilhou festivais e cenas com figuras da guitarra internacional como David Russell, Stephan Rak, Yamandú Costa, Carlos Barbosa Lima, Roberto Aussel, Juan Falú, Jorge Cardoso, Ricardo Moyano, Berta Rojas, Helena Papandeou e Dale Kavanagh, entre muitos outros.

Participou do “Montreal International Jazz Festival” com o grupo NAN, e excursionou cobrindo mais de 40 cidades no Japão participando como solista no show “A História do Tango”.

Realizou concertos no “Smithsonian Museum” de Washington, no “Salão Bolívar” de Londres, no “Instituto Cervantes” de Munich,  na “Casa-Museu General San Martin” de Boulogne Sur Mer, e muitos outros salões do mundo.

Tem dado seminários e master classes em várias instituições da Argentina, na “Royal Danish Academy of Music” de Dinamarca, no “Royal Conservatorium” de Bélgica, no “Norges Musikkhögskole” de Noruega, na “La maison de L’Amerique Latine de Paris” de França, entre outras instituições da Europa.

Sua obra “Buenos Aires de Raíz” foi declarada de interesse cultural pelo governo provincial da província de Buenos Aires.

Foi reconhecido no Brasil pelo Ministério da Cultura de Porto Alegre em 2010, com o prêmio Açorianos 2010 ao “Melhor instrumentista” por sua colaboração no cd “Delibab” do Vitor Ramil, onde também acompanhou ao Caetano Veloso, que participou como convidado.

Integra com Juan Falu a lista de compositores da “Concours International de Guitare de la Ville d`Antony” de França, juntamente com Leo Brouwer, Roland Dyens, entre outros.

 (Informações do site de Epsapublishing)

 “Somos muitos os guitarristas que regamos nas obras dos grandes mestres quando chega a hora de ter um repertório. Mas, em relação, são muito poucos aqueles músicos que com suas próprias obras são capazes de fazer mais profundo o caminho que esses mestres deixaram, de levar a bandeira um pouco mais para frente.

Carlos Moscardini é um deles. Com sua notável obra de compositor (afortunadamente já conhecida no mundo), mas também como mestre e fenomenal intérprete do violão, está continuando o legado dos grandes nomes da história da música argentina.”

Marcelo Fébula

Foto: http://www.elintruso.com

                                                                 

 

Jorge Drexler: La edad del cielo

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Uruguaio de nascimento, ganhou o mundo esse médico, cantor e compositor. Desde que seu Oscar por melhor música – “Al outro lado del río”, pelo filme Diários de motocicleta – sua vida foi pulando lugares: Buenos Aires, Madri, Porto Alegre, e mais uma infinidade de cidades. criativo, permaneceu algum tempo antes do sucesso cinematográfico entre as estantes de discos quase anônimo. Discos que já demonstravam sua universalidade e uma gama de influências para além do Prata e muitas vezes chegando à beira do Guaíba porto-alegrense. Não por acaso, um dos seus amigos e parceiros é Vitor Ramil e sua Estética do Frio. Andam juntos os dois. Os discos foram se sucedendo, todos com repercussão por onde passa e o seu caminho abre horizontes. La edad del cielo abraça um período em que a Virgin era a sua gravadora, e lá estavam (estão) VaiVen, Llueve, Frontera e Sea, e estão dezessete faixas em que não podemos escolher nenhuma: todas são magníficas. Voltar um pouco ao início de sua carreira é um exercício que permite observarmos o seu desenvolvimento com compositor, cantor, artista e cidadão do mundo. Um disco que se ouve com tranquilidade e para os que vivem ao sul do sul nesses dias de inverno com uma mate quente à mão ou um café.

Por Aylan Kurdi: * 2012 * 2015

A foto estampa todos os jornais e sites do mundo inteiro. Não é necessário reproduzi-la. Assim continua caminhando a humanidade. Até quando? Quantos mais?

O sacrifício de Aylan, o pequeno sírio, não seja vazio e apenas contemplativo aos nossos olhos. Olhos de uma civilização que naufraga a cada fração de segundo que o mundo gira.

Chico César: o sol na noite de Porto Alegre

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Os 80 anos de UFRGS são rejuvenescedores. Alentam os mais diversos públicos para além da geografia dos campus universitários. E ganha corpo denso no extraordinário UNIMÚSICA – Série Compositores: A cidade e a música. Quinta-feira foi um dia completo. Começa com o compositor escolhido: Vitor Ramil. E continua com o convidado: Chico César. À primeira vista pode parecer que as pontas do Sul e a do Nordeste não vão se encontrar, afinal o primeiro é a essência da estética do frio e o segundo o da ética do fogo. O encontro da lareira com a praia, da névoa com o sol, da serra e do pampa com o mar mostrou muito mais que pontos comuns. Na diversidade cultural a grande certeza: o Sul é tão brasileiro quanto o Nordeste e o Nordeste tão brasileiro quanto o Sul.

O paraibano de Catolé do Rocha transformou ou melhor revolucionou a obra do gaúcho de Satolep. Para quem imaginava que havia muito hermetismo nas canções de Vitor, Chico César foi logo apresentando o quanto de sol existe nelas, o quanto de vida de dentro para fora estão contidas em suas letras e harmonias. Cada música do repertório apresentado incendiou o Salão de Atos lotado. O calor do dia se estendeu para o palco e do palco à plateia. Comunhão perfeita. “Ramilonga”, “Estrela, Estrela”, “Grama Verde”, “Foi no mês que vem” e a sem dúvida marcante e definitivamente universal “Joquim” assumiram proporções que habitarão a cada um dos presentes, sem exagero algum, pelo infinito adentro.

Acompanhado de um trio, também de instrumentistas paraibanos, formado por Xisto Medeiros, baixo, Helinho Medeiros, piano e sanfona e Gledson Meira, bateria, o violão de César eletrificou o ambiente. O que poderia parecer um tradicional grupo de jazz se revelou o melhor das tessituras harmônicas do Nordeste e seus ritmos contagiantes.

Chico César fez ensolarar a noite de ontem em Porto Alegre.

www.youtube.com/watch?v=l4-milqHymg

www.youtube.com/watch?v=Ot8UuUC5ExQ

Foto: Washington Possato/Divulgação

Os vídeos disponibilizados no Youtube levam a assinatura de Silvia A.