Dedilhando o Brasil com Marcus Bonilla

Dedilhando o brasil

Marcus Bonilla é um violonista que trabalha seu instrumento como se fosse um artesão. Na verdade, é um artesão da música. Com formação na área, é Mestre em Musicologia – Etnomusicologia, é Bacharel em Violão pela UFRGS e possui pós-graduado em Educação Musical pela UDESC, Marcus estendeu sua experiência formal em trabalhos mais orgânicos e tecidos com o sentimento de quem vai semeando o campo com precisão e acerto. Sabe a hora da colheita, sabe o que e como plantar. Dedilhando o Brasil é um disco solo, em que o violão e o repertório dialogam tendo Bonilla como mediador. É um trabalho seguro, inspirador e tranquilo. Ao olhar com maior atenção compositores como Dilermando Reis, Egberto Gismonti, Paulinho Nogueira, Luiz Bonfá e Antônio Maria, Heitor Villa-Lobos e Alexandre Sapienza, além de três peças autorais, ele revela sua universalidade musical e também não deixa de lado suas influências. As dezesseis faixas parecem passar rápido demais tamanha é a qualidade de suas cordas. Neste disco, o violão é a linha mestre apenas tendo o violoncelo de Raquel Alquati em “A propósito” do compositor. premiado em 200O com o Prêmio Açorianos de Música Instrumental, o seu trabalho seguinte Caminhante do Céu Vermelho é uma mescla de música clássica, popular, new age e a introdução de outros instrumentos na elaboração dos arranjos e gravações. Há uma linha coerente e de uma estética própria em seu caminho a ponto de deixar de lado, ao menos por ora, outras composições de outros autores e partir para um trabalho mais autoral. O resultado pode ser ouvido no site http://marcusbonilla.com.br Sua maturidade está à disposição e seu talento suave tece esses momentos com sensibilidade.

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Egberto Gismonti, inesquecível

Egberto-GismontiEG

Ontem, a noite se fez inteira, completa. O salão de atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul recebeu Egberto Gismonti para o show de encerramento do VI Festival de Violão realizado em Porto Alegre. Se o calor do dia não deu trégua, Gismonti domou o clima e o tempo. O filho de Carmo não cedeu um palmo às tentações do exibicionismo. Tranquilo, sereno, deslizou os dedos e mãos pelos violões e piano acústico. Solitário no palco, preencheu com seus acordes todos os espaços. Bem humorado, disse não lembrar os nomes da músicas, falou em Mario de Andrade, tocou no bis Villa-Lobos. Encantou com seu talento, carisma, virtuosismo e humildade. É um compositor e instrumentista superior. Faz do erudito e do popular linguagem única. O tradicional se funde ao experimentalismo, à improvisação – sempre com um quê de jazz -, e se torna suave à plateia, silenciosa, em reverência. Nada é exagero em Egberto Gismonti. Tudo se completa, se complementa, faz parte, nada se exclui. As quase duas horas voaram. Não parece ser justo. Tanto diante do salão lotado, o tempo não deveria ser medido. Os relógios deveriam ser abolidos. Uma noite inesquecível. Um verdadeiro presente que Porto Alegre ganhou. Felizes os que acolheram o presente. E o levaram em suas almas para sempre.

www.youtube.com/watch?v=wowz0KJITGc

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Fotos: capturadas no http://www.culturart.com.uk