Mercedes Sosa: Deja la vida volar

mercedes sosa

A América Latina e o mundo calaram em 04 de outubro de 2009. A tucumana Mercedes “La Negra” Sosa acabara de silenciar seu canto en vivo entre nós para sempre. Com ela, uma nova canção, assim como no Chile, brilhou junto com a utopia por um mundo melhor e mais justo não apenas nas Américas nas nos países chamados de periféricos. O folclore, a contestação, o exílio, a força do coletivo, o olhar para os novos e para o novo, a terra semeada, a vida produzindo vida formavam sua pele, seu coração, sua alma. Deja la vida volar é uma compilação de apresentações feitas pela Europa e em sua Argentina. Lançada após o seu primeiro ano de sua partida, o nome do disco é significado, pelo “voar”, pelo compositor da canção, Victor Jara, e pelo repertório, que abraça desde os mais antigos, inclusive o tango, até os mais jovens como Jorge Drexler, Fito Paez, a extraordinária Violeta Parra, o nosso eterno Milton Nascimento, o mágico Atahualpa Yupanqui, a magia de Maria Elena Walsh, os maravilhosos Ariel Ramirez e Felix luna – Misa Criola, para quem não lembra – e o revolucionário Piazzolla.Mercedes Sosa. Não é preciso escrever nem dizer mais nada.

Anúncios

Pablo Neruda, simplesmente poesia

DSC00025

O primeiro olhar é suficiente pra afirmar o quanto a foto acima é comum, sem estética, com equívocos técnicos, vazamento de luz, reflexo acentuado à esquerda de quem olha, uma névoa ao fundo, distorcendo o horizonte. Enfim, uma foto sem nenhum atrativo. No entanto, a foto mostra é a vista que Pablo Neruda vivia todas as manhãs do seu quarto. proibido de fotografá-lo (o quarto), restou a imagem do Pacífico chegando à praia íngreme de Isla Negra, onde descansa o poeta. O dia em sua casa próxima a Valparaíso, no Chile, é um daqueles momentos em que o mundo para de girar e os sentidos se ajustam aos movimentos das águas e das cores. Neruda mais que Nobel de Literatura, foi um homem engajado em favor da humanidade e da justiça. Um homem que fez da poesia seu canto. E também o nosso canto. Confesso que vivi nos momentos em sua casa uma vida inteira. E a poesia cresceu como fruto até amadurecer dentro de mim.

El viento en la isla

El viento es un caballo:
óyelo cómo corre
por el mar, por el cielo.

Quiere llevarme: escucha
cómo recorre el mundo
para llevarme lejos.

Escóndeme en tus brazos
por esta noche sola,
mientras la lluvia rompe
contra el mar y la tierra
su boca innumerable.

Escucha como el viento
me llama galopando
para llevarme lejos.

Con tu frente en mi frente,
con tu boca en mi boca,
atados nuestros cuerpos
al amor que nos quema,
deja que el viento pase
sin que pueda llevarme.

Deja que el viento corra
coronado de espuma,
que me llame y me busque
galopando en la sombra,
mientras yo, sumergido
bajo tus grandes ojos,
por esta noche sola
descansaré, amor mío.

Poema capturado no site: http://www.neruda.uchile.cl
Livro: Los Versos del Capitán, coletânea, 1993
Editora: Seix Barral