Steve Howe: Portraits of Bob Dylan

PortriatsofBobDylan

Covers são muito comuns. Mesmo entre os grandes, talvez já mais ainda. fazer leituras dos maiores é sempre desafiador. É sempre um passo que pode ser à frente ou um atrás. E tributos a ídolos são verdadeiras fontes arrecadadoras de recursos às gravadoras, muito embora há discos muito bons. Steve Howe, que é um excelente instrumentista, ex-Yes, tropeçou em sua tentativa junto a obra de Bob Dylan. Ainda que muito bem acompanhado para fazer essa travessia dylaniana, como Jon Anderson, o ex-Hollies Allan Clarke nos vocais (The Hollies, o grupo de Graham Nash, antes de se unir a Crosby e Stills), P.P. Arnold, onde se fala soul se fala P.P. Arnold, e outros nomes de igual talento. Todavia, se debruçar sobre as composições de Mr. Robert Zimmerman é algo que se complica quando os arranjos saem do tradicional composto por ele. Não há como reproduzir, e isso poderia valer para qualquer cover ou homenagem a compositores em geral, o universo de Dylan tal como o concebeu. ninguém canta como ele, ninguém interpreta como ele. Quem sabe o mais próximo de um trabalho bem simples e até original tenha sido realizado por Richie Havens em seu disco com canções do Beatles e do bardo folk. Não que Portraits of Bob Dylan seja um álbum descartável, daqueles que você passa longe ou se escuta já tenta passar adiante. Não, absolutamente não. Há muito boas passagens, boas interpretações, sonoridade com timbres e texturas agradáveis e para por aí. Não penetra na área restrita a Dylan, não consegue. De toda a sorte, é um disco para colecionador, que pode ser escutado, apenas não é a primeira opção. Pena, porque Steve Howe é sem dúvida alguma um músico de primeira linha e seus amigos são muito bons.

The Hollies sing Bob Dylan

the-hollies-lp-sing-dylan-13843-MLB45787732_453-O

Os anos sessenta, não canso de repetir, e quem aqui chega deve já estar cansado de ler, foram e ainda são anos extraordinários para as artes e outras revoluções não apenas na cultura, embora também tenha em seu delicado corpo marcas de tragédias como a Guerra do Vietnã. A invasão britânica nos Estados Unidos foi marcante. Ainda que os The Hollies não fossem um grupo que se possa pôr entre os melhores da época, foram, sem dúvida, inesquecíveis com suas harmonizações tanto melódicas como vocais, que tinham com base principal o trio Allan Clarke, Toni Hicks e Graham Nash. Trio para ninguém pôr defeito algum. Em meio a sucessos e fracassos, Nash parte para fazer parte de um dos maiores trios, depois quarteto, ou mesmo dupla, todos eles se alternando ao longo dos anos: Crosby, Stills, Nash & Young. De alguma forma, ao escutar os discos em que o trio Clarke. Nash e Hicks estão presentes fica muita clara a intenção e influência de Nash em tentar dar outra dimensão aos Hollies, o que não foi bem aceito pelos demais integrantes. Até que em 1969, ano coroado por Woodstock, e já sem Graham, é lançado o disco talvez mais controverso de sua carreira: The Hollies sing Dylan. Gravar canções do bardo não é novidade, ao longo do tempo Joan Baez, Bryan Ferry, The Byrds (magnífico), Judy Collins e até mesmo brasileiro Zé Ramalho ou canções perdidas entre faixas de álbuns de diversos artistas sempre estiveram presentes no universo musical dos mais variados gêneros. Talvez pelo desafio que é interpretar Dylan. Sei apenas que dias desses, como diz o compositor cearense Belchior, tirei “da parede da memória”, no caso, das gavetas da minha cedeteca, o disco do Hollies com canções do Dylan. Continua tão estranho quanto o escutei pela primeira vez já perdi a contas do anos. Polêmico pelos arranjos demasiados em orquestrações ou muito distantes do que desde sempre havíamos nos acostumado com Dylan. Não que se tenha que ser fiel o tempo todo, absolutamente não, é que não houve “química” entre ambos. A distância entre as harmonias dos Hollies aumentam ao se encontrarem com as de Mr. Zimmerman. Por certo, há passagens muito boas, a amplitude vocal de Clarke em vários momentos é precisa e dramática – está certo, às vezes soa exagerado – e os arranjos instrumentais compensam a falta de unidade que começa pelo repertório à falta da mencionada química. Entre os grandes momentos, “My back pages” se torna a melhor faixa da compilação, sem dúvida alguma e algumas intervenções instrumentais de Tony Hicks compensam o esforço dos Hollies de terem Dylan em seu repertório.
Se o disco é confuso e polêmico, vale por ter sido uma gravação espontânea e insólita dos Hollies que mesmo sem ter a presença de Nash fez um disco que até hoje pode-se falar como surpreendente. No entanto, fica a pergunta: como seria com Graham Nash? Jamais saberemos.

The Stills-Young Band

Stills Young

Ao passar pela obra e biografia de Neil Young, estava lá o The Stills-Young Band. A data: 1976. Para começar mais outra confissão – de confissão em confissão vou me descobrindo – : os anos sessenta são imbatíveis em nível de cultura. Continuo cada vez mais certo disso, embora reconheça que nos dias de hoje há criatividade e muita transformação necessárias à Cultura e ao pensamento.

Umas das minhas paixões foi ( e é pelo que ainda existe no meu acervo ) o Crosby, Stills, Nash & Young. Houve variações do quarteto, ora dupla ora trio, por vezes cada um solo ou em outras agrupações. Seus trabalhos são extraordinários. Harmônicos, em vozes e melodias. Então, percebemos que David Crosby era do The Byrds, Graham Nash do The Hollies (eles gravaram um disco com canções do Bob Dylan curiosíssimo), o Stephen Stills e Neil Young andaram juntos pelo Buffalo Springfield. Em algum momento foram se desprendendo de suas origens para criarem o CSN&Y. E forma fazendo trabalhos magníficos, e também se separando, se reencontrando e assim por diante. Não faz muito, foi lançado um cd triplo de um show deles de 1974, que pode ser conferido no http://www.allmusic.com e torcer para que venha para o Brasil. Eles, no entanto, foram demonstrando suas diferenças, e suas afinidades. Crosby e Nash mais melódicos, mais harmoniosos em dupla, seguiram o seu caminho após desentendimentos gerais. Outra curiosidade, coube a Stills e Young, mais ligados ao rock, embora toda a essência folk, grava um disco com canções em que os quatro tinham e que não deram certo juntos. E nem mesmo a The Stills-Young Band teve vida próspera e longa. Resumiu-se a um único disco. Long May You Run é o resultado desses encontros e desencontros. Vigoroso e ao escutá-lo uma certa nostalgia nasce de forma espontânea. A presença de músicos como Jerry Aiello nos teclados, Joe Lala na percussão, Joe Vitale na bateria e flauta e George Perry no baixo dá solidez ao grupo. Um pouco irregular, falta aquele quê de CSN&Y, naturalmente, fato que não ocorreu com Crosby e Nash em dupla. Outra curiosidade, para variar, assim como o Cream abria os shows dos Bee Gees, três dos instrumentistas do Stills-Young participaram do LP Children of the world dos irmãos Gibb, Lala, Perry e o próprio Stills. Para quem estiver com vontade de conhecer a banda e só clicar no link abaixo.

LongMayYouRun

www.youtube.com/watch?v=NyRXoTZXrzA

Reproduções capturadas na Internet.