Guillo Espel: do erudito ao folclore com ousadia e sensibilidade

Guillo

Minha relação com os países do Prata é por demais conhecida e todos também sabem que em minhas veias mais corre água do emblemático rio que sangue. Uruguai e Argentina estão em mim quem sabe muito mais que hoje Porto Alegre me habita. Sinto muita falta de Buenos Aires. Montevidéu tenho sido com mais frequência. Os amigos que tenho na capital portenha me deixam mais tentado a voltar o quanto antes e devo isso ao Marcelo Fébula, ao Gustavo Lopecito, ambos do site de turfe Los Pingos de Todos e também o Pablo Gallo, outro especialista em corridas de cavalos que conheci graças ao meu irmão Mário que está firme com o seu De Turfe Um Pouco. Todavia, muito antes, na primeira ida, em 1994, com Inês, a Buenos Aires ao contrário de ser uma viagem de lazer, foi mais uma viagem de trabalho. Jornalista sem gravador, bloco de anotações e caneta não é jornalista. E assim, a gravadora alternativa do Litto Nebbia, Melopea, foi a primeira a ser visitada. Bem recebido, além de um grande número de cds, assisti a alguns shows, vi e escutei Adriana Varela, então no Septeto Argentino do Litto, entrevistei-o, assim como a Lito Vitale, Leon Gieco e Eduardo Barone, então na EMI argentina, que me “regalou” com uma caixa chamada 10 Años de Vida – Uma Historia del Rock Nacional, contendo cds de Pescado Rabioso, La Máquina de Hacer Pájaros e a trilha do filme Rock Hasta que se ponga el Sol. E estava para sair uma com a obra completa do Sui Generis, mas essa não consegui. Para além do lançamento histórico, o box traz o primeiro grupo de Charly Garcia pós Sui Generis, o La Màquina de hacer Pájaros. Desses contatos, acabou em minhas mãos cds do grupo La Posta. Estava presente Guillo Espel. Escutei cada um deles, acho que dois ou três, não lembro bem, e havia um em especial que havia batido direto: De Homenajes y Leyendas. Marcante o trabalho de fusão ou de criação erudita sobre temas populares, folclóricos, de jazz – há presença brasileira de forma subliminar no disco. O La Posta era Guillo na guitarra, percussão e canto, Pablo Aguirre no piano e teclados e Jorge Alabarces nas flautas. Passado um ou dois anos, o retorno foi direto á gravadora e ao encontro de Guillo, de quem me tornei amigo. tenho quase toda a obra desse compositor ousado e criativo. Criterioso mas sem nenhum preconceito. O La Posta se desfez, Guillo continuou ou como Guillo Espel ou como Guillo Espel Cuarteto. E como cuarteto veio ao Brasil, tocou em Porto Alegre, e naquele dia, não pude assisti-lo, o que me deixa até hoje um imenso vazio. Porém, ele, generoso, me fez chegar Salir al ruedo. E então pude mergulhar mais uma vez em composições e arranjos que possuem não apenas a marca de músico incansável mas sobretudo de um músico aberto ao que há de melhor na música. Guillo é também um descobridor de talentos e não esconde que por ele vários projetos se desenvolvem em favor da música argentina. É natural encontrar em seus discos composições de Lilián Saba, uma pianista soberba, Manolo Juarez, outro pianista maiúsculo, Ariel Ramirez, Nora Sarmória, Antônio Carlos Jobim, e outros tantos consagrados e novos, sem distinção alguma.

Guillo 2

Tem se mostrado ao longo dos anos com trabalhos sólidos cujos alicerces o conduzem a um lugar especial entre os nomes da música latino-americana. participou ativamente do disco, o último, de Antônio Agri, Agri x2, que teve a participação do violinista Pablo Agri. Guillo orquestrou “SP de Nada” e Carambón”, compostas por Agri e executadas pela Orquestra Sinfônica Nacional da Lituânia. Com Fernanda Morella lançou em 2014 Once Mujeres, e antes havia gravado, por exemplo, Hojas de Hierba e De Raiz Folklórica onde reafirma sua disposição para criar e recriar com originalidade e ousadia. Possui, também, talento para a escrita e são de sua autoria dois livros importantes: Escuchar y escribir música popular e Aquel outro folklore. Vá ao seu site e descubra um tesouro musical riquíssimo: http://www.guilloespel.com.ar .

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