Jean-Luc Ponty: The Best of The Pacific Jazz Years

Jean-Luc Ponty

Um violinista virtuose e elétrico no sentido pleno da palavra. Precursor na eletrificação do instrumento, Jean-Luc seguiu a trilha do jazz e da fusão do gênero com outros, como o rock. Estudioso de vários instrumentos, foi, no entanto, com o violino que seu nome encontrou ressonância. Tocar com sua grande influência – Stéphane Grappelli – foi uma passo gigantesco em sua carreira em ascensão. Agrupou-se com Frank Zappa, George Duke, tocou no Monterey Jazz Festival de 1967, criou o Jean-Luc Ponty Experience, andou bons anos com a Mahavishnu Orquestra, esteve com John McLaughlin, e acumulou experiências musicais que transformaram sua linguagem. Inquieto e criativo, mexeu com sintetizadores, gravou um disco histórico com Stanley Clarke, Al Di Meola – The Rite of Strings -, flertou com o pop (fez a sua leitura de “With a little help from my friends” dos Beatles), até que em 1991 fez Tchokola com músicos do oeste africano e ali ingressa em um novo estágio musical. Uma gama infinita de influências, outra gama genuína de criatividade fazem de Jean-Luc Ponty um instrumentista e criador além do seu tempo. Ouvi-lo é estar no futuro. E mergulhar para dentro de si mesmo.

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The Rite of Strings: Clarke, Ponty & Di Meola

The rite of strings

Sem medo de afirmar: um clássico. Três grandes e fantásticos instrumentistas e compositores que mantém umas espécie de união harmônica entre si e que juntos desenvolvem trabalhos conjuntos inesquecíveis na base do um dando suporte ao outro. The Rite of Strings é isso e muito mais. Ainda que o tempo verbal do texto aponte para o presente, o disco foi gravado nos anos 90 e no entanto parece exatamente ser um lançamento 2015. O baixista Stanley Clarke e o guitarrista/violonista Al Di Meola j´haviam se encontrado na lendária Return to Forever. Jean-Luc Ponty, violino elétrico, além dos trabalhos solo, também participava desses encontros e com John McLaughlin e outros mais da mesma linha. Uma corrente elétrica que funde as estruturas musicais desses músicos quando juntos. E o resultado são discos cuja audição, para cada um deles, é mais ou menos do tipo “pare tudo e ouça”, sem exagero algum. Um repertório de nove canções que faz verdadeira fusão de estilos e gêneros mais para o jazz contemporâneo, que mostra a integridade de artistas em consonância com as suas propostas musicais. A musicalidade e as improvisações se complementam, formam um todo uníssono e irradia criatividade em cada compasso. As escolhas são perfeitas e feitas sob medida para eles executarem com talento e emoção cada faixa. O destaque: repito, todas. Um disco essencial e digno de estar em qualquer lista que se faça sobre os melhores, ou no já famoso 1001 discos para ouvir antes de morrer. (Para ser sincero, não lembro se o autor listou o The Rite, mas se não fez, faça você, sem medo algum).

John McLaughlin: Remember Shakti

remember

O guitarrista inglês de Yorkshire, pouco mais de 70 anos, tocou com Miles Davis. Credencial para poucos. E logo outras credenciais foram chegando que mais pareciam a formação de um clube cuja única exigência para frequentá-lo era apenas uma: qualidade. Alguns dos seus membros: Paco De Lucia, Al Di Meola, Chick Corea, Carlos Santana, Stanley Clarke, o lendário baterista Billy Cobham, o inesquecível baixista Jack Bruce. Apenas alguns dos membros desse seleto e criativo “clube”. Logo após dissolver a elétrica e revolucionária Mahavishnu Orchestra,  que teve entre seus membros o violinista Jean-Luc Ponty, criou a acústica Shakti, que incursionou pelos elementos da fusão, em especial do jazz com a música indiana e não deixou de fora o jazz-rock. Essa integração de gêneros foi tamanha que mesmo depois de passar para outros projetos, McLaughlin, que sempre revelou ser dono de uma técnica exuberante além de ser um guitarrista perceptivo, veloz e preciso, refez os mesmos caminhos em Remember Shakti, álbum de irresistível capacidade de união entre os seus integrantes. Juntar dois polos tão distantes entre si, como a cultura ocidental com a da Índia resultou em um disco emocionante. John, Zakir Hussain, TH Vikku Vinayakram e Hariprasad Chausaria saíram para fora dos padrões tradicionais das culturas e souberam com suas sensibilidades fazer das rítmicas e alternâncias harmônicas fazer um trabalho comovente, humano e místico através de composições originais. O álbum duplo traz canções de mais de uma hora de duração, não passa de cinco faixas e encanta. Dizer mais o quê? Escutem, por favor e conheçam um pouco mais o que a vida oferece de talento e interioridade.