Ídolo portenho Jorge Ricardo vence Pellegrini 2014

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A tarde ensolarada em San Isidro pouco antes de as luzes artificiais tomarem conta cedeu lugar a uma chuva suave com todo o jeito e charme que vem com o verão. A grama da raia em nada sentiu o choque da água em seu corpo verde. E no partidor dos 2400 metros do Grande Prêmio Carlos Pellegrini estavam todos os vinte e um competidores alinhados para a disputa. E foi um grande páreo. E nele, o sanguíneo Jorge Ricardo foi ao extremo em sua técnica como jóquei para levar Ídolo Porteño ao disco final com vantagem sobre Soy Carambolo e Must Go On, segundo e terceiro pela ordem.

Com essa vitória, Ricardo, que havia vencido em setembro no Hipódromo do Cristal em Porto Alegre o duelo contra o norte-americano Russell Baze, montando Rei do Tango, parece que decidiu não deixar dúvida quanto aos lados do Prata em sua vida. No Pellegrini é Ídolo Porteño o nome do cavalo que conduziu. Cristal e San Isidro formam uma bela dupla e marca Jorge Ricardo cada vez mais entre os maiores pilotos de cavalos de corrida do mundo. É, o tango definitivamente cai bem melhor em Ricardo, por muito mais que uma cabeça.

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Na foto acima, Ricardo e Mário Rozano quando do Desafio com Baze, em setembro passado. Aguardem para logo mais no De Turfe Um Pouco, Los Pingos de Todos e Todo a Ganador matérias e análises completas sobre a reunião de hoje em San Isidro, que culminou com o GP Carlos Pellegrini.

ASSISTA ABAIXO O GRANDE PRÊMIO:

https://www.youtube.com/watch?v=kYXDj7b0X50

 

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Gracias, amigos Los Pingos

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Sexta-feira, 26 próximo, será o quinto mês da partida do meu pai. Ainda difícil de caminhar tanta a falta que faz. Por isso, relutei muito em ir ao Desafio entre Jorge Ricardo e Russell Baze, na foto acima antes do início das corridas e à disposição da imprensa. Voltar ao Hipódromo do Cristal pela primeira vez depois de o pai partir era ( e foi ) um peso que imaginava não suportar. Vitórias e derrotas, alegrias e tristezas ali foram compartidas entre nós, mais especialmente em seus últimos anos como treinador e que acompanhei passo a passo. Longas conversas, histórias, técnicas, táticas, treinamentos, como chega o cavalo nos últimos 400 metros, detalhes que fazem ou podem fazer toda a diferença em uma disputa ou na próxima. Depois, ele já aposentado, estivemos em San Isidro, Palermo, Maroñas, e cada um desses momentos foram especiais e sobretudo de ensinamentos. Assistimos ao GP Martinez de Hoz de 2005, vencido por Don Incauto, secundado por Latency, cujo nome no turfe platino é história. Lembro que o “viejo” Rossano disse após a vitória do filho de Roy e Inspiration: ” Quero esse para ganhar o Bento.” E alegre sorriu, sonhador e com ele também sonhei em vencer o Bento Gonçalves daquele ano. Ficamos apenas no sonho. Todas essas lembranças se ergueram com os fortes alicerces da saudade e havia decidido não ir. Meu irmão Mario, e os amigos Marcelo Fébula, com quem já havia conversado sobre música em uma de suas vindas a Porto Alegre, e Pablo Gallo, esse ainda não apresentado a mim, nos encontramos em um café no centro da cidade e em meio a charla decidi que iria. Na verdade, estava pronto, vestido a rigor, equipamento à mão e decidido com o não. Com eles, me senti mais à vontade. Ao grupo, mais atrde se incorporou Marco Antônio de Oliveira. Outra grande pessoa que faz com que o tempo flua com extrema naturalidade. E a decisão foi, claro, a de ir junto.

Por óbvio, no Cristal o oceano da ausência se fez imenso. Foi muito complicado ficar e conversar e fotografar. Não fiz um bom trabalho como jornalista, e pouco adiantou tudo o que o “Viejo” me ensinou. Ali estava o filho, não o profissional. Mas, fui fotografando, prestando a atenção em algumas coisas, olhando o público, identificando amigos, pessoas, e a tarde passou, se transformou em noite. E cada um seguiu seu caminho.

A maioria das fotos ficou abaixo da qualidade mínima de um profissional. E como escrever sobre um tema que para mim esteve sempre presente em minha vida e ao mesmo tempo não foi a área em que trabalhei.  Então, pedi socorro às áreas que conheço: música, literatura. E a ideia veio. A música de Belchior, tango, blues, e por aí decidi seguir. Fiz o texto, observando um e outro detalhe a mais ou a menos, a importância só pode ser conferida pelos turfistas, e aproveitei algumas das fotos que estavam pelo menos aceitáveis.

Para minha surpresa, o texto foi traduzido pelo Marcelo para o espanhol e aceito pelo Gustavo “Lopecito” Lopez do site Los Pingos de Todos, dos mais importantes de toda a América sobre o turfe. E, além da surpresa de ser publicado nos Pingos, uma outra me fez voltar no tempo e abraçar meu pai: uma foto em que estamos juntos em San Isidro. Mais uma vez, deixei de ser jornalista e o abracei com a saudade do filho que gostaria de ter Don Incauto em nosso maior Grande Prêmio.

Ao Marcelo, ao Gustavo “Lopecito”, mais que o meu muito obrigado, toda a minha emoção e toda a minha alegria por poder estar com meu pai outra vez, oportunizado pela sensibilidade de vocês. O meu mais profundo abraço.

Acessem http://www.lospingos.com.ar e estejam em dia com o turfe.

Foto: Chronosfer