Roger McGuinn & Gene Clark além dos The Byrds

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Em qualquer lista que se faça dos maiores do mundo em todos os tempos o nome dos Byrds está presente. Com justiça. Roger Guinn, Gene Clark, David Crosby e Chris Hilman possuíam uma alquimia única e transformadora inclusive dando às canções de Bob Dylan novas nuances. Inovadores, quando cada um ao seguir o seu caminho não conseguiram repetir o mesmo encantamento quando juntos. Se Crosby foi para o antológico Crosby, Stills, Nash & Young, McGuinn tocou com outros tantos e fez trabalhos solos apenas razoáveis, Hilman vez por outra aparecia com os outros dois como trio ou dupla com Roger, e Clark fez alguns discos geniais. Entre eles, No Other de 1974, cuja criatividade estava na pele do músico. Assim como White Light, este de pouco antes, 1971. Clark possuía um magnetismo próprio dos solitários e passava isso em suas performances. Já havia mencionado isso aqui em posts mais lá atrás, e em sua genialidade conseguiu criar um estilo e uma estética onde o acústico foi o caminho natural. Algumas canções com Roger e com os Byrds ou solo sempre são bem-vindas. Aproveitem sua sensibilidade.

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Roger McGuinn, o mago dos Byrds

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Roger MCGuinn, nascido James, depois Jim e finalmente Roger, sempre esteve à frente do seu tempo. O filho de Chicago trouxe à música a eletrificação, por exemplo, das canções acústicas de Bob Dylan e Pete Seeger. Com o The Byrds mexeu com estruturas que permaneciam latentes e avançou tanto nos vocais quanto nos arranjos ousados. Um grupo formado por Roger, Gene Clark, David Crosby, Chris Hillman e Michael Clarke jamais passaria em branco em um cenário onde já despontavam Beatles, Rolling Stones, Kinks, Yardbirds e já apareciam logo após Bee Gees, Cream, Pink Floyd e a lista aumentava a cada mês naqueles tempos. Isso é 1965, cinquenta anos atrás.  Arrisco a afirmar que os Byrds foram o embrião melhor acabado do que seria os acústicos Crosby, Stills, Nash & Young. Acompanhem as linhas de ambos, as harmonias, os vocais. Há um universo de semelhanças que a magia de McGuinn, que não participou do CSN&Y, parece estar presente e teve em Crosby o seu representante, ainda que David sempre teve personalidade própria. Como poucos souberam lidar com os gêneros: folk, country e o rock. Como poucos abriram espaços generosos para os que vinham e também para os que já estavam.  Roger McGuinn foi (é) um mago. Da sua guitarra e vocais a doçura de tempos ásperos. De tempos de transformações que receberam das texturas dos Byrds um sentido novo e de esperança. A lamentar que não foram adiante. Se dispersaram, seguiram outros caminhos, alguns partiram, e a vida seguiu. Outro dia assisti a um filme chamado The song onde Alan Powell é um compositor e cantor folk/country que a tantas do enredo canta Turn! Turn! Turn!, canção preferida da sua esposa. Nos créditos finais, ao fundo a mesma música é interpretada por Roger McGuinn e Emmylou Harris. A magia dos Byrds e de Roger. Hoje, passadas cinco décadas, não olho pelo espelho para ver o que está lá atrás, mas não posso negar que aqueles anos são a essência de um tempo que ainda tem que ser melhor compreendido ou talvez ainda deva ser vivido sem ser passado.

Gene Clark, um Byrd solitário

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É possível até hoje ouvir que os Byrds eram Roger McGuinn e David Crosby, mais o baixo de Chris Hillman. Engana-se quem pensa assim. O grande mentor do grupo foi Gene Clark. Nascido Harold Eugene Clark em 1944, aos vinte anos encontrou o então James ou Jim McGuinn (e depois Roger, em definitivo) para formar o The Byrds, que, sem dúvida, revolucionou a folk music dando a ela psicodelismo e eletricidade. Para Hillman, Clark era a alma e a síntese da banda. Ele e suas composições foram guias em uma década inesquecível em todos os níveis da arte, em especial a música. E é exatamente no período de 1964/66 que os Byrds experimentam sua melhor fase. Com Gene Clark. Desentendimentos o afastam, e começa a peregrinar aqui e ali, formando duplas, retomando os Byrds, outros grupos, trio (McGuinn, Clark & Hillmann – 79), discos solos. Em geral, pouco sucesso, muito fracasso. Sua guitarra ritmo, que ao tempo dos Byrds passara a Crosby em troca do pandeiro e harmônica, compôs belas canções country-folk- rock distantes da repercussão comercial desejada, embora o reconhecimento da crítica. E então a história se torna recorrente: álcool e drogas entram em sua vida. Passa por períodos melhores, outros piores, se aproxima do guitarrista Jesse Ed Davis, realizam trabalhos juntos, e depois cada um segue seu caminho. Interessante que Davis é encontrado nos créditos de vários e extraordinários músicos como George Harrison, John Lennon, Eric Clapton entre tantos. Até que aos 46 anos, em 1991, a morte o encontra. Deixou um legado fantástico, vários trabalhos significativos e sobretudo por ser (a obra é perene, fala-se no presente) um compositor instigante e coerente com sua trajetória e jeito de ser.

Um depoimento bem pessoal: tenho um cd surpreendente chamado Live at The Old Vienna Kaffehaus de 1988. Ali, está um músico atormentado, solitário, um violão riscando a tristeza em repertório em que há muito de Bob Dylan e Byrds, mas há a alma de Gene Clark sendo aberta. Um disco por tudo, maravilhoso e a sonoridade acústica fascina e a voz é doce e envolvente.

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www.youtube.com/watch?v=x901yPr6pP8

www.youtube.com/watch?v=HSIYFqeEacQ

www.youtube.com/watch?v=j5ruo6h6AGk

Fotos: http://fanart.tv e http://www.furious.com, pela ordem.