Carlos Moscardini: Um guitarrista e compositor essencial – Por Marcelo Fébula

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Nasceu em Temperley, província de Buenos Aires, em 1959.

Estudou música no Conservatório Provincial “Julian Aguirre” da localidade de Banfield, onde seu professora foi Dinah Galvan.

Trabalhou com artistas renomados da música popular Argentina, fazendo gravações e atuando em teatro, rádio e televisão.

Gravou como solista o “El Corazón Manda” (1997, “Buenos Aires de Raíz” (2005) y “Silencios del Suburbio” (2012) para o selo Epsa Music da Argentina, “Horizonte Infinito” (2009) para Winter & Winter da Alemania, e também “Maldita Huella (2008) para Epsa, trabalho em dúo con a cantora Luciana Jury, além de numerosas participações em outras gravações.

Apresentou-se em mais de 20 países participando de festivais de guitarra como júri em competições nacionais e internacionais, e conduziu cursos de aperfeiçoamento em instituições da Argentina e Europa.

Hoje suas obras são uma referência para a nova música argentina para violão e são incluídas nos currículos de conservatórios de Argentina e Europa.

É membro do Fondo Nacional de las Artes e professor titular nos conservatórios “Gilardo Gilardi” de La Plata e “Manuel de Falla” de Buenos Aires, onde fundou a Carreira de Folclore e Tango.

As suas obras foram publicadas pelas EPSA Publishing, Warner Chappell e Edições Delatour (França).

Compartilhou festivais e cenas com figuras da guitarra internacional como David Russell, Stephan Rak, Yamandú Costa, Carlos Barbosa Lima, Roberto Aussel, Juan Falú, Jorge Cardoso, Ricardo Moyano, Berta Rojas, Helena Papandeou e Dale Kavanagh, entre muitos outros.

Participou do “Montreal International Jazz Festival” com o grupo NAN, e excursionou cobrindo mais de 40 cidades no Japão participando como solista no show “A História do Tango”.

Realizou concertos no “Smithsonian Museum” de Washington, no “Salão Bolívar” de Londres, no “Instituto Cervantes” de Munich,  na “Casa-Museu General San Martin” de Boulogne Sur Mer, e muitos outros salões do mundo.

Tem dado seminários e master classes em várias instituições da Argentina, na “Royal Danish Academy of Music” de Dinamarca, no “Royal Conservatorium” de Bélgica, no “Norges Musikkhögskole” de Noruega, na “La maison de L’Amerique Latine de Paris” de França, entre outras instituições da Europa.

Sua obra “Buenos Aires de Raíz” foi declarada de interesse cultural pelo governo provincial da província de Buenos Aires.

Foi reconhecido no Brasil pelo Ministério da Cultura de Porto Alegre em 2010, com o prêmio Açorianos 2010 ao “Melhor instrumentista” por sua colaboração no cd “Delibab” do Vitor Ramil, onde também acompanhou ao Caetano Veloso, que participou como convidado.

Integra com Juan Falu a lista de compositores da “Concours International de Guitare de la Ville d`Antony” de França, juntamente com Leo Brouwer, Roland Dyens, entre outros.

 (Informações do site de Epsapublishing)

 “Somos muitos os guitarristas que regamos nas obras dos grandes mestres quando chega a hora de ter um repertório. Mas, em relação, são muito poucos aqueles músicos que com suas próprias obras são capazes de fazer mais profundo o caminho que esses mestres deixaram, de levar a bandeira um pouco mais para frente.

Carlos Moscardini é um deles. Com sua notável obra de compositor (afortunadamente já conhecida no mundo), mas também como mestre e fenomenal intérprete do violão, está continuando o legado dos grandes nomes da história da música argentina.”

Marcelo Fébula

Foto: http://www.elintruso.com

                                                                 

 

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Turfe: Das cocheiras do Stud Mário Rossano: Mário Rossano e Irineo Leguisamo

Rio Volga 1

Hoje, mais um mês no ano completado desde a partida do meu pai. E, mais uma pequena passagem de sua vida como jóquei aqui.

Irineo Leguisamo foi um dos maiores, para muitos o maior, jóquei da América do Sul. Nascido no Uruguai, foi muito cedo para as pistas de Palermo, em Buenos Aires. Antes, o filho de Salto, onde iniciou sua carreira, montou cavalos no “prado” de Uruguaiana, em fins da década de 1910. Logo depois, cumpriu ainda jovem o percurso dos “prados” do interior uruguaio para chegar à Argentina já nos anos vinte e em 22 conquistar sua primeira vitória no tradicional hipódromo. Amigo de Carlos Gardel, que fez tango em sua homenagem, venceu todos os maiores grandes prêmios do continente. Até encerrar sua atividade aos setenta anos. Um exemplo e um mestre. Em novembro de 1962 esteve em Porto Alegre. Veio montar Vizcaíno na maior prova na pista de areia do Brasil, o GP Bento Gonçalves no Hipódromo do Cristal no Rio Grande do Sul. Venceu. Nos dias que antecederam a corrida, Mário Rossano e Irineo Leguisamo tornaram-se amigos. A imprensa local registrou.

Legui e Rossano

“Rossano e Legui tornaram-se grandes amigos. O jóquei local diz que inclusive mandará um presente ao jóquei uruguaio, em sua opinião um “fenômeno”. Mário Rossano foi cumprimentado por Irineo Leguisamo após sua vitória com Mar Báltico. “Foi precisa sua direção”, comentou El Maestro, que fez grande amizade com profissionais locais. Rossano comentava ontem que o temperamento jovial de Lequisamo surpreendeu a todos, inclusive distribuindo alguns “talaços amistosos”, mas um pouco fortes, em todos que passavam à sua frente, disse Mário Rossano. O jóquei rio-grandinho prometeu inclusive enviar uma barbatana ao piloto oriental.” Última Hora, 13 de novembro de 1962.

A sequência da página do livro Dá-lhe Rossano traz pequena nota, com fotografia, do Turf no Sul, da vitória elogiada por Leguisamo. 1962….o tempo corre demasiado em relação às minhas lembranças. Nem o mais veloz dos puro-sangues pode alcançar esse ano dentro de mim. O pai falava muito desse encontro, o fez um homem feliz. Perto de sua partida, conversamos sobre a amizade entre eles e perguntei se havia mandado o presente. A resposta foi típica do “Viejo” Rossano”: “Mas, é claro.” Lembro de Mar Báltico, o esperei em uma de suas vitórias, mas não lembro de Leguisamo em Porto Alegre. Ou apenas é uma passagem que vai se apagando em minha cansada memória. 1962! Eu era apenas um narrador de corridas de bolinhas de gude debaixo da mesa em nossa casa.

O José Alberto Souza é um grande amigo. Um memorialista (http://poetadasaguasdoces.blogspot.com). Sempre vem com alguma surpresa. Desta vez, me enviou um e-mail com esse tango da Ucrânia anexado, perguntando: “O que diria o velho Mário?”. Posso te dizer, José Alberto, ele escutaria, diria que não é Gardel, mas celebraria com uma taça de tinto, abrindo o seu sorriso, como se estivesse cruzando mais uma vez a linha de chegada de uma corrida.

Matéria do livro Dá-lhe Rossano – 25 anos sobre as patas dos cavalos, editado por Mário Rozano.