Espanha, Argentina e México: Raíz

raiz

Encontros são comuns entre artistas. Nem sempre há “química” entre eles. Alguns grupos funcionam bem como grupos. Solos, cada artista pode se dispersar e não produzir o que se espera. Não é regra, apenas um pensamento que vai sendo escrito ao natural enquanto no player desliza o Raíz com a mexicana Lila Downs, a espanhola Niña Pastori e a argentina Soledad Pastorutti. É de 2014, chega aqui com algum atraso. E com marcas que não deixam dúvidas: indicações ao Grammy como melhor disco de folclore e disco do ano. Levou o de melhor na categoria folclore. este 2015 se apresenta como indicado como melhor álbum pop latino. Não é pouca coisa mesmo. O que importa, na verdade, é a razão de o encontro acontecer. Através dos pontos comuns em culturas aparentemente distintas porém com raízes, para exagerar mais um pouco, muito semelhantes, as três cantoras se aproximaram da raiz musical espanhola. Um repertório clássico de cada país de origem, e a história começou a ser contada. As 16 canções do disco comporta as respectivas identidades como se todas elas fossem uma única identidade, preservando suas origens. e para validar a proposta, a busca do passado musical encontrou o presente. Sonoridades que não se afastaram entre elas, entre si e entre o público. “La raíz de mi tierra” foi o primeiro passo, e funcionou bem. Foi o sinal de que as harmonias espanholas, mexicanas e argentinas mais que pontos comuns possuem a generosidade da integração. O destaque fica para o tango “El día que me quieras”, “Sodade” e poderia ficar listando outras canções. O disco é um documento valioso pelo que apresenta e pelo que propõe. A “química”? Bom, deixo para quem escutar Raíz decidir.

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Nigéria, tradição e cultura com o Grupo Ìbejì

Ibeji

Mais que sabido e conhecido, os ritmos e sonoridades e cantos africanos nos conduzes por caminhos infinitos. Na África, a vida musical é muito mais que horizonte, é essência. É oxigênio. É preservação. É fonte inesgotável. Não por acaso muitos dos ídolos e talentos do rock – para ficar apenas no rock – bebem dessa fonte. E bebem em águas profundas. Revitalizam suas cordas e seus acordes. Seus cantos. Suas danças. O fino tecido que cobre a natureza da vida está ali. Vivo.
O Grupo Ìbejì chega com o cd Ìtàn òrun àti ilé ayé. Não é um disco comum. Não é um disco que você irá encontrar a veia comercial abrindo fendas. Longe disso. Expressa a cultura, os ritmos, as danças e o drama da cultura Yorùbá. O percussionista e dançarino nigeriano Ìdòwú Akínrúlí é o grande comandante dessa travessia. Funde essas expressões tão profundamente africanas com um quê de cultura ocidental, sem perder um único milímetro da estética e da alma do seu continente. Para além da cultura do povo Yorùbá, abraça vários dos seus elementos históricos, da religiosidade, da arte e da língua. O resultado é um álbum uniforme em sua proposta e execução. É uma expressão que se universaliza como matriz dessa cultura em solo brasileiro. E em seus fundamentos a razão da sua ancestralidade, da sua identidade serem preservadas quando os tambores falam e contam suas histórias. Mais que um disco, um manifesto. Um infinito de almas que se encontram e formam outras tantas almas. Pura vida e emoção. Visite o site http://www.iluakin.com.br/ibeji para saber mais, para participar do projeto, para preservar também sua própria identidade. Que bom que vocês existem Grupo Ìbejì.

A foto foi capturada no site do Grupo Ìbejì.