Xangai & Quinteto da Paraíba: Brasileirança

xangai

“Um cantor de voz agreste, com recursos intermináveis. Um quinteto de cordas apaixonado pela música popular, formado por virtuosos. Xangai e Quinteto da Paraíba. Intuição e academicismo. Sertão e universidade. Em torno deles percussão e rabeca, o supremo ritual da música que se faz decodificação do belo e importante. O fogo na consciência da mídia eletrônica. A música que desmascara os preconceituosos e lhes oferece arte contra teorias banais. ….. Ouvir Xangai e Quinteto da Paraíba é dizer não ao massacre da nossa cultura. Não a um sistema que segrega negros, pobres, índios, sem-terra, crianças órfãos e anciãos abandonados. Não ao açoite da insensibilidade. Não aos morros e favelas, estes navios negreiros da contemporaneidade. A música tem esse poder. Nos deixa indignados com as injustiças e, indignação é o mínimo que um brasileiro de bem pode sentir diante do quadro político-social que se nos apresenta. Amém.”

Partes do texto do encarte do disco Brasileirança, de Xangai e Quinteto da Paraíba, escrito pelo crítico e produtor Ricardo Anísio, em 2001.

Armorial & Piazzolla: Quinteto da Paraíba

armorial

Síntese do encontro entre o popular e o erudito, o Quinteto da Paraíba desde fins dos anos oitenta entrelaça os gêneros com tamanha naturalidade que sua sonoridade é como um arco-íris. A essência da música de câmera se completa com o instinto de cada instrumentista quando coloca à mesa as harmonias germinadas nos campos populares do nordeste brasileiro, em particular da Paraíba. Os seus efeitos são instantâneos tanto quanto a poesia que flui nos cordéis do passado e quem sabe ainda do presente, histórias que jamais se acabam. Um voo sucessivo em direção aos matizes do que produz as mais variadas fontes da composição musical, nada se perde na colheita farta da criatividade e do improviso. Mas, é no preparo dessa terra fértil que os arranjos ganham dimensão e maturidade – escutem os tangos de Piazzolla. E então percebemos, nós que os escutamos, que essas sementes são matéria e espírito e se entram em contato imediato com o público (nós), sem necessitar de uma única palavra. Apenas a música. Somente ela a nos enfeitiçar e a nos fazer sentir um universo esverdeado de vida e mais vida sendo a cada instante sendo gerada nas recriações de Clóvis Pereira, Capiba, AC Nóbrega, AJ Madureira e o mestre Astor Piazzolla sob o olhar intenso e suave e intrigante do sempre presente Ariano Suassuna, cuja saudade é também semente.