Allen Toussaint: *1938 +2015

Allen

Partir é um verbo doloroso. Quase sempre. E quando a partida é assim, feita pelo de repente que todos nós sabemos um dia será realidade, a dor se abre como uma ferida cuja cicatriz talvez o futuro não cure. Allen Toussaint partiu poucos dias atrás. Mais que um pianista extraordinário, um ser humano com letras maiúsculas. Dono de obra impossível de ser catalogada ou rotulada face ao talento com que os teclados amaciavam sua sensibilidade. Manteve aceso o rhythm´n´blues, o soul, o verdadeiro funk, não o que se vende por aí, estreitou sua musicalidade com os mais diversos nomes ´sem diferenciar gêneros. Universal. Uma alma feita de tecidos harmônicos densos, e cuja intensidade a pele arrepia a cada acorde. Pete Townshend, Paul McCartney, Rolling Stones, Albert King, Dr. John, Eric Clapton. Quem mais? Um disco genial com Elvis Costello: The River in Reverse. Sua percepção para além das intricadas harmonias o tornaram um compositor, cantor, arranjador, produtor único. Daqueles que está à frente sempre. Allen partiu. Levou junto parte expressiva de New Orleans. Mas, a cidade e sua gente, como todos nós, estaremos reverenciando o talento de Toussaint toda a vez que o seu piano cobrir cada espaço que existe dentro de nossa alma.

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The Who: Live at Leeds

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A eletricidade do The Who sempre foi única. Pete Townshend, Roger Daltrey, John Entwistle e Keith Moon formaram um quarteto para muito além daqueles anos sessenta. Suas apresentações ao vivo eram verdadeiras celebrações e é inesquecível sua participação no documentário sobre Woodstock, com Daltrey simplesmente extraordinário no vocal e toda uma rítmica comandada pelo baixo de John, com a força de Moon e a inquietude de uma guitarra exuberante de Pete. O Who foi uma banda ao vivo, seus álbuns de estúdio ficaram passos atrás, não que fossem fracos ou ruins, não, absolutamente não, apenas não reproduziam suas performances que se tornaram lendárias. Live at Leeds tem peças diversas, a começar por Tommy, e outras passagens de sua carreira e seus clássicos. Puro rock´n´roll. Nele, pérolas como “Young Man´s Blues”, e a poderosa e eterna “My generation”.  Se pararmos um pouco e Leeds chegar com toda a sua força vamos concluir que o heavy no rock passa pelo The Who. Ou começa com ele. Um disco indispensável, vibrante e marca definitivamente uma época para quem a viveu e para quem não conhece a oportunidade de vive-la em pouca mais de duas alucinantes horas. Vale cada segundo.

Foto: capturada no http://www.nomundogrove.com.br