George Harrison. Bob Dylan, Simone Capeto, León Gieco y Lolita Torres

Hoje, após ontem ser o dia do rock, apenas músicas. Daquelas que nos deixam envolvidos e em paz.

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Estrella Morente: Amar en Paz

estrellaAmarenPaz

Uma proposta muito simples: repertório de músicas brasileiras na voz de Estrella Morente e com o violão de Niño Josele tecendo as teias harmônicas. Uma reunião de flamenco com música popular brasileira não soa tão original tampouco tão frágil como possa parecer a alguns críticos. O sonho de Fernando Trueba, o idealizador e tudo o mais da obra, se uniu a outros já realizados por ele, tanto com Estrella quanto com Josele na homenagem a Bill Evans. Foi quando a cantora gravou Francis Hime e enfim pisou o chão do Brasil. A Espanha tem muito a ver com nossas terras. Sua influência em nossa cultura é definitiva, e ao longo dos anos tem-se mostrado fértil. E não apenas por aqui, se não em toda América. É comum encontrar Diego El Cigala, por exemplo, na Argentina, gravando tangos. E o flamenco é um gênero que envolve quem com ele se relaciona. É impossível ficar em silêncio absoluto. Amar em Paz não é, no entanto, um disco de flamenco. É música brasileira vertida para o espanhol sob o comando do talento de Estrella. Um apanhado musical que vai cortando os anos e trajetórias, começando por Antônio Carlos Jobim/Vinicius de Moraes, Radamés Gnattali, Pixinguinha/João de Barro, Francis Hime/Chico Buarque, Milton Nascimento/Fernando Brant, Dolores Duran, Paulinho da Viola, Álvaro Nunes/Otavio de Sousa. Um leque de décadas e gêneros que os acordes do violão de Niño suaviza. Culturas e leituras que se encontram. Sem medo de se assumirem. Quem sabe mais desses encontros que um lê o outro através das águas dos oceanos não possa trazer como o título do álbum – Amar em Paz – justamente a paz que tanto desejamos entre todas as gentes do mundo. Seja esse disco neste post uma declaração de tolerância, de compreensão, de humanismo, de paz diante dos acontecimentos de ontem.

Silvio Rodriguez & Pablo Milanes: música para além da pele

Alguns discos habitam o meu imaginário. Para sempre. Ainda que mais tarde possa tê-los em mãos, continuam criando em mim muitos sentimentos. Silvio Rodriguez & Pablo Milanes En Vivo En Argentina é um deles. Gravado no Estádio de Obras Sanitárias em abril de 1984, três décadas para trás, nunca o encontrei no Brasil. Não sei sequer se foi lançado aqui. Amigos comuns no gosto pela música latino-americana me passaram um “cassete” de um dos discos – é um álbum duplo. E desde então iniciei a “caça” ao En Vivo dos cubanos. Tantas idas a Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Bolívia, Paraguai resultaram em fracasso. É bem verdade que descobri algumas pérolas da linguagem musical da nossa América, mas o disco dos dois dos maiores cantores cubanos nada feito. Confesso que havia desistido e me conformado com o cassete guardado e não transformado em cd pela tecnologia. Até que ano passado estive em Colônia de Sacramento, às margens do Prata, e vendo do outro lado, com certo exagero, Buenos Aires. Em Colônia, entrei em uma livraria em busca do livro Las cartas que no llegaron do Mauricio Rosencof, recomendado em artigo escrito em Zero Hora pela escritora Letícia Wierzchowski em outubro de 2011 e que guardara. Levei comigo uma cópia do texto, e ao entrar em uma livraria da pequena e belíssima cidade uruguaia, que um dia foi nossa, não apenas encontrei o livro como em um canto quase escondido estava o cd duplo dos filhos da ilha caribenha. Fiquei confuso e a alegria do encontro chegou com um silêncio que me fez tremer o corpo todo. Depois da euforia, comprei ambos e guardei na bagagem. Porto Alegre em breve estaria em meu cotidiano outra vez e deixei para ler e escutar em casa. Assim foi. Assim é. Do livro, houve desdobramentos. Letícia fez para a Record uma alentada e sensível tradução. Tenho os dois e em algum momento estarão em Chronosfer. O disco, foi para o Ipod e é companhia obrigatória. Não todos os dias, claro, mas está presente.

Cubanos

A Argentina recém havia saído de um dos seus períodos mais duros, de uma ditadura militar ferrenha, e o show dos cantores possui um grande sentido simbólico à época em que foi realizado e em especial aos momentos atuais, em que a aproximação entre Cuba e Estados Unidos quebram, enfim, o gelo de décadas e abre novas perspectivas em suas relações.
Os representantes da Nueva Trova Cubana, já conhecidos em nossas terras, desfilam um repertório maiúsculo e convidaram músicos argentinos a dividirem o palco. Junto com Eduardo Ramos, Frank Bejerano e Jorge Aragon, Leon Gieco, Piero, Victor Heredia, César Isella, Cuarteto Zupay e Antônio Tarragó Ros abraçaram cada canção com o sentimento de unidade latina. Estão presentes “Todavia Cantamos”, “Unicornio” “Ojala” “Yo pisare las calles nuevamente”, “Años” “Carito” “La vida y la libertad”, “Pobre del cantor” e “Cancion com todos”. Um disco sim para se guardar do lado esquerdo do peito. Um disco amigo. Um disco que lança a semente da esperança e da paz, que tanto necessitamos.

Por alguns dias, férias

Cambará

De hoje até a próxima segunda-feira, estarei na Serra gaúcha. Um pouco de descanso, fugir do calor demasiado da capital, o sossego do verde e das trilhas. Apenas descansar. E desejar que todos os movimentos que se fazem desde ontem a partir da França seja apenas o movimento da paz, da compreensão, da tolerância, do discernimento entre todos nós sem nenhuma exceção. Possamos todos caminhar juntos. Até o 20 de janeiro. Abraço a todos.

Foto: Fernando Rozano. Cambará do Sul.

Honrar a vida

A todos que aqui aportam, aos que ainda não conhecem esse pequeno cais de palavras, sem exceção, neste dia de simbolismos e realidades, o desejo de Chronosfer de felicidade e paz a todas as pessoas de todos os cantos e lugares possíveis e imagináveis e inimagináveis e que possamos exercer em nossos cotidianos a solidariedade, a tolerância, o discernimento, a consciência e a sensibilidade em favor da Humanidade, repito, sem exceções, sem nenhuma espécie de fronteira.

www.youtube.com/watch?v=Mwb-bPADZjg

(Lito Vitale ao piano e Sandra Mihanovich na voz: Honrar la vida)

2014, a barbárie derrota a civilidade

As capas de jornais, sites, matérias veiculadas no mundo inteiro chocam. Fragmentam nossos raros indícios de seres humanos. O coração é espremido e a alma parece flutuar em direção alguma. O massacre no Paquistão não possui uma única sequer justificativa. Uma perda que seja, é uma tragédia, seja de que lado for. Centenas sacrificados é barbárie. O atentado em Peshawar por milicianos do grupo Movimento Talibã do Paquistão (TTP, em pashtu) teve objetivo firmado: vingar vítimas do exército em áreas tribais. A cada ano as guerras se sucedem. Atentados se tornam rotina. Não é exclusividade do Paquistão. As listas de ataques a inocentes civis aumenta a cada instante. Em pleno século XXI, atos como o que testemunhamos com os avanços da tecnologia – os mesmos avanços utilizados para o genocídio – prova e comprova os tantos passos atrás que a humanidade está dando. A morte, tragédia repito, está a cada dia mais banalizada, como se fosse um bem incorporado à vida. É certo que um dia chegará, que chegue em paz. Que não seja consequência de alvos por questões étnicas e religiosas, por ódio.

Em 1999, o compositor Jonathan Elias criou The Prayer Cicle, um álbum orquestral e com coros dividida em nove movimentos. Variações contemporâneas, deram sopros de esperança e fé na humanidade. As línguas cantadas foram em húngaro, hebraico, latim, suaíli, tibetano, urdu, mali, espanhol, alemão, francês, italiano e inglês. Foram escalados nomes como Alanis Morissete, James Taylor, Gustavo Santaolalla, Nusrat Fateh Ali Khan, Salif Keita, Ofra Haza, entre tantos que abraçaram a causa de Elias.

Prayer_Cycle

Com o The American Boychoir e a The English Chamber Orchestra & Chorus, condução de Lawrence Schwartz, o encarte traz fotos da guerra da Bósnia-Herzegovina, os conflitos de Sarajevo, o dilaceramento da Iuguslávia. Cada movimento é dedicado a uma expressão espiritual diferente. Há o comprometimento dos artistas com a vida, com a paz, com a tolerância, o respeito às diferenças. É uma declaração profunda para a aproximação intercultural, étnica e religiosa.

The Prayer Cicle a todos. Sem exceção, para que que a civilidade vença a barbárie. Ainda há tempo.

www.youtube.com/watch?v=EAK5xe3woAQ

www.youtube.com/watch?v=AXELBsw1xak

www.youtube.com/watch?v=Yu58-2UiA1k

www.youtube.com/watch?v=BytiU_2MU-A

www.youtube.com/watch?v=_Z8mg2wHhMk