Poesia: Sombra & Música – Pat Metheny, Jeff Beck, Jimmy Page & David Gilmour

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Minha sombra é, antes do silêncio, pausa

Meu silêncio é apenas a dor do raio que atravessa os vitrais

E é na retina do arco que a pausa nunca silencia.

Foto: Chronosfer – Picada Café/RS

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Da leveza da vida pela música e suas harmonias para o domingo: Bob Dylan, Paul Simon, Crosby, Stills & Nash, Jeff Buckley, Pat Metheny & Paulinho Moska

A transversalidade da música com outras expressões e sensibilidades: o cinema, o rádio, o estúdio, o público, a densidade de um festival, a solidão do músico. E nós, cada um com seu jeito de ser, vivendo juntos essa leveza das harmonias em nossas vidas.

Ornette Coleman: o sax do Free Jazz

Ornette Coleman

O jazz se divide em tantas possibilidades que grandes nomes deixaram atrás de si e à frente tantos outras possibilidades. Ornette Coleman foi um desses que não se limitou a apenas ser um instrumentista, sem demérito algum, por favor. Coleman traduziu o seu saxofone na linguagem mais definitiva, quem sabe, do universo jazzístico. Deu a ele um novo carimbo, com identidade própria, data de nascimento e paternidade. o Free Jazz nasceu com os seus sopros no momento em que, entre os anos de 1959 e 1960, lançou The Shape of Jazz to Come e Free Jazz. Estilo, estética, sentido, significado começaram a frequentar as harmonias criadas pelo texano e, ao mesmo tempo, em sentido oposto, as críticas, a hostilidade, afinal, mais ruptura em um gênero que toca fundo a alma. Isso apenas foi acontecer após várias tentativas de tocar com músicos conhecidos e fracassos acumulados. Somente quando encontrou Don Cherry e Charlie Haden, falecido em 2014, é que sua explosão de ideias ganhou adeptos consistentes. E Nova York foi a casa que acolheu a mudança do jazz, embora os opostos continuassem frequentando as críticas: ou gênio ou embuste. Na verdade, as transformações já vinham acontecendo, as influências, em especial do clássico, modificavam os conceitos musicais que atingiram em cheio o jazz. E isso também significa uma mudança nos instrumentos que tocavam, deixando o acústico e partindo para o eletroacústico. Esse deixando, não tem o significado de abandonar, apenas houve uma migração de instrumentos e é nesse momento que a transgressão acontece. E Ornette Coleman assume seu papel de protagonista ao trazer às suas canções a nova filosofia de composição e improvisação em que os timbres, a melodia, as harmonias e o andamento rítmico livres eram a base para a progressão gradual das composições. Liberdade para ler e reler e estruturar e reestruturar melodias, reinventando cada uma delas, proporcionando aos instrumentistas liberdade de diálogo entre os seus instrumentos. E, por óbvio, o convencional ficou para trás. Coleman trouxe para o presente e para o futuro a discussão mais densa do que é liberdade, da expressão Free na música. Foi mestre e influência definitiva para muitos músicos. Entre eles, com quem inclusive tocou e gravou discos, Pat Metheny com o controvertido Song X com o velho amigo Haden no baixo, Jack DeJohnette na bateria e o seu filho Denardo na percussão. É um trabalho complexo, para muitos inaudível, para outros genial, no entanto resta ao tempo a decisão sobre a obra, se a primeira opção ou a segunda. Fica, no entanto, a certeza de que o músico que nos deixou aos 85 anos é tão somente o criador do Free Jazz. É pouco? Escute sua obra e decida. Vale essa viagem a todos os seus sentidos. Você se sentirá renovado.

Foto: EFE

Wes Montgomery, a guitarra do jazz

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A formação clássica do jazz tem tudo a ver com Wes Montgomery. O seu estilo, o seu jeito de tocar foi precursor e quem sabe único até então, e aqui fala-se em anos sessenta.Ainda que tenha se tornado guitarrista muito tarde, visto que perdeu a vida ao contrário, muito cedo, o autodidata não se valia da palheta para tirar das cordas a sonoridade que criava em seus solos fantásticos. Havia muita harmonia e melodias que fluíam de sua guitar tanto que que sua forma tão rica e pessoal se tornou referência para nomes como Pat Metheny e George Benson, por exemplo. Se não chegou a ser uma espécie de Miles Davis, que simplesmente fez rupturas com o jazz, Wes trouxe ao gênero toda uma fluidez e liberdade de criação para além das improvisações que caracterizam tão bem os jazzistas. Suas melodias soam, cada vez que se escuta, com uma límpida e cristalina suavidade que envolve sentimentos e é impossível não se parar em silêncio e se deixar levar por suas interpretações. Montgomery foi tão extraordinário que gravou Beatles, de forma insinuante e bela.Tornou famosa a formação do Trio Montgomery formado por sua guitarra, um órgão Hammond e bateria, isso em 1959. Sem dúvida, um precursor que viveu e aprendeu e tocou com os grandes como Leonel Hampton, John Coltrane o que por si já revela o quanto maiúsculo foi como compositor e instrumentista. A morte prematura, com pouco mais de quarenta anos, traído pelo coração, deixou uma lacuna que ainda não foi preenchida. Talvez jamais será. O jazz com Montgomery tem uma conotação que somente quem escuta com a alma pode sentir.