Al Di Meola: All Your Life

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Al Di Meola dispensa apresentações. Violonista e guitarrista que transcende o que cria. O que reinventa. Ancora-se na fusão do jazz com o latinismo. Não esquece outras referências. É como se lesse vários livros de poesia e se transformasse em um poeta com linguagem própria, encontrando aqui e ali seus autores preferidos. Ter tocado ou tocar com Paco De Lucia, John McLaughlin, Chick Corea, Stanley Clarke, Lenny White, Steve Winwood,  em grupos com o Return to Forever apenas solidificou suas convicções e raízes. Para muito mais que apresentar suas cordas vibrando. Perde-se a conta das vezes em que os Beatles e sua obra foram visitadas. Em quantos gêneros possíveis. Sempre como um alimento capaz de saciar a fome e a saudade para muitos ou atiçar a saudade. Liverpool está sempre presente. Al Di Meola em All Your Life nos faz sonhar. As ruas são ponto de encontro. As distâncias meros traços que a geografia inventa. Montanhas escaladas para atingir o topo e respirar o ar puro da vida. É da Natureza. Um disco assim aquece o coração de qualquer Sgt. Pepper´s e sua solidão. E a nossa, quando assim algum dia for. Um disco de e para a alma. O disco que pode ser de toda a sua vida.

John McLaughlin: Remember Shakti

remember

O guitarrista inglês de Yorkshire, pouco mais de 70 anos, tocou com Miles Davis. Credencial para poucos. E logo outras credenciais foram chegando que mais pareciam a formação de um clube cuja única exigência para frequentá-lo era apenas uma: qualidade. Alguns dos seus membros: Paco De Lucia, Al Di Meola, Chick Corea, Carlos Santana, Stanley Clarke, o lendário baterista Billy Cobham, o inesquecível baixista Jack Bruce. Apenas alguns dos membros desse seleto e criativo “clube”. Logo após dissolver a elétrica e revolucionária Mahavishnu Orchestra,  que teve entre seus membros o violinista Jean-Luc Ponty, criou a acústica Shakti, que incursionou pelos elementos da fusão, em especial do jazz com a música indiana e não deixou de fora o jazz-rock. Essa integração de gêneros foi tamanha que mesmo depois de passar para outros projetos, McLaughlin, que sempre revelou ser dono de uma técnica exuberante além de ser um guitarrista perceptivo, veloz e preciso, refez os mesmos caminhos em Remember Shakti, álbum de irresistível capacidade de união entre os seus integrantes. Juntar dois polos tão distantes entre si, como a cultura ocidental com a da Índia resultou em um disco emocionante. John, Zakir Hussain, TH Vikku Vinayakram e Hariprasad Chausaria saíram para fora dos padrões tradicionais das culturas e souberam com suas sensibilidades fazer das rítmicas e alternâncias harmônicas fazer um trabalho comovente, humano e místico através de composições originais. O álbum duplo traz canções de mais de uma hora de duração, não passa de cinco faixas e encanta. Dizer mais o quê? Escutem, por favor e conheçam um pouco mais o que a vida oferece de talento e interioridade.

Al Di Meola, John McLaughlin & Paco De Lucia

Friday_Night_in_San_Francisco

Alguns discos entram em nossas vidas para sempre. Tornam-se definitivos. Guardamos em nossas almas e memórias e gostamos de tê-los próximos. Não importa o gênero, o estilo ou mesmo quem, o que importa é que o disco penetre profundamente em nossos corações e pronto. Tenho minhas preferências, que de alguma forma tenho mostrado aqui, e em um exercício para lá de exagerado faço uma espécie de 1001 discos para se ouvir antes de morrer. Guardadas as trilhões de proporções, naturalmente. Gosto, no entanto, de pensar que posso passar adiante trabalhos que para mim dizem muito, não apenas sob o ponto de vista musical, mas também social, político, cultural, de identidade, de raiz. Discos como O primeiro canto da Dulce Pontes, do Ian Anderson e suas danças com Deus, as verdadeiras canções de amor de León Gieco, os poemas e musicalidade de Mario Benedetti e Daniel Viglietti, e a lista está no Chronosfer em forma de posts. Assim, sem entrar em maiores detalhes, apenas deixar como sugestão, este extraordinário encontro de três dos maiores instrumentistas que escutei em minha vida: Al Di Meola, John McLaughlin e Paco De Lucia. E triste ao sentir na pele a certeza de que este encontro jamais se realizará pela partida de Lucia. Porém, Friday Night in San Francisco é daqueles álbuns em que o player não se cansa nunca de repetir e repetir. Repertório com cinco canções, deles e de Egberto Gismonti (“Frevo Rasgado”) e Chick Corea (“Short Tales of Black Forest”) que encantam, hipnotizam, e simplesmente nos transforma. Há tanto de harmonias e timbres sonoros que a junção de estilos e formas diferentes de interpretar se uniram um único e transversal som de magnitude superior. Música instrumental, jazz, flamenco, não importa. São três violões, três músicos. E precisa mais? Apenas que cada um de nós possa escutar com a alma, com o coração e a pele. E um universo inteiro de sensibilidade para ser vivido.

Jan Akkerman, a magia da guitarra holandesa

Jan

Ele já foi o melhor guitarrista do mundo. Se nos anos sessenta os muros de Londres passavam seus dias de fog e raros de sol com o já clássico Clapton is God, a revista britânica Melody Maker não teve dúvidas quanto a 1973: Jan Akkerman é o melhor de todos. O holandês com o tecladista Thijs van Leer já tinha motivos suficientes para ser colocado no hall do rock progressivo, afinal era integrante de uma das maiores bandas daqueles anos, o Focus. Pouco depois de a década de setenta passar por sua metade, Jan partiu para a carreira solo. E vieram vários discos. Todos mostrando, sem concessões, não apenas a mistura do rock com o erudito se não que a bem-vinda influência do jazz e a chegada da música barroca em seu repertório. A música instrumental de Akkerman alçou novos voos. Ele ainda mais. Além de ter frequentado o palco ao lado de BB King, Jack Bruce, Ice T e Paco De Lucia, o apenas comprova sua naturalidade em qualquer gênero, suas composições atingiram um nível notável e suas interpretações ganharam intensidade. Seja pela técnica seja pelo improviso seja pela criatividade. Escutá-lo nos devolve um pouco dos anos vividos com o Focus, porém nos traz uma concepção de música que tece os nossos sentidos.

Al Di Meola Plays Piazzolla

meola pia

Astor Piazzolla é um gênio. Nunca pode ser tratado como passado. É sempre presente e futuro. Influência permanente. Eterna. Nada é por acaso. E artistas de todos os gêneros o encontram. Gravam suas músicas. Cada um com sua identidade. cada um com sua proposta. Al Di Meola, guitarrista norte-americano nascido em Jersey City, não quebrou a regra. Apenas gravou um Di Meola plays Piazzolla a seu jeito Di Meola de ser. E está nesse jeito de ser uma diferença e tanto. Não, absolutamente não, que os outro projetos que gravaram o mestre que revolucionou o tango tenham sido decepcionantes. Longe disso. Meola é um instrumentista único, singular, capaz de tocar com naturalidade com Paco de Lucia e John MacLaughlin em projetos extraordinários como Friday Night in San San Francisco e The Guitar Trio. Discos envolventes. Quebram qualquer mesmice e rotinas musicais. Estão à serviço da criatividade, do improviso, do talento. Isso é Al Di Meola Plays Piazzolla. É o instrumentista e criador tecendo suas teias harmônicas com as obras do argentino com essa capacidade de criar com ousadia e ao mesmo tempo manter intacto o romantismo de uma época. O músico naturalmente tem um quê de latinidade em sua carreira e já vasta discografia. magnífica, diga-se. Por isso, o projeto com Piazzolla se tornou emblemático. É um disco que transita no ambiente do tango, do jazz, da improvisação, do gosto de tinto seco, de dança e de letras dramáticas. Embora, todos os tangos sejam instrumentais. Esse sopro que vem de Al Di Meola transforma-se em temporal de acordes soberbos e ao natural estamos dentro de cada movimento feito por ele. Para se ter esse disco por perto sempre.