Bee Gees: Seven Seas Symphony

Hoje, quando a saudade intensifica ainda mais a dor da ausência, a palavra não socorre todo o sentimento que cada um de nós guarda para os nossos que partiram. Estão presentes, sempre. E assim, presentes, estarão a cada dia dos nossos dias e no que nos cabe viver.

“Seven Seas Symphony”, gravada em 1968 e lançada no álbum Odessa no ano seguinte, é das raras composições dos irmãos Gibb – Barry, Robin e Maurice – instrumental. Mais, com pequeno gosto sinfônico, é também das poucas faixas em que nenhum do trio participa como instrumentista. Apenas a orquestra conduzida por Bill Shepherd. Para ser ouvida em um momento de paz e encontro.

Odessa: the best of Bee Gees

Odessa

A década de sessenta apresentava seus primeiros sinais de estar próxima do fim, quando os Bee Gees lançam Odessa. Disco em que estão presentes várias nuances do grupo, em especial as diferenças entre Barry e Robin Gibb. Diferenças essas que tiveram como consequência a longa separação do dois irmãos e apenas Maurice permaneceu ao lado do Gibb mais velho. No entanto, é demasiado simplificado lançar apenas esse olhar sobre Odessa. Trata-se, sem dúvida alguma, do melhor Bee Gees, muito antes de suas outras fases e formações alternarem-se entre sucessos e alguns fracassos. O disco de 1969 apresenta uma variedade de gêneros e ousadias musicais que o tornaram, para a época, mais que um conceito e sim um trabalho de extrema consistência harmônica e vocal. Arranjos com base orquestral e muito acústico levaram o álbum duplo a alcançar se não o alto número de vendas e sim o alto grau de notas para a sua qualidade. Os irmãos estavam mais que inspirados. Souberam introduzir em suas composições elementos do country, do rock progressivo, do clássico, dos bluegrass, do rock excêntrico, incidentais do Cream – banda que abriu vário seus shows, em seu início de carreira, e que era composta por nada mais nada menos que Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker – e as eternas baladas. No repertório que contempla todas essas relações e influências destaque para a canção título “Odessa”, com suas variações com violão acústico, violoncelo solo e orquestração, “Melody fair”, que está na trilha do filme Melody, a emblemática e bela “First of May”, a enraizada “Marley purt drive”, a irônica “Give your best”, as instrumentais “Seven seas symphony”, “With all nations” e “The British Opera”, as também baladas “Sound of love” e “Lamplight”, a complexa e belíssima “Black Diamond”, as suaves “Never say Never again” e “Edison”, e quando percebemos estás quase todo o disco com destaques alinhados em tantas razões que muitos críticos o colocam como uma espécie, guardadas as proporções, de Sgt. Pepper dos Beatles. Poucos anos atrás foi relançado, junto com Odessa alternativos, takes não gravados ou com arranjos não aproveitados, versões descartadas. Um registro valioso.
Se Odessa não é visto como um trabalho conceitual dos Bee Gees pode ser visto sem nenhum medo ou susto como o seu melhor disco. Para ser escutado aos poucos e com a suavidade que ele merece e que todos nós merecemos.

http://www.youtube.com/watch?v=oom7tcOYTmo