Orquestra Popular de Câmara

Orquestra PC

“Quando ouvi pela primeira vez a Orquestra Popular de Câmara, certifiquei-me de estar assistindo ao nascimento de um novo movimento musical, com base na associação de excelentes instrumentistas que, além disso, realizam arranjos originais e inovadores. Esse grupo especial de músicos produz seu trabalho de modo eclético, em composições de vários estilos e de diversas origens, dando oportunidade a que cada um de seus componentes possa exprimir as características individuais de seu virtuosismo. Não acredito existir hoje no Brasil um trabalho de tal qualidade e tão comovente beleza instrumental. Daí a minha convicção de que a Orquestra Popular de Câmara, ao apresentar este seu primeiro cd, está abrindo portas para nós, apaixonados pela MPB, de um importante e novo caminho para a criatividade musical brasileira”.

Texto de Roberto Freire no encarte do disco.

O grupo foi formado em 1997, lançou este em 98, e depois Danças, jogos e canções (2003), sempre pela Núcleo Contemporâneo. Seus componentes são nomes que dispensam qualquer apresentação formal ou que aqui se faça um histórico individual. Basta ler a relação: Mônica Salmaso – para mim, a maior cantora brasileira dos dias de hoje -, o pianista Benjamim Taubkin, o acordeom de Toninho Ferragutti, a flauta de Teco Cardoso, a percussão de Caíto Marcondes, a viola e o violão de Paulo Freire, o sax de mané Silveira e mais Dimos Goudaroulis, Sylvio Mazzucca Jr. Guello, Zezinho Pitoco, Lui Coimbra e mais outros tantos que de alguma forma não deixam de formar um clube. Um clube para o qual estamos convidados a participar.

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Orquestra Popular de Câmara: MPB mescla gêneros e influências

OPC

O dia de hoje tinha dono: Ornette Coleman. Deixo para amanhã. Merece uma segunda-feira nobre. Fica o domingo com a Orquestra Popular de Câmara. Trabalho vigoroso e repleto de talentos e sensibilidades. Um andar pelos tecidos musicais do Brasil e de seus acolhimentos de todos as partes que aqui chegam ou que de lá são trazidas. O contemporâneo e o tradicional juntos. Ainda que não seja novidade, a presença de outra mescla, a de instrumentos, marca o andamento das canções. Assim, convivem em harmonia e criando harmonias o violoncelo, o piano, a zabumba, o acordeom, o bandolim, as flautas indígenas e os saxofones. Um encontro sem fronteiras, um encontro que rompeu com as mais insistentes fronteiras. O virtuosismo de Benjamim Taubkin, Teco Cardoso, Caíto Marcondes, Paulo Freire, Naná Vasconcelos, Mané Silveira, Lui Coimbra, Guello e Ari Colares, Ronem Altman, Sylvio Mazzuca Jr., Dimos Goudaroulis, Toninho Ferragutti, meu deus, faltou algum nome? A voz de Mônica Salmaso. tem cheiro e sabor de movimento musical tamanha a dimensão que os instrumentistas dão ao corpo sonoro que criam. A originalidade, a inovação expressam mais que sentimentos, assumem o quanto a música instrumental brasileira é rica e densa por eliminar qualquer foco de resistência ás convenções que muitas vezes são impostas aos músicos. A Orquestra Popular não olhou épocas, nem autores, nem regiões do mundo para realizar seu disco. Apresentou. E é da fusão dos gêneros e das influências que cada música ganha vida própria como se fosse composta especialmente para o álbum. Trabalho magnífico e faz o domingo frio desse amanhecer gaúcho ter um gosto suave e feliz.

Mônica Salmaso: Corpo de baile, simplesmente o melhor

Monica 1

Listas de melhores, piores ou de mais ou menos não me atraem em anda. Às vezes, cedo à tentação e listo como fiz em post mais lá atrás em relação a dois shows acontecidos em Porto Alegre. Um que não assisti, outro que ensolarou a noite da capital gaúcha. Agora, o jornal Zero Hora em sua edição de sábado – 03.01.2015 – traz a relação dos melhores discos do ano que passou. Oito jurados repassaram o ano, cada um com seus critérios e escolhas. Dois deles, Juarez Fonseca e Paulo Moreira, conhecedores profundos de música e jornalistas do primeiro time de críticos musicais. Os outros seis também são respeitáveis e conceituados críticos. Então, a partir de suas indicações, estavam lá discos que habitam a minha cedeteca: Leonard Cohen, André Mehmari, Charlie Haden, Pat Metheny, Jorge Drexler. Não que eles tenham feito as mesmas escolhas, não absolutamente não. A soma delas é que constrói um importante painel, que junto com os demais críticos, forma um outro mosaico de importantes trabalhos musicais. E ficou com a láurea de melhor do ano um disco que, confesso, fui adiando comentar por aqui. Talvez por estar eu em uma fase demasiada folk. É possível. Mônica Salmaso e o seu deslumbrante Corpo de baile cruzou a linha em primeiro lugar. Com sobras. Há muito Mônica vem criando um espaço único e próprio em nossa música popular. (Para mim, a melhor do Brasil nos dias de hoje.) Espaço sem concessões para devaneios oportunistas. Ao contrário, centrada e sobretudo talentosa e de extrema sensibilidade, o caminho que percorre é de tamanha solidez que qualquer um dos seus dez discos lançados são daqueles que catalogamos como essenciais. Tudo nela é assim, essencial. Por vezes, quase minimalista, Alma Lírica é um trabalho pleno em sua voz é acompanhada pelas flautas e sax de Teco Cardoso e o piano de Nelson Ayres. Precisaria mais? Basta ouvir para a resposta ser não. Tudo se completa, se encaixa, se desenvolve em uma atmosfera intimista e profunda que nos surpreendemos dentro dessa atmosfera. monica_salmaso_25-01-2013_sp_divulgacao

O mais interessante é que Mônica nunca foi inserida no contexto das cantoras mais populares. A razão mais razoável para isso talvez seja o seu repertório refinado e arranjos que exploram o semiacústico ao máximo, dando vez sempre aos seus timbres de voz e um jeito mais para música de câmara do que música para se ouvir em rádio. Há então uma conjunção de fatores que a ligam a essa linha que beira o erudito que a torna um instrumento capaz de unir sonoridades sejam elas mais eruditas ou mesmo mais populares (Afro Sambas com composições de Baden Powell e Vinícius de Moraes) até atingir quem sabe o ápice com Corpo de baile com composições de Guinga e Paulo César Pinheiro. Nele, o disco, estão canções de vários de nossos períodos musicais, inéditas ou pouco conhecidas. Convém lembrar que Salmaso grava em participações especiais com vários outros artistas, entre eles Chico Buarque, e em projeto especiais. O repertório é tão vasto e criativo que contempla o fado em “Navegante”, indígena em “Curimã”, valsa em “Noturna” e escalou um grupo de arranjadores excepcionais do calibre de Dori Caymmi, Tiago Costa, Teco Cardoso e os instrumentos não ficam por menos: violão, viola caipira, piano, cordas, sopros, banda de sopros, baixo acústico e percussão. Mônica celebra a música e nos convida a participar. Não podemos ficar de fora.

https://www.youtube.com/watch?v=jBSsNjg9LYU&list=UU0MFq331Z7_CoSFimP84Mbw

https://www.youtube.com/watch?v=IlXHzRhPh3I&list=PLjMk_448Pd1PUvatNWzkrwJA_9ogsB6Ej&index=2

 https://www.youtube.com/watch?v=nKzqDzylQXs&index=1&list=PLjMk_448Pd1PUvatNWzkrwJA_9ogsB6Ej

Fotos : Capa do cd: Dani Gurgel. Mônica Salmaso: http://www.g1.globo.com

Vídeos: http://www.monicasalmaso.mus.br