Trio 3-63, Brasil para além das fronteiras

muacy

No encarte do cd há uma pequeno texto explicativo: Na literatura, o filho de Iracema, nascido da dor, ganhou o nome de Moacir. Na música, a corruptela Muacy batizou o filhou do sertão brasileiro e trouxe felicidade ao mundo. Com estas gravações queremos, modestamente, retribuir o rico presente. A assinatura é de Andrea Ernest Dias, Marcos Suzano e Paulo Braga, integrantes do Trio 3-63. A flautista, o percussionista e o pianista, pela ordem, formam o trio que se debruça sobre o melhor da música brasileira que flutua entre os maestros Moacir Santos, o grande homenageado, Radamés Gnattali e composições ou próprias ou com a participação de Carlos Negreiros como na faixa “Olorum-Rei”, também com voz e percussão. Moacir é um capítulo à parte na história da música popular brasileira, mais adiante post sobre o mestre, está presente com “Coisa nº1”, “Paraíso” e preciosos inéditos: “The Beautiful Life”, em parceria com Jay Livingston e Ray Evans, a bela e tocante balada “Love Go Down”, junto com Yanna Cotti, e “Sambatango”, que nome sugestivo! Em “A Santinha Lá da Serra” a parceria é com nada mais nada menos com o poetinha Vinícius de Moraes e a participação para lá de especial de Lui Coimbra, assim como Teco Cardoso empresta seu talentoso sax-barítono na segunda faixa do disco, a primeira das inéditas ali acima mencionada. O álbum é especial por sua natureza tranquila e sensível. A criatividade de Moacir transita com expressão solene e os instrumentistas criam o clima perfeito para quem escutar seus 45min45seg de harmonias e acordes que abraçam a essência da brasilidade com a universalidade da música. Não é um disco comum. Daqueles que ficam à margem. Não, absolutamente não. O grande problema continua sendo o onde encontrar em lojas de discos. Encontrei desta vez pelo menos entre os brasileiros da MPB, embora fora de qualquer tipo de ordem seja ela por gênero ou mesmo a mais simples delas, a alfabética. Enfim, o que importa é que foi encontrado e está aqui. Muacy é, sem dúvida, um trabalho superior de um trio que joga sua criativa imaginação para além de qualquer fronteira. Uma curiosidade: as canções inéditas foram descobertas por Andrea, quando fazia seu trabalho de pesquisa para o doutorado e lá na Califórnia, onde acervo de Moacir Santos está, e resultou no livro Moacir Santos ou Os caminhos de um músico brasileiro editado pela Folha Seca. Pode-se, então, que conhecer mais de perto a sua obra sentir e viver a estreita relação que o compositor criou entre o seu trabalho e a música erudita. repito: disco superior em todos os sentidos.

Cesar Camargo Mariano & Romero Lubambo mais que um Duo

duo

Eis um disco incomum. Daqueles que permanecem perenes. A mistura, intencional, impressiona. Os instrumentistas se completam. Os instrumentos, piano e guitarra acústica, no melhor jazz estão livres e à disposição de ambos tecerem suas canções com tamanha naturalidade que o repertório começa a ser parte dos dois. E mesclar Djavan (Samba Dobrado), Tom Jobim (Fotografia), Clifford Brown (Joy Spring), Moacir Santos April Child), além de composições próprias (Choro #7, Mr. Jr., O que é , O que é, Short Cut) não é nenhum desafio para ambos. Parece um exercício de alunos em sala de aula. E é exatamente o que fazem: dão uma verdadeira aula de música. Cesar Camargo Mariano e Romero Lubambo tomam conta do tempo em o álbum desliza no player. E nós, somos absorvidos sem perda de tempo. Melhor, o tempo deixa de existir. O que há, simplesmente o melhor da música brasileira. E estamos conversados.