Miniconto: Fragmentos do destino II – Música: Marianne Faithfull, Carla Bruni & Joan Baez

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Das cinzas, o sol; da madeira, as veias; dos ossos, a pele; da vida, o exílio; do Tempo, o tempo; no talho, o destino coagulado. Dentro, a noite adentra.

Foto: Chronosfer: Buenos Aires.

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Miniconto: Memória – Música: Victor Heredia, Nito Mestre & Leon Gieco

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Não guarda descanso. Acumula silenciosa, ao longo dos invernos, as provisões para os dias sem  sol. Guarda paciente o chamado escondido em algum porão da imagem. Não vive mais atenta, é despertada até ser esquecida. Como uma vertigem, troca de forma, penetra mais para dentro do dentro da chama até perder a luz. As distâncias e as idades desencontram-se em alguma parte do caminho e então tudo passa a ser sonho. Os sentidos são revistos, passados a limpo como um rito de passagem. Nesses dias, as estações balançam, encobrem suas ferrugens. O tempo não para e não há mais retorno. Os sinais chegam aos ossos, escorrem pela carne sentindo a ardência do sal. Os cascos continuam rebeldes. Os potros esticam a corda até encontrarem a liberdade. No pampa, a memória é uma morada abatida pelo vento da palavra e pelo tempo. Talvez nessa quase noite quebre o silêncio e assim como veio desapareça, levando as palavras coaguladas do destino que coube viver. Os campos não são mais os mesmos. Apenas histórias que passam de voz em voz através das memórias e de tênues lumes sobreviventes do que um dia foi e que sempre desejou ser realidade. (Dedicado à memória do meu pai, Mário Rossano.)

 

Foto: Chronosfer – Bento Gonçalves/RS

Miniconto: Luther – Música: Lô Borges, Al Di Meola, Madredeus, Neil Young, Leonard Cohen…

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Não há horizonte além dos olhos de Luther. A única linha que o separa da vida é a harmônica deslizando em seus lábios. Na textura do sopro, entranha-se o sol e as nuvens de poeira nublam as retinas. A pele da memória anoitece mais cedo. Os ossos da casa se desprendem e os estalos o acompanham como uma percussão.

Foto: Chronosfer: Vila Muñoz – Montevidéu.

Miniconto: Horóscopo Harmônica & Música: Bob Dylan

Bob Dylan

Signo dos nascidos entre os dias 17 de fevereiro e 19 de março. Tem como característica principal a musicalidade. Sensíveis e criativos, vivem em mundos repletos de acordes e notas musicais, embora através da música possam expressar seus sentimentos. Pouco resistente à critica, o Harmônico, quase desiste quando não recebe elogios. Gosta da solidão, por isso relaciona-se apenas o necessário. No amor, é receptivo, pois é afetivo ao extremo. Seu melhor dia é sábado, quando todos saem e ele vai tocar em algum lugar. Sua cor é o branco, mas olha o azul com brilho nos olhos. Tem ascendente em Guitarra, que é o seu oposto. Às vezes, entram em conflito, ainda mais quando Guitarra comete alguns solos. O sol é em Piano, o que o torna mais suave com os tecladistas, naturalmente. A lua em Flauta mantém o equilíbrio. Com os flautistas é capaz de fazer grandes parcerias, desde que eles não tenham como ascendentes Baixo ou Bateria. Seu número é o cinco. Gosta de animais, o cavalo é o seu preferido. Partitura é o seu sistema solar. Se for homem, afinidades com Flauta, Saxofone e Piano. Se for mulher, com Violoncelo e Viola.

Quando estudei Criação Literária, as aulas tinham muito do que chamávamos “à queima roupa”, ou seja, o professor pedia um texto com determinado assunto para ser escrito naquele momento. Um dos exercícios, é esse acima: usar um instrumento musical como signo do horóscopo e escrever suas caraterísticas. Foi um exercício e tanto.