Night Beds: Country Sleep

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O cenário indie é tão vasto quanto pode ser o pop, o rock ou qualquer outro gênero. Agrega-se a ele exatamente um deles e está carimbado um novo formato de sonoridade. O Night Beds está mais para o Indie Folk. E nele vai transitando. Country Sleep é melancólico. Começa pela capa. O tom se insinua pelo olhar. Pela luminosidade e pelo escuro que dali transcendem. Alcança as faixas. As vozes. As texturas melódicas. Os arranjos. E ,de repente, nos pegamos envolvidos em um universo onde o emocional se revela intenso. E por ser revelador ligamos alguns pontos de identidade pessoal com a vivência de Winston Yellen, compositor-mor do Night. A melancolia vai se apresentando e se dissolve com o lento passar de cada canção. O desespero, o desânimo, a história do jovem que carrega o mundo nas costas, sempre real de alguma maneira, ganha novo sentido ao descobrir que há futuro. Que o amanhã existe sempre. Quase um clichê bem resolvido que desperta para a vida. Um disco interessante, ainda que lembre por vezes Nick Cave, e introspectivo. Faz bem em algum momento esse olhar para dentro e depois emergir para a luminosidade do dia.

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John Mayer: Born and Raised

JohnMayer

John Mayer não é apenas mais um semeador de campos. Suas raízes, bem definidas e profundas, passaram pelo crivo do tempo. O blues sempre foi seu alimento mais orgânico. Sua água pura da fonte. Entranhou-se com o que há de melhor: Eric Clapton, BB King, Buddy Guy, Steve Ray Vaughan. E foi deixando suas terras mais produtivas. Soube plantar, soube colher. Em Continuum fez um disco em que suas influências e lembranças se encontrassem. Há a luminosidade dos dias mais fecundos de Sting, Steve Winwood, por certo. O que não significa ser a mesma semente. Mas, a espécie, que antes já flertava como trio em sets acústicos, apontava que a terra deveria passar por um descanso antes de tornar a ser hospedada por novas sementes. Problemas pessoais, rupturas, situações de constrangimentos à parte,  Mayer em Born and Raised colheu sua melhor safra. Um pulo ao folk/country renovou suas raízes, sem perdê-las, e estabeleceu um novo vínculo com suas posses. Um trabalho coeso e convidativo. Daqueles em que se pode sentar em qualquer lugar, xícara de café á mão e deixar a vida ser e correr. É estrada. É casa. Não bastasse a consistência de suas tramas melódicas, passando muitas vezes pela melancolia e o romantismo, traz para junto nomes de calibre. Para citar apenas dois: David Crosby e Graham Nash. Os lendários músicos dão sustentação aos vocais, enquanto John firma compromisso com seu campo como semeador. Seu álbum que segue, Paradise Valley, atesta o seu acerto. São pontuadas as “presenças” de Clapton, James Taylor, JJ Cale como mentores da sua criatividade. Música para todos os momentos. Faça parte desse momento e viva-o com intensidade. A música de Mayer merece.

(esta última canção é do disco Battle Studies)

Tindersticks: o melancólico e belo “Can our love”

Tindersticks-CanOurLove

Gostar do Tindersticks nunca foi algo sobre-humano para mim. Ao contrário. Do simples gostar da capa do disco e deixar que suas músicas frequentassem meu player foi apenas o tempo de encontrar o cd. Nada além disso. Na verdade, tudo começou com uma pequena nota reproduzindo a capa acima (Can our love), sem mais uma única palavra que não fosse melancólico. Enfim, álbum à disposição depois de sei lá quanto tempo atrás, e a surpresa: são muito bons. Está certo que em alguns momentos derivam para algo mais parecido ou que eventualmente possa ser levado a ser uma influência do Doors, ou de outra banda, sem perder de vista sua sonoridade. Os ingleses mantém desde o início uma característica: arranjos bem elaborados, passagens instrumentais de muito virtuosismo e os vocais que lembram melancolia, para alguns críticos são fúnebres, são bem-vindos no resultado final. O seu disco, cuja foto de capa lembra o ator Liam Neeson, é outro exemplar bem acabado dessa ideia que permeia os trabalhos do Tindersticks. É, sem dúvida, um trabalho emocional e com doses certas de humor mesclando a tal de melancolia a que me refiro. Tempos depois me deparei com outro dos seus discos: Ao vivo no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Ao vivo tudo se transforma, e mesmo sabendo que passa por estúdio, arranjos ajustados e etc. continuei gostando do resultado final. Isso que sequer passei perto das trilhas que compõem para cinema. Tindersticks é sinônimo de excelente música e bons momentos, aqueles que a solidão é uma companheira e mesmo com toda a melancolia das canções, há um gosto de sol nelas.