Mark Knopfler, Chet Atkins, Eric Clapton, George Harrison, David Gilmour, …

Blues, Folk. Country, Jazz, Rock, não importa o gênero. E porque é sábado, a música, a sensibilidade viajam pelo tempo e pelo espaço.

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Sting: Nothing Like the Sun

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Sting, ao sair do The Police, tem sido produtivo e desenvolvido sua criatividade em fases bem definidas. Nem sempre o resultado alcança todas as estrelas possíveis, mas deixa marcas. Nothing Like the Sun é um álbum curioso. Não nos gêneros em que flerta de forma explícita – jazz e rock – mas pela repercussão. Lembro de ter lido em alguma revista, o nome perdeu-se há muito em minha memória, de encontra-lo em um lista dos piores discos de todos os tempos. E olha que na relação estava trabalho dos Beatles. No entanto, como tenho lá minhas reservas quanto a listas, ainda mais de melhores ou piores, eu sempre gostei desse Sting despojado. E em particular esse tem o crivo da sua participação pelas América do Sul com a Anistia Internacional e momentos confessionais, em função da partida de sua mãe. Um trabalho emotivo, para dentro. E também que coloca as coisas em lugares, como em “They dance alone”, em função à época ainda os reflexos da ditadura chilena de Augusto Pinochet. E as composições ganham muitas conotações a partir de seu sentimento interior e os acompanhamentos atestam o quanto Sting acerta em Nothing. Algumas músicas, como “Fragile” foram também, não neste disco, cantadas em língua portuguesa ou em espanhol. Nomes como Mark Knopfler, Eric Clapton, Ruben Blades, Dil Evans, Manu Katché, Branford Marsalis, Mark Egan, Andy Summers e outros mais asseguram a qualidade e o peso das canções. Sério, comprometido, afetivo e consciente, Sting produziu uma obra sensível e próxima da realidade de então.

The Notting Hillbillies & Mark Knopfler

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O escocês Mark Knopfler é muito mais que a guitarra do Dire Straits. Seus flertes com outros gêneros e trilhas sonoras o colocam como um músico que não descansa em apenas um gênero. Seus projetos apontam para a diversidade de sua criação como compositor e uma espécie de dom muito especial da forma de tocar seu instrumento. A banda The Notting Hillbillies tem acento country, perceptível em alguns trabalhos do Dire Straits, e ainda que uma formação passageira com objetivo beneficente, deixou marcas. Marcas com as digitais de Knopfler. O álbum Missing…Presumed Having a Good Time reuniu, além de Mark, Guy Fletcher nos teclados, Steve Phillips na guitarra, Brendan Croker também na guitarra e o baterista Ed Bicknell em 1990. Um trabalho coeso e único no sentido de ter sido apenas um único disco gravado, embora tenham se encontrado para a realização de shows anos mais tarde com outros membros, entre eles os teclados de Alan Clark. Knopfler já havia incursionado pelo country quando gravou Neck and Neck com Chet Atkins, e também em seus álbuns solos há uma tendência ao gênero, sem deixar de citar Emmylou Harris também e o bardo Bob Dylan. Há gravações dele com Dylan antológicas em alguns discos com Infidels  e Slow Train Coming. Em suas trilhas, as composições criam mais atmosferas inseridas ao enredo, sem perder de vista o virtuosismo do compositor. Local Hero e Cal mostram Mark em plena forma criativa. Na carreira solo, Sailing to Philadelphia, com as presenças de James Taylor e Van Morrison dão um quê muito especial. Contudo, é com os Hillbillies que sua performance é mais solta e sua guitarra parece flutuar. Há uma passagem, não desse disco, mas de uma coletânea feita com vários artistas – Music for Montserrat – em que apresenta Money for Nothing com Sting e Eric Clapton acompanhados por Orquestra em que todo o seu talento como instrumentista explode de tal forma que certa vez ao passar diante de uma loja de departamentos um aparelho de televisão reproduzia essa passagem e em seu redor havia uma multidão assistindo a suavidade da guitarra. Um momento esse sim único. Essas influências do rock, blues, folk e country fazem de Mark Knopfler um músico que pode sim alternar bons, maus e extraordinários momentos. Todo grande instrumentista e compositor passa por isso, e o escocês não é diferente. Escutá-lo é um sentimento. E por isso vale cada segundo de suas harmonias. Um pouco de Mark Knopfler abaixo.

Miniconto II “Trama”

corda

as mãos tecem os fios. ásperas, quase insensíveis ao toque, entrelaçam cada um da trama.
tem pressa. marca a passagem dos dias no calendário de parede. as horas são contadas pela sombra em pedaços no chão. desconhece a noite. uma vela brilha na peça. olha a janela, ouve o ruído do dia sem mover os músculos da face. o que acaba de criar alcança exatos dois metros.
está pronta, avisa.
quando o sol se põe, a porta abre.
entre as paredes, a corda silencia os segundos que escapam da memória.

Foto: Fernando Rozano

http://www.youtube.com/watch?v=STlLJxLUHOg
Música: Mark Knopfler