Porto Alegre 243 anos e Lupicínio Rodrigues

Lupi

Uma jovem cidade. Uma já grande história. Ou várias histórias de tantas cidades dentro de uma Porto Alegre mais envelhecida e também mais rejuvenescida. Assim são os dias contados um por um no calendário da cidade que mora ao lado do rio. E Porto Alegre me faz sentir duas saudades: da cidade que não conheci e da que conheci e vivi grande parte da minha vida. A de hoje, nada a ver ou pouco a ver com aquelas duas. Mas é a Porto Alegre onde os meus dias um dia se despedirão e eu serei apenas um porto-alegrense anônimo que conheceu suas ruas, cada uma delas, como se fossem sua alma. Porto Alegre.
E hoje, como o convite anuncia ali em cima, o Marcello Campos, jornalista e pesquisador, lança o Almanaque do Lupi, ainda dentro dos cem anos do compositor gaúcho completados ano passado. Uma alentada publicação, que mergulha na poesia e vida do nosso maior boêmio e autor de canções eternas dentro da música popular brasileira. O Marcello não deixou por menos em sua obra. Foi muito além da famosa dor de cotovelo de Lupi. Entrou em sua vida com tanta espontaneidade que foram surgindo Lupis em várias passagens, muitas desconhecidas ou então apenas habitavam o imaginário como se fossem histórias quase folclóricas do nosso maior compositor. Os registros são valiosos. Uma jazida de ouro em forma de almanaque e papel e palavras. Toda ou quase toda a vida de Lupicínio vai se abrindo com o passar das páginas e ao mesmo tempo em nossa memória vamos cantando suas músicas. O Marcello concebeu um livro para se guardar para todo o sempre. Lupi parece ser um personagem multifacetado tanto que fez em sua vida, desde ser um defensor dos direitos autorais, bedel da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, batia sua bola como jogador na então várzea, dono de bar (da noite, claro), o “publicitário”, o candidato a político, e mais outras que somente o livro desvenda. Nem é preciso fôlego para ler. Ao passar pela primeira página os ponteiros do relógio irão acelerar o seu correr e quando menos esperar você cumpriu suas 99 páginas sem sentir o tempo. Por ela, a edição da Secretaria Municipal da Cultura da cidade, compreende-se a razão de grandes intérpretes da MPB gravarem suas composições. Um presente para Porto Alegre. E para nós. Felizmente. (O Marcello escreveu sobre uma época que eu sinto muita saudade.) O lançamento do Almanaque é hoje, 19h no Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre, que tem o nome de Lupicínio Rodrigues, com direito a show musical e tudo. Se puder, passe por lá, Av. Erico Verissimo 307. Ou entre em contato com a Coordenação do Livro e Literatura:(http://www2.portoalegre.rs.gov.br/portal_pmpa_novo/ e procure em secretarias: Cultura)


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