O tempo não para…ainda Woodstock

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Cazuza tem razão: o tempo não para. Não parou passadas décadas do maior festival de música já realizado em todos os tempos. Woodstock parece 1968: não acaba nunca. Sempre há o que ler. Sempre há o que ouvir. A despedida dos anos sessenta foram em agosto de 69. Três dias. Apenas, três foram o suficiente para a história marcar a ferro quente em suas páginas os dias vividos em Bethel, Estado de Nova York. Os Estados Unidos ferviam. O Vietnã abria cada vez mais suas feridas. Dividia o país. Repugnava os mais conscientes. Era o auge da contracultura. Da era de Aquarius, dos hippies. A ideologia da paz, nunca alcançada. Naquelas 65 horas de vida, o festival celebrou um novo mundo. 500 mil pessoas testemunharam e protagonizaram o que estudos antropológicos e sociológicos ainda não esclareceram. Talvez nunca o façam. Quem lá não esteve jamais esquecerá ou entenderá. Mesmo os que estiveram 45 anos depois não souberam e não conseguiram dizer o que realmente aconteceu. Impossível. Basta assistir o documentário assinado por Michel Wadleigh. E o que parecia ser apenas a reunião de grandes nomes da música da época, se transformou em um marco inesquecível. Quem ainda não assistiu Woodstock, em especial os mais jovens, não espere mais tempo. Vá a alguma locadora urgente. Pegue e assista. Uma, duas, três vezes. Não importam quantas, mas veja. Sinta Richie Havens e o seu magnífico “Freedom”, logo na abertura. Deixe-se levar pelos hinos à paz na voz Joaz Baez, John Sebastian ou Country Joe McDonald, a performance mágica de Joe Cocker em “With a little help from my fiends” da lavra Lennon&McCartney, a hipnótica pela guitarra de Jimi Hendrix, o arrebatamento do desconhecido Carlos Santana, a doçura harmônica de Crosby, Stills, Nash &Young. Mais de 20 artistas passaram pelo palco, enfrentaram o clima, encantaram a multidão pacífica, acreditavam em um novo estilo de vida. O tempo não parou. Os anos que vieram trouxeram Afeganistão, Iraque, o Estado Islâmico, corrupção sistêmica. Mais violência, mais formas de violências, mais doenças, mais intransigências. Hoje, quem sabe novos ventos soprem de novo. Uma nova geração que olhe o mundo com outros olhos. Não apenas os olhos de Woodstock, mas olhos que querem mais que sonhar, olhos que querem realizar a paz. O tempo não para, mas Woodstock está integralmente atual.

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www.youtube.com/watch?v=Wyx053CNMag

www.youtube.com/watch?v=HKdsRWhyH30

www.youtube.com/watch?v=DJNSUSrs-0g

www.youtube.com/watch?v=494_95Wo3OY

www.youtube.com/watch?v=XnsB4Ck__OE

Fotos capturadas na Internet.

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Bee Gees em Woodstock

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Não, não se assustem. Os Bee Gees não estiveram em Woodstock. Pelo menos, não consta o nome na lista oficial. E nem nas curiosidades sobre o festival. Porém, assim como Joe Cocker incensou as mais de 500 mil pessoas com “With a little help from my friends” cuja assinatura é de Lennon&McCartney, os irmãos Gibb – Barry, Robin e Maurice – também tiveram o seu momento. Janis Joplin interpretou “To love somebody” com sua voz envolta de blues e soul. Porém, assim como os Beatles são lembrados pela deslumbrante performance no documentário, Joplin não está presente com nenhuma canção. Somente a partir da comemoração dos 40 anos do maior festival de todos os tempos é que muitas novidades chegaram. Uma delas é o lançamento de alguns cds solo de quem participou do encontro: Janis Joplin, Johnny Winter acompanhado de Edgar Winter e Jefferson Airplane, entre outros sob o selo Sony BMG e Legacy Recordings. (A Universal fez o mesmo com Jimi Hendrix em 1999)

Janis havia lançado, à época, um disco chamado I got dem ol´Kosmic Blues again Mama! Oito canções viscerais, bem ao seu estilo. Alma pura. Na quinta faixa do então vinil, uma surpresa: “To love somebody”. Autores: Barry e Robin Gibb. Assim como na lista de canções que interpretou em Woodstock ela está presente também aparece em meio a tantos blues e soul.

Agora, passado tanto tempo, ao assistir um dvd do grupo inglês, que se tornou conhecido como australiano, Barry conta que haviam composto a canção para Otis Redding gravar. Antes, porém, o cantor foi vítima de acidente aéreo. Gravaram e foi sucesso imediato. Esteve em trilha sonora do filme Melody, dirigido por Waris Hussein, onde também figura em uma das faixas “Teach your children” com Crosby, Stills, Nash & Young. Esses sim, lá estiveram.

Na verdade, segundo o mais velho dos irmãos Gibb, a música é puro soul e R&B. Entrou no repertório como uma luva para uma cantora como Janis. Woodstock foi um momento mágico. Em todos os sentidos. Outras gravações tornaram a composição ainda mais popular: Nina Simone, Michael Bolton, The Animals, Roberta Flack, Eagle Eye Cherry e Rod Stewart figuram na longa lista de intérpretes.

Interessante ouvir as canções dos Bee Gees para além do pop romântico dos anos sessenta ou a dancing music dos setenta. Muito do talento e harmonia ficaram escondidas por esses rótulos. Confira as interpretações de Janis Joplin e dos Bee Gees para “To love somebody” no You Tube.

Reproduções capturadas na internet. 1 – Bee Gees em sua formação original dos anos 60 2 – Capa do disco de Janis Joplin em Woodstock.