Miniconto: Fragmentos do destino II – Música: Marianne Faithfull, Carla Bruni & Joan Baez

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Das cinzas, o sol; da madeira, as veias; dos ossos, a pele; da vida, o exílio; do Tempo, o tempo; no talho, o destino coagulado. Dentro, a noite adentra.

Foto: Chronosfer: Buenos Aires.

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Mercedes Sosa, León Gieco, Eugénia Melo e Castro, Dulce Pontes, Joan Baez, Tom Jobim….

Hoje, apenas música. A que nos envolve. A que nos revela. A que nos transforma. A que nos lança através dos tempos. A que nos faz parar. A que nos faz pensar e discernir. A que nos comove. São tantas. Escolho as que nos aproximam latino-americanos e portugueses, como um caminho sem volta de integração e alma. Identidades que se reconhecem e andam pelas mãos da arte. Margens que se encontram.

Joan Baez & Chico César

Finais de ano são repletos de listas: presentes, os melhores da música, do cinema, do teatro, e sei lá mais do quê, os piores também, mais as listas de desejos, as resoluções para a entrada no novo período de 365 dias e por aí vai. Não me alio a nenhuma dessas vertentes ou pautas. Cada um sabe o que realmente gostou ou não, o que deseja ou pode fazer, o que deixou de fazer, enfim, cada um em tese deve saber um pouco de cada uma dessas coisas. 2014 foi um ano complicado em demasia para mim no plano pessoal, quem acompanha o Chronos sabe o motivo, e assim fui me diluindo ao longos dos dias. No entanto, ainda que difícil, li, escutei, dei uma escapada antes de o pai partir a Montevidéo, assisti a alguns filmes, fotografei algumas cenas e também me mantive recluso em mim mesmo muitas vezes.

Prefiro, então, destacar dois shows de música. Um que não assisti e outro que assisti. Primeiro, pela ordem, Joan Baez. Oportunidade quem sabe única, as datas conspiraram para que “nosso encontro” não acontecesse. Ou estava ela no Uruguai e eu aqui, ou eu em Montevidéo e ala em Porto Alegre. Desencontros. Talvez o que mais aconteça em nossas vidas. Faz parte. Perdi, pelo que li e ouvi de amigos e jornalistas, um show e tanto. Cantora e compositora folk que representou (ainda representa) aqueles anos incríveis que foram os anos sessenta da contracultura, da alternativa, da transformação das consciências, da Guerra Fria, da Guerra do Vietnã, de Martin Luther King na luta pela igualdade, da busca de novos valores se opondo ao conservadorismo de então, do comportamento, de novos canais de expressão. Joan é mais que um símbolo. Voz atuante na defesa dos valores humanos, se faz presente até os dias de hoje com extrema coerência de vida. Esse período teve como ápice, pelo menos na música e no comportamento,Joan_Baez_Bob_Dylan Joan e Bob Dylan.

por exemplo, no Festival de Woodstock em 1969. E é de lá dos anos sessenta que nasce a estrela de Bob Dylan, dando sentido à folk music e inovando e revolucionando a palavra. Momentos mágicos daquela década, que passaram por aqui e me escaparam.

E então, o Projeto Unimúsica da UFRGS trouxe a capital gaúcha intérpretes do Brasil a cantarem compositores do Sul. Coube a Chico César, paraibano, “revirar” a obra de Vitor Ramil. Se Vitor já possui um hermetismo fantástico em sua forma e estética, capaz de transgredir com talento e visão ritmos como a milonga, Chico não se fez de rogado e partiu para os ritmos do Norte e Nordeste brasileiros. As composições do pelotense ganham tanta cor e dinâmica que o show de Chico se tornou inesquecível, e estonteante por tamanha beleza e força. Esse, assisti. Vê-lo é mais que um presente.

Cesar

Para não deixar passar, um cd maravilhoso: Muna, da tcheca Markéta Inglová. E não esqueçam Leonard Cohen, Hamilton de Holanda, André Mehmari, e  outros mais que iremos indicando a vocês. As duas primeiras canções, com Joan, as últimas, com Chico.

www.youtube.com/watch?v=vOipm4DL04Q

 www.youtube.com/watch?v=F6g-7L2kPN0

www.youtube.com/watch?v=UlcdPBgOxm4

www.youtube.com/watch?v=Nab_nWkYe9I

Fotos: Joan Baez, Internet, e Chico César do site http://www.trasdiversão.blogspot.com

O tempo não para…ainda Woodstock

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Cazuza tem razão: o tempo não para. Não parou passadas décadas do maior festival de música já realizado em todos os tempos. Woodstock parece 1968: não acaba nunca. Sempre há o que ler. Sempre há o que ouvir. A despedida dos anos sessenta foram em agosto de 69. Três dias. Apenas, três foram o suficiente para a história marcar a ferro quente em suas páginas os dias vividos em Bethel, Estado de Nova York. Os Estados Unidos ferviam. O Vietnã abria cada vez mais suas feridas. Dividia o país. Repugnava os mais conscientes. Era o auge da contracultura. Da era de Aquarius, dos hippies. A ideologia da paz, nunca alcançada. Naquelas 65 horas de vida, o festival celebrou um novo mundo. 500 mil pessoas testemunharam e protagonizaram o que estudos antropológicos e sociológicos ainda não esclareceram. Talvez nunca o façam. Quem lá não esteve jamais esquecerá ou entenderá. Mesmo os que estiveram 45 anos depois não souberam e não conseguiram dizer o que realmente aconteceu. Impossível. Basta assistir o documentário assinado por Michel Wadleigh. E o que parecia ser apenas a reunião de grandes nomes da música da época, se transformou em um marco inesquecível. Quem ainda não assistiu Woodstock, em especial os mais jovens, não espere mais tempo. Vá a alguma locadora urgente. Pegue e assista. Uma, duas, três vezes. Não importam quantas, mas veja. Sinta Richie Havens e o seu magnífico “Freedom”, logo na abertura. Deixe-se levar pelos hinos à paz na voz Joaz Baez, John Sebastian ou Country Joe McDonald, a performance mágica de Joe Cocker em “With a little help from my fiends” da lavra Lennon&McCartney, a hipnótica pela guitarra de Jimi Hendrix, o arrebatamento do desconhecido Carlos Santana, a doçura harmônica de Crosby, Stills, Nash &Young. Mais de 20 artistas passaram pelo palco, enfrentaram o clima, encantaram a multidão pacífica, acreditavam em um novo estilo de vida. O tempo não parou. Os anos que vieram trouxeram Afeganistão, Iraque, o Estado Islâmico, corrupção sistêmica. Mais violência, mais formas de violências, mais doenças, mais intransigências. Hoje, quem sabe novos ventos soprem de novo. Uma nova geração que olhe o mundo com outros olhos. Não apenas os olhos de Woodstock, mas olhos que querem mais que sonhar, olhos que querem realizar a paz. O tempo não para, mas Woodstock está integralmente atual.

johnseb

www.youtube.com/watch?v=Wyx053CNMag

www.youtube.com/watch?v=HKdsRWhyH30

www.youtube.com/watch?v=DJNSUSrs-0g

www.youtube.com/watch?v=494_95Wo3OY

www.youtube.com/watch?v=XnsB4Ck__OE

Fotos capturadas na Internet.