Sharon Isbin: Journey to the Amazon

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A violonista Sharon Isbin, o sax de Paul Winter e a percussão brasileir de Thiago de Mello realizaram um disco surpreende. Explorar a sonoridade latino-americana já é fato comum, porém, com um viés mais rítmico, mesclando com o jazz e clássico pode parecer também algo já feito à exaustão. No entanto, tal como a literatura onde tudo já foi dito, porém o que faz a diferença é a forma em que é dito mais uma vez, na música os arranjos traduzem esse espírito. O trio consegue extrair, de form provocante e deliciosa, essas diferenças e pontos comuns entre as culturas e as formas de interpretar as canções do repertório. Não há concessões, há criatividade e uma profunda identidade alicerçada pelas nuances tecidas pelos instrumentistas. Os puristas talvez fiquem arrepiados e são capazes de afirmar que não é a verdadeira música original. Está aí a grande diferença: uma leitura livre e soberana do sentimento que a música causa não apenas em quem gosta de ouvir mas sobretudo em quem compõe, arranja, interpreta e tem a sua maneira de sentir. Journey to the Amazon comete a façanha de trabalhar a fusão com tessituras próprias e fazer com que Pixinguinha, presente com “Cochichando”, possa estra à vontade nessa jornada. E outros compositores também. E nós, bom, nós mergulhamos nessas sonoridades sem medo algum. Puro prazer cumprir essa jornada.

Al Di Meola: All Your Life

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Al Di Meola dispensa apresentações. Violonista e guitarrista que transcende o que cria. O que reinventa. Ancora-se na fusão do jazz com o latinismo. Não esquece outras referências. É como se lesse vários livros de poesia e se transformasse em um poeta com linguagem própria, encontrando aqui e ali seus autores preferidos. Ter tocado ou tocar com Paco De Lucia, John McLaughlin, Chick Corea, Stanley Clarke, Lenny White, Steve Winwood,  em grupos com o Return to Forever apenas solidificou suas convicções e raízes. Para muito mais que apresentar suas cordas vibrando. Perde-se a conta das vezes em que os Beatles e sua obra foram visitadas. Em quantos gêneros possíveis. Sempre como um alimento capaz de saciar a fome e a saudade para muitos ou atiçar a saudade. Liverpool está sempre presente. Al Di Meola em All Your Life nos faz sonhar. As ruas são ponto de encontro. As distâncias meros traços que a geografia inventa. Montanhas escaladas para atingir o topo e respirar o ar puro da vida. É da Natureza. Um disco assim aquece o coração de qualquer Sgt. Pepper´s e sua solidão. E a nossa, quando assim algum dia for. Um disco de e para a alma. O disco que pode ser de toda a sua vida.

Al Di Meola : The Great Passion

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Rica tapeçaria tecida com o fogo da paixão, The Great Passion é um mosaico de jazz, fusão, clássico, latinidade, tango e Oriente Médio. O violão e a guitarra de Al Di Meola criam a trilha romântica perfeita para a travessia de uma estrada, seja ela qual for e onde for. Apenas feche os olhos e se deixe levar. Possui cores próprias, elementos vivos onde as tardes de domingo, por exemplo, quando são invadidas pela saudade chega o tango “Soledad” e a expulsa ou se este mesmo dia quiser incendiar as horas é só escutar “Libertango”. Piazzolla em melhor estilo impossível. A escolher. “Mistèrio”, que abre o álbum, é bela, delicada, poderosa. Daquelas para ser guardada e retirada somente quando a alma assim o desejar. O disco todo é recheado de técnica, talento, virtuosismo e sensibilidade. Tem tudo. E o essencial: vida para ser vivida.

Clarke Boland Sextet: Music for the small hours

Clarke

O texto sobre este disco está no encarte do cd, com a assinatura do crítico de jazz e música instrumental, escritor, professor e produtor José Domingos Rafaelli. A gravadora é a Biscoito Fino.

” É a sessão de gravação com o sexteto, realizada em 16 de junho de 1967, em Colônia, Alemanha, que foi lançado anteriormente pela Columbia alemã. Nessa ocasião, Clarke e Boland chamaram o americano Sahib Shihab (flauta), o belga Fats Sadi (vibrafone e bongô), os americanos Jimmy Woods (baixo e vocais) e Joe Farris (bateria e percussão) para completar o grupo. É curioso observar que no repertório predominam melodias e ritmos latino-americanos com arranjos de Francy Boland. Em “Ebony Samba” (Luiz Bonfá), “Lush Life” (Billy Strayhorn), “Tin Tin Deo” e “Lorraine” (Dizzy Gillespie), “Potter´s Crossing” e “Ensadinado” (Jimmy Woode), “Wives & Lovers” (Burt Bacharach), “Day by Day” (Axel Stordhal/Paul Weston/Sammy Cahn), “Love Hungry (Jack Sels) e “please Don´t Leave Me” (Sahib Shihab), realizam uma viagem musical através dos ritmos e músicas de Cuba, Brasil, África e Estados Unidos.

O caráter exótico-misterioso de “Ebony Samba” transparece nos solos de Shihab (flauta) e Boland (piano). “Lush Life”, obra-prima de Billy Strayhorn, cuja atmosfera reflexiva é valorizada pela flauta de Shihab, abriga o primeiro dos três vocais de Jimmy Woode nesta sessão, sustentado por discreto acompanhamento de Boland e Fats Sadi. “Tin Tin Deo” é uma explícita referência à música cubana sustentada pela efervescência dos bongôs de Sadi e Joe Harris. O destaque cabe a Shihab (flauta), cujo solo inflamado resulta em sugestivos efeitos de execução.

Após a abertura de “Please, Don´t Leave Me”, por Woods no baixo, seu vocal é entremeado por dois segmentos intercalados, nos quais Shihab desenvolve seu solo acompanhado pelos ativos bongôs de Sadi e Harris. “Potter´s Crossing” é um blues de 12 compassos valorizados pela improvisação de Shihab (flauta) com abundantes ideias e suingue, seguido por Sadi (vibrafone) e Boland (piano).

A conhecida “Wives & Lovers” é levada em confortável andamento 3/4 de valsa, na qual o arranjo de Boland criou passagens com interlúdios valorizados por Sadi e Boland. “Ensadinado”, cantado por Woode, seguido por Shihab com excitantes efeitos de execução em duo com Sadi, antecede o retorno do vocal de Woode no encerramento da faixa. “Lorraine”, dedicado à esposa de Dizzy Gillespie, é outro tema com tintas latinas explorado por Sadi e Shihab ativamente acompanhados pelo bongô de Harris. O standard “Day by Day” é outro vocal de Jimmy Woode, seguido por Shihab em solo vibrante, Boland ao piano e o retorno de Woode cantando. “Love Hungry”, uma introspectiva balada de Jack Sels, em clima de fim de noite, é um final mais que apropriado para Music for the Samall Hours. ”

Nestes dias de frio e chuva, uma coleção de músicas para a alma sonhar e vibrar.

Brad Mehldau: a arte do piano

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A primeira reação ao escutar o nome de Brad Mehldau é pianista de jazz. O que não deixa de ser verdade. Desde cedo estudou piano, primeiro os clássicos, depois o ingresso nas escolas entre elas a Berklee College of Music e a New School for Jazz & Contemporary Music. Teve brilhantes professores. Mas, quando frequentava a New School for Social Research que Jimmy Cobb o convidou a integrar sua banda. Jazz. Depois, a lista de nomes cresceu: Joshua Redman, Charlie Haden, Lee Konitz; gravou com Wayne Shorter, John Scofield e Charles Lloyd. Passos importantes para nos anos 90 criar o seu trio com o baixista Larry Grenadier e o baterista Jeff Ballard. E os discos foram chegando. Sempre com repertório clássico do jazz, com uma leitura muito particular e especial de Mehldau. Por vezes, ao escutar seu piano, fica a sensação de que os demais instrumentos são apenas acessórios, complementos, sem demérito algum aos grandes instrumentistas que o acompanham. Brad é capaz de fazer de cada tecla do seu piano um campo semeado de texturas únicas. Influências de Schubert, Oscar Peterson, Keith Jarret, Miles Davis, John Coltrane e uma inapropriada comparação com o “jeito” de tocar com Bill Evans, podem ser o início de uma explicação para o que é Brad Mehldau. Em torno das improvisações, seu talento se transforma e o piano passa a ser muito mais que um instrumento. universal, também se alimenta da música brasileira para suas composições e arranjos. Qualquer disco de Mehldau – The Art of The Trio – é um presente daqueles que a gente guarda para ocasiões muitos especiais. Sua música é poesia.

Foto: capturada no site http://www.bradmehldau.com

Scott Feiner & pandeiro jazz

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O jazz com suas improvisações desfez fronteiras. Criou possibilidades inimagináveis. Instigou músicos, instrumentistas, compositores, intérpretes. O público, muitas vezes dividido, conheceu o melhor de nomes como Miles Davis, por exemplo. Como o blues, não há sossego no jazz. Não pode haver. Nas rupturas formais, o novo. As combinações nascem. Scott Feiner não ficou insensível ao novo. Acreditou nas possibilidades abertas. E encontrou no pandeiro, tão característico da cultura musical brasileira, um parceiro. E de Manhattan ao Rio de Janeiro pareceu apenas um pulo. E o então guitarrista de jazz já conhecido por tocar com ícones como Brad Mehldau e Larry Golding, além de ter estudado com uma das lendas do sax Jackie McLean, inovou. Ao ser apresentado ao instrumento brasileiro a paixão foi imediata. Veio para o Brasil e transformou o pandeiro em sua vida e o fez ser a primeira sonoridade de percussão ser diferente, deixando a clássica bateria de lado. Assim, suas tessituras musicais ganharam uma dimensão sutil e generosamente criativa no universo jazzístico. As surpresas são discos como A view from below, dois mundos, acentos e pandeiro jazz, não na ordem de lançamento aqui listados. Todos com nominações para prêmios, todos com críticas positivas, todos com as surpresas também se renovando. Entrar no mundo de Scott Feiner é conhecer o quanto a música, independente de gênero, é capaz de mexer com a criatividade do ser humano e instigar o imaginário de quem escutar o que chega ao mercado. Um presente.

David Doruzka: Silenty Dawning

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Viajar é sempre um alento para acolher o novo. Mais que descobrir, encontrar o nosso interior se faz intenso e renovador. Para além das águas do Atlântico, a cultura, as gentes e a história marcaram esses encontros e o que era apenas peso de viagem se transformou em bagagem de vida e conhecimento. Avancei, naturalmente, mais na música. Porém, sempre tem que aparecer um porém mas esse por minha absoluta culpa, procurei os artistas latino-americanos que por mais incrível que pareça é muito complicado de ter em alguma loja na Argentina, Uruguai ou Chile quanto mais no Brasil. E outros que gosto e nunca pude ter em mãos. Enfim, uma colheita reduzida que ao fim de sua estação me deixou feliz. E consegui uma coletânea do Inti Illimani, mesclando o antigo com o novo, uma caixa com quatro álbuns do compositor espanhol Enrique Granados com obras completas para piano com Marylène Dosse, um Crosby, Stills & Nash dos melhores, tangos de Piazzolla, sendo um caderno com concerto para bandoneón, francês, com Pablo Mainetti e Josep Pons, e mais Piazzolla, Raulito Barboza, que já postei aqui, dois encartes de jazz editados pelo Le Monde – 40 encartes lançados – um do Chet Baker, outro do John Coltrane, e Bob Dylan, The Who (Tommy), Leonard Cohen, sempre indispensável, e outros que nem lembro mais. E então me dei conta pelas tantas, durante a viagem, que não estava procurando nada dos locais por onde passávamos.  No último dia em  Praga, na República Tcheca, entramos em uma loja de discos e comprei um cd do David Doruzka. Jazz, nada de folclore, ou algo mais próximo. No retorno a Porto Alegre, confesso, não foi dos primeiros que escutei. Fui direto aos latinos e o mergulho revitalizou minhas veias. Até o dia em que David foi para o player. O guitarrista, acompanhado pela voz da sueca Josefine Lindstrand, pelo baixo polonês de Michal Baranski e pela bateria/percussão Lukasz Zyta passeia suavemente por doze belas canções em inglês e tcheco. Poemas de Emily Dickinson musicados, músicas autorais, e outros compositores locais completam o repertório em que as influências recebidas quando estudou nos Estados Unidos se faz presente. Há um quê de Telonius Monk, John Coltrane, Sonny Rollins, que apenas forjam para melhor o seu jeito de interpretar o jazz. Trabalho minucioso, elabora com requinte e talento, David faz o seu caminho sem quebrar dogmas do gênero, contudo apresenta no estilo e na estética o seu jeito de “ler” o jazz, trazendo junto também as experiências dos companheiros de gravação. O resultado final é belo e tranquilo. Silently Dawning é um disco maduro e sensível. Lamento apenas ter demorado a escutá-lo.

Hermeto Pascoal, o mago Merlin da música brasileira

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Está bem, o título pode estar exagerado, assumo o exagero consciente. Tive a felicidade de, quando editor da Revista Porto&Vírgula, à época da sua edição pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, entrevistar e almoçar com Hermeto Pascoal em duas oportunidades. Isso nos anos 90, em que aqui esteve para shows, em especial no então velho Auditório Araújo Vianna sem cobertura, com bancos de madeira fissuradas pela ação do tempo. O tempo todo em que esteve disponível à imprensa mostrou-se alegre, irreverente, inquieto, persuasivo, feliz. Impossível levar adiante uma conversa com ele sem cair no riso com suas bem humoradas frases e efeitos sonoros que criava a cada instante com qualquer objeto que aparecia em sua frente. Uma experiência marcante e sobretudo humana de alguém que acima de tudo o tempo todo em que esteve sendo entrevistado jamais ficou contrariado com qualquer pergunta. E respondia com o jeito Hermeto de ser. Muito próximo de beijar os oitenta anos, na verdade será em 22 de junho de 2016, esse filho das Alagoas, nasceu para o mundo. Sem qualquer exagero. O som, seja ele qual fosse sempre foi uma fonte de atração desde pequeno. Nada escapava. Até que um dia partiu para o Rio de Janeiro tocar sanfona, que já havia aprendido com seu irmão lá em Lagoa  da Canoa, hoje Arapiraca, no Regional de Pernambuco do Pandeiro (na Rádio Mauá) e, em seguida, piano no conjunto e na boate do violinista Fafá Lemos e, em seguida, no conjunto do Maestro Copinha, flautista e saxofonista, no Hotel Excelsior. Alguns anos depois, em 66, cria o Quarteto Novo com nada mais nada menos que Airto Moreira, Heraldo do Monte e Théo de Barros (basta uma pequena ida ao Mr. Google para descobrirem a relevância de cada um em nossa música.) Pouco depois, partiu para os Estados Unidos, gravou com Flora Purim e Airto, conheceu e gravou com Miles Davis, e a partir daí ganhou o mundo. A sua obra é universal com profundas raízes brasileiras. Absorveu as influências, em especial do jazz, mas se manteve com um brasileiro fincado em sua terra. De criatividade incansável, não há o que não possa transformar em música e  harmonias o que sente e o que cai em suas mãos. Não por acaso, pensando melhor, é mesmo o nosso mago Merlin da música.

John Pizzarelli meets The Beatles

John Pizzarelli

John Pizzarelli foi formado para o jazz. Para os standards consagrados dos irmãos Gershwin, e outros mais cujos nomes agora me fogem à memoria. Não sei se foi um projeto tipo Harry Connick Jr. de ser uma espécie de Frank Sinatra moderno. Sei que há bons trabalhos de Pizzarelli com sua suave guitarra. John Pizzarelli meets The Beatles é um disco que surpreende talvez nem tanto pelo incomum, pelo diferente, e sim por uma unidade de arranjos a cada canção que compõe o trabalho com corpo inteiro de jazz. Se uma ou outra escapa de uma interpretação mais ousada ele, no entanto, cumpre com o seu objetivo de homenagear os fabulosos de Liverpool sem muitas ousadias. Valendo-se da formação clássica guitarra, baixo e bateria e acompanhado em algumas faixas por piano e big band ele consegue um resultado em que vai alternando as canções de acordo com seus intérpretes originais. Assim, pode tentar parecer mais próximo de Lennon em “Get back” ou “Can´t buy me love”, que abre o disco. vez por outra tenta inovar um pouco mais e aproveita o arranjo para “Eleonor Rigby” para propor algo mais diferente. Mais improvisado talvez, em especial através do piano. Cada canção tem a sua característica com marca registrada, e já outros que incursionaram pelo universo beatle sabem o que isso significa. E então a sensação de que alguma coisa escapa pelas frestas das harmonias de Lennon&McCartney e George Harrison (“Here comes the sun”) inunda a audição. Não há perdas consideráveis e Meets The Beatles é um trabalho bom e digno. Agradável de se escutar se a exigência não for maior. E afinal, é sempre interessante conhecer trabalhos que pretendem se aprofundar em verdadeiros ícones da música. Não é perda de tempo escutá-lo.

Wes Montgomery, a guitarra do jazz

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A formação clássica do jazz tem tudo a ver com Wes Montgomery. O seu estilo, o seu jeito de tocar foi precursor e quem sabe único até então, e aqui fala-se em anos sessenta.Ainda que tenha se tornado guitarrista muito tarde, visto que perdeu a vida ao contrário, muito cedo, o autodidata não se valia da palheta para tirar das cordas a sonoridade que criava em seus solos fantásticos. Havia muita harmonia e melodias que fluíam de sua guitar tanto que que sua forma tão rica e pessoal se tornou referência para nomes como Pat Metheny e George Benson, por exemplo. Se não chegou a ser uma espécie de Miles Davis, que simplesmente fez rupturas com o jazz, Wes trouxe ao gênero toda uma fluidez e liberdade de criação para além das improvisações que caracterizam tão bem os jazzistas. Suas melodias soam, cada vez que se escuta, com uma límpida e cristalina suavidade que envolve sentimentos e é impossível não se parar em silêncio e se deixar levar por suas interpretações. Montgomery foi tão extraordinário que gravou Beatles, de forma insinuante e bela.Tornou famosa a formação do Trio Montgomery formado por sua guitarra, um órgão Hammond e bateria, isso em 1959. Sem dúvida, um precursor que viveu e aprendeu e tocou com os grandes como Leonel Hampton, John Coltrane o que por si já revela o quanto maiúsculo foi como compositor e instrumentista. A morte prematura, com pouco mais de quarenta anos, traído pelo coração, deixou uma lacuna que ainda não foi preenchida. Talvez jamais será. O jazz com Montgomery tem uma conotação que somente quem escuta com a alma pode sentir.