Tindersticks: o melancólico e belo “Can our love”

Tindersticks-CanOurLove

Gostar do Tindersticks nunca foi algo sobre-humano para mim. Ao contrário. Do simples gostar da capa do disco e deixar que suas músicas frequentassem meu player foi apenas o tempo de encontrar o cd. Nada além disso. Na verdade, tudo começou com uma pequena nota reproduzindo a capa acima (Can our love), sem mais uma única palavra que não fosse melancólico. Enfim, álbum à disposição depois de sei lá quanto tempo atrás, e a surpresa: são muito bons. Está certo que em alguns momentos derivam para algo mais parecido ou que eventualmente possa ser levado a ser uma influência do Doors, ou de outra banda, sem perder de vista sua sonoridade. Os ingleses mantém desde o início uma característica: arranjos bem elaborados, passagens instrumentais de muito virtuosismo e os vocais que lembram melancolia, para alguns críticos são fúnebres, são bem-vindos no resultado final. O seu disco, cuja foto de capa lembra o ator Liam Neeson, é outro exemplar bem acabado dessa ideia que permeia os trabalhos do Tindersticks. É, sem dúvida, um trabalho emocional e com doses certas de humor mesclando a tal de melancolia a que me refiro. Tempos depois me deparei com outro dos seus discos: Ao vivo no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Ao vivo tudo se transforma, e mesmo sabendo que passa por estúdio, arranjos ajustados e etc. continuei gostando do resultado final. Isso que sequer passei perto das trilhas que compõem para cinema. Tindersticks é sinônimo de excelente música e bons momentos, aqueles que a solidão é uma companheira e mesmo com toda a melancolia das canções, há um gosto de sol nelas.

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