Nigéria, tradição e cultura com o Grupo Ìbejì

Ibeji

Mais que sabido e conhecido, os ritmos e sonoridades e cantos africanos nos conduzes por caminhos infinitos. Na África, a vida musical é muito mais que horizonte, é essência. É oxigênio. É preservação. É fonte inesgotável. Não por acaso muitos dos ídolos e talentos do rock – para ficar apenas no rock – bebem dessa fonte. E bebem em águas profundas. Revitalizam suas cordas e seus acordes. Seus cantos. Suas danças. O fino tecido que cobre a natureza da vida está ali. Vivo.
O Grupo Ìbejì chega com o cd Ìtàn òrun àti ilé ayé. Não é um disco comum. Não é um disco que você irá encontrar a veia comercial abrindo fendas. Longe disso. Expressa a cultura, os ritmos, as danças e o drama da cultura Yorùbá. O percussionista e dançarino nigeriano Ìdòwú Akínrúlí é o grande comandante dessa travessia. Funde essas expressões tão profundamente africanas com um quê de cultura ocidental, sem perder um único milímetro da estética e da alma do seu continente. Para além da cultura do povo Yorùbá, abraça vários dos seus elementos históricos, da religiosidade, da arte e da língua. O resultado é um álbum uniforme em sua proposta e execução. É uma expressão que se universaliza como matriz dessa cultura em solo brasileiro. E em seus fundamentos a razão da sua ancestralidade, da sua identidade serem preservadas quando os tambores falam e contam suas histórias. Mais que um disco, um manifesto. Um infinito de almas que se encontram e formam outras tantas almas. Pura vida e emoção. Visite o site http://www.iluakin.com.br/ibeji para saber mais, para participar do projeto, para preservar também sua própria identidade. Que bom que vocês existem Grupo Ìbejì.

A foto foi capturada no site do Grupo Ìbejì.

CD Cuando la tierra: necessário e sensível

ImagemO sol ainda se estende na distância que separa as horas uma das outras. Mais longas no verão, mais curtas no inverno. O pampa é inverno. É mais para dentro. Fogo queimando, brilho tinto à noite.

Cuando la tierra não tem fronteiras. É assim, para dentro, onde a liberdade acorda as raízes dos campos e das cidades. Os acordes chegam e vão longe. Percorrem distâncias sem mapas. Chegam e se instalam em cada lugar em que a terra seja terra e a semeadura seja mais que grãos a cada manhã.

O tempo percorre o destino em segundos menos antes de chegar uma hora. Suficiente e eterna. As 19 faixas revelam Daniel Mendoza. Expõem sua identidade, sua história sem medos. Seu canto é o canto que vem de muito longe e habita muito dentro. É um alerta. É alento. Traz nas veias Atahualpa Yupanqui, Alfredo Zitarrosa, Daniel Viglietti, Aníbal Sampayo, Jorge Cafrune, Horácio Guarany, Ramon Ayala. O repertório seduz, alimenta. É semeadura. É passado, é presente, é futuro. Os tempos em seus tempos. As cordas dos violões de Daniel e de Marcelo Fébula marcam o ritmo dos dias de hoje. Colhem, maduros, os grãos antes semeados. Esperam a nova safra. São complementares suas harmonias, são consequentes, vibram na suavidade da terra que cantam, que a voz de Daniel fecunda com identidade profunda. Fébula gravou em 2001 o álbum Danzarín  e agora trabalha mais um disco para mais adiante como Dúo Walter Aravenis & Marcelo Fébula. Entre um e  outro, Cuando la tierra.

É um disco necessário, sensível em uma época em que insistem em impor modismos que apenas confundem. Que esquecem a tradição, a cultura, o jeito de ser de uma gente que vive sem sombras e sem medo de um mercado que mais consome que pensa. Daniel e Marcelo fazem pensar com a poesia do trabalho.

Cuando la tierra é autêntico, motivo mais que suficiente para ouvi-lo. Para tê-lo em mãos. E quando a noite ocupar o espaço do sol, deixar que o tinto apazigue a alma.

Cuando la tierra, Daniel Mendoza, com Marcelo Fébula, Juan Manuel González (guitarra em Campesino e Milonga de andar lejos) e Marcelo Bruni (bandoneón em Vuelvo al sur). Argentina, Independente. 59min32s.

www.youtube.com/watch?v=1BtT76ACqLg.

www.youtube.com/watch?v=hwHJ7yliRA0