Humanidade: Fronteiras fechadas

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2015. Século XXI. Será? Boate Kiss, Santa Maria. Mariana, Minas Gerais. Paris, França. Líbano. Síria. Imigrantes náufragos. E a lista não para de crescer. 2015. Século XXI. Será? Dia após dia, a humanidade fecha suas portas. E nós perdemos a chave para abri-la. Ontem, Mariana, o desastre, dezenas de vidas perdidas e desaparecidas. O Rio Doce assassinado. Milhares sem água, sem alimentos, sem vida. Ninguém preso. Hoje, o terror em Paris. Mais de centena de vidas sem vida. Em nome de quê? E amanhã? Será que amanheceremos?

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Por Aylan Kurdi: * 2012 * 2015

A foto estampa todos os jornais e sites do mundo inteiro. Não é necessário reproduzi-la. Assim continua caminhando a humanidade. Até quando? Quantos mais?

O sacrifício de Aylan, o pequeno sírio, não seja vazio e apenas contemplativo aos nossos olhos. Olhos de uma civilização que naufraga a cada fração de segundo que o mundo gira.

Pablo Neruda, simplesmente poesia

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O primeiro olhar é suficiente pra afirmar o quanto a foto acima é comum, sem estética, com equívocos técnicos, vazamento de luz, reflexo acentuado à esquerda de quem olha, uma névoa ao fundo, distorcendo o horizonte. Enfim, uma foto sem nenhum atrativo. No entanto, a foto mostra é a vista que Pablo Neruda vivia todas as manhãs do seu quarto. proibido de fotografá-lo (o quarto), restou a imagem do Pacífico chegando à praia íngreme de Isla Negra, onde descansa o poeta. O dia em sua casa próxima a Valparaíso, no Chile, é um daqueles momentos em que o mundo para de girar e os sentidos se ajustam aos movimentos das águas e das cores. Neruda mais que Nobel de Literatura, foi um homem engajado em favor da humanidade e da justiça. Um homem que fez da poesia seu canto. E também o nosso canto. Confesso que vivi nos momentos em sua casa uma vida inteira. E a poesia cresceu como fruto até amadurecer dentro de mim.

El viento en la isla

El viento es un caballo:
óyelo cómo corre
por el mar, por el cielo.

Quiere llevarme: escucha
cómo recorre el mundo
para llevarme lejos.

Escóndeme en tus brazos
por esta noche sola,
mientras la lluvia rompe
contra el mar y la tierra
su boca innumerable.

Escucha como el viento
me llama galopando
para llevarme lejos.

Con tu frente en mi frente,
con tu boca en mi boca,
atados nuestros cuerpos
al amor que nos quema,
deja que el viento pase
sin que pueda llevarme.

Deja que el viento corra
coronado de espuma,
que me llame y me busque
galopando en la sombra,
mientras yo, sumergido
bajo tus grandes ojos,
por esta noche sola
descansaré, amor mío.

Poema capturado no site: http://www.neruda.uchile.cl
Livro: Los Versos del Capitán, coletânea, 1993
Editora: Seix Barral

Intolerância, barbárie… Até quando?

Após o atentado contra a Humanidade ontem, em Paris, que se junta a tantos outros quase perpetuando a vitória da barbárie, ao ler vários comentários e análises sobre confesso estar estarrecido com a posição de muitos, em especial as opiniões que circulam pelas redes sociais. Para além da questão da liberdade de expressão (aliás, um patrimônio a ser preservado) violentada, há vidas que foram ceifadas, famílias que perderam o chão em que pisavam até então, os valores humanos se esvaindo por armas letais. Isso é para todos os lados. Temos muito em que pensar. E as palavras fogem. Ao acessar o site da espn, me deparei com o comentário do jornalista Mauro Cezar Pereira. Lúcido e sobretudo humano, vale ler seu texto. O link está abaixo. Os comentários que acompanham o artigo também mostram a  fragilidade de todos nós, exercício (da tolerância, por exemplo) que devemos praticar cada vez mais para uma vida mais digna.

http://espn.uol.com.br/post/473204_os-intolerantes

Honrar a vida

A todos que aqui aportam, aos que ainda não conhecem esse pequeno cais de palavras, sem exceção, neste dia de simbolismos e realidades, o desejo de Chronosfer de felicidade e paz a todas as pessoas de todos os cantos e lugares possíveis e imagináveis e inimagináveis e que possamos exercer em nossos cotidianos a solidariedade, a tolerância, o discernimento, a consciência e a sensibilidade em favor da Humanidade, repito, sem exceções, sem nenhuma espécie de fronteira.

www.youtube.com/watch?v=Mwb-bPADZjg

(Lito Vitale ao piano e Sandra Mihanovich na voz: Honrar la vida)

11 de Setembro, data para jamais ser esquecida

11 de setembro sacode o mundo. Abala todos os alicerces da humanidade. A civilidade desceu vários degraus. Encontrou o fundo do mais fundo que podemos atingir. 1973 e 2001 anos em a História sofreu duros golpes. O Chile ainda em ebulição com o governo socialista de Salvador Allende enfrentava resistência. A Unidad Popular, que se elegera de forma legítima, viria a ser derrubada, a ter a sua Constituição rasgada por sangrentos ataques ao Palácio La Moneda. A queda de Allende, protagonizada por setores da direita chilena unida a tantos outros setores da sociedade civil e em especial do exército comandado por Augusto Pinochet, deu início a talvez mais dura ditadura da América Latina. O sacrifício dos que apoiavam o governo, em particular os artistas e intelectuais – Victor Jara foi assassinado, Inti Illimani estava na Europa e lá permaneceu até 1988, proibidos de viverem em seu país são exemplos da crueldade da mão de ferro de Pinochet – que sofrem as consequências de tentarem transformar o Chile. O resultado todos sabem, o povo paga muito caro ações de golpistas, ações de quem rasga a Constituição sem olhar à frente de seus próprios passos. O sacrifício do presidente eleito foi um sinal para a América. Não aprendemos absolutamente nada. As ditaduras foram se alternando no Brasil, a nossa começou em 1964 e foi agravando com medidas como o AI-5, por exemplo, atentados, torturas, censura, e a lista não para de crescer, Uruguai, Argentina. Hoje, quando a Democracia ainda é um sonho a ser realizado, pouco se faz, pouco se avança. Vivemos de esperança e ela se esvai seja pela condução frágil do combate á corrupção, pela reforma política nunca realizada, pela impunidade cada vez maior, por campanhas eleitorais que agridem ao eleitor, por promessas não cumpridas e a lista é a cada dia maior. Isso sem falar em Educação, Economia, Segurança – será que hoje voltarei para casa? -, Emprego justo, Saúde compatível com as necessidades da população, Cultura. Paro aqui, pode parecer campanha eleitoral. Porém, fica um apelo à Justiça Eleitoral, adote o voto facultativo, tenho certeza que o brasileiro cansou de ser enganado. Ouçam as verdadeiras vozes das ruas, as que mostram o rosto e falam firme e têm consequência no que pensam e quere fazer. Nos que desejam um Brasil que seja Brasil de verdade.

Outra ponta da História aconteceu em Nova York. Hoje, treze anos do atentado às Torres Gêmeas. A morte de milhares de pessoas. O terrorismo assumindo o controle e desestruturando a vida. radicalismos levam tão somente á destruição, à morte. Nada se constrói, nada se transforma. Os atentados vistos em tempo real são um ataque à Humanidade. Ali, perdemos o sentido da vida. As diferenças não podem silenciar quem pensa ou é diferente. Devem ser motivo de aproximação. Utopia? Ingenuidade? Pode ser, quem sabe amanhã seja possível o convívio entre as diferenças.

Em 1906, Mahatama Gandhi criou o termo SATYAGRAHA, que pode ser traduzido por firmeza na/da verdade. Vem de Satya (verdade) e Agraha (firmeza).A palavra foi utilizada como forma de desobediência civil durante os movimentos de resistência NÃO VIOLENTA na Índia e África do Sul. Os motivos todos sabem. Está aí palavra adequada para os dias de hoje: verdade. Firmeza na verdade. Firmeza da verdade. Seguiremos esse caminho?
Na sequência, foto do ataque às Torres e abaixo Santiago do Chile.

Foto de Greg Semendinger/AP/NYPD via ABC News

Foto de Greg Semendinger/AP/NYPD via ABC News