O folclore de Luis Fernando Amaya, por Marcelo Fébula

O Marcelo Fébula, jornalista, músico e turfista, vem contribuindo todos os meses com seu talento e conhecimento com material inédito em nossas terra sobre o tango e, hoje, chega aqui com uma nota sobre o folclore de Luis Fernando Amaya. Ao Marcelo, Chronosfer agradece a preciosa presença neste espaço, que o qualifica. Gracias, amigo.

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Luis Fernando Amaya e Tres para el Folklore

Luis Fernando Amaya (1939-1968) viveu apenas 29 anos de idade, mas em sua curta vida revolucionou a guitarra argentina. Sua influência chega até os dias atuais.

Nasceu em Las Varillas, passou sua infância e adolescência em Río Tercero (aldeias da província de Córdoba) e depois levou sua arte até Córdoba, Buenos Aries e Europa.

Foi um dos fundadores do lendário conjunto “Tres para el Folklore” juntamente com Carlos “Lalo” Homer e Prudencio “Chito” Zeballos (depois substituído por Alberto Santiago “Pepete” Bértiz), e foi o primeiro guitarrista convidado para interpretar a Misa Criolla, considerado um dos melhores trabalhos da música folclórica Argentina.

Também acompanhou figuras solistas como Chito Zeballos, Horacio Guarany, Mercedes Sosa, Tomás Campos, Marián Farías Gómez, Hernán Figueroa Reyes, etc.

Luis Amaya. Sem dúvida, um dos gênios da música Argentina.

Links e pequenos comentários de cada um deles:

https://www.youtube.com/watch?v=tWLH4vI9zXc

ZAMBA DEL CHAGUANCO (zamba). Letra: Antonio Nella Castro. Música: Hilda Herrera.

Mercedes Sosa y Luis Amaya. Gravado na Europa em 1967.

https://www.youtube.com/watch?v=kMj89U7sckc

CHAYITA DEL VIDALERO (chaya). Letra y música de Ramón Navarro.

Prudencio “Chito” Zeballos, Luis Amaya y Domingo Cura. Gravado na Europa em 1967.

https://www.youtube.com/watch?v=zhVybZ9hzus

PÁJARO CAMPANA (canção tradicional paraguaia compilada por Félix Pérez Cardozo).

Luis Amaya e Chito Zeballos. Gravado na Europa em 1967.

https://www.youtube.com/watch?v=mKeUewRC1G0

LA ATARDECIDA (zamba). Letra: Manuel Castilla. Música: Eduardo Falú.

Chito Zeballos y Luis Amaya.

https://www.youtube.com/watch?v=rcGXepBi-d4

TRES PARA EL FOKLORE

Álbum completo gravado em 1961

Horacio Guarany y Soledad Pastorutti: Juntos por unica vez

Horacio y Sole

Histórias de vida e de estradas costumam ter pontos comuns. Outras vezes, uma nada a ver com a outra, como se fossem bifurcações e uma escolha a ser feita. A vida é assim, como uma estrada, feita de bifurcações e escolhas. A Cultura em suas expressões reflete a vida. Às vezes, através da ficção. Outras, com a realidade ao alcance da compreensão. Quando há motivos para que haja encontro, o sonho passa a ser real. A realidade bem menos cruel. Mais suave. Sem deixar de ser realidade. Horacio Guarany e Soledad Pastorutti marcaram esse encontro de gerações diferentes e que trazem ao mesmo tempo um pouco antes de chegarem às bifurcações muito de pontos comuns. As linguagens dialogaram com fluência. Podemos compreender. Juntos por única vez gravado ao vivo no Luna Park de Buenos Aires em outubro de 2002 é isso. A compreensão do sentido das escolhas e das bifurcações. Ele, da província de Santa Fé, um homem da terra, um homem da palavra, um homem que leva consigo o violão e começa a criar laços com a experiência que a vida proporciona. para ser traduzida em versos e canções. Um homem que busca de forma incessante a liberdade do homem da terra. Horácio Guarany, seu nome. Ela, gerações adiante, acolheu o que para muitos é passado, para outros tantos é história. Também santafesina, provou do pop e do folclore. Sentiu os dramas da terra. Uniu a ambos. Muito em comum. Seguiu por outras linguagens, sem se afastar do núcleo, o folclore argentino. Em certo período de sua exitosa carreira foi chamada de nova Mercedes Sosa. Tem sangue, tem raça, tem força, tem luz. Ela, Soledad Pastorutti ou La Sole. Juntos, gravaram um disco comovente. Daqueles que se abraça e não larga mais, só para escutá-lo, As mesclas e fusões de estilos e  canções ganham proporções de encontro. Não há bifurcações senão um único caminho que a canção oferece. Vinte delas no disco. Vinte momentos de intensidade da cada um e de quem esteve no Luna Park. Um disco que não se esgotou em si mesmo. Transborda essa margem para tornar-se ainda mais livre. E vamos juntos com eles. A história se fazendo e construindo outra estrada, mais uma das tantas que constrói. Faremos a escolha certa? Eles continuaram se encontrando. Felizmente. Para a música, para a história, para a Cultura e para nós.