David Gilmour: The Orb – Metallic Spheres

orb-metallicspheres

Algum preconceito acompanhou este trabalho do The Orb por ser eletrônico e foi muito rejeitado inclusive pelo público. Alguns críticos se debruçaram sobre Metallic Spheres por uma única razão: a guitarra de David Gilmour. Evidente que o nome Gilmour atrai e logo se faz a associação com o Pink Floyd. Não se pode negar a presença floydiana nas composições do guitarrista, quem sabe o seu segundo disco About Face escape dessa fortuna, mas afinal qual é o problema? A música de atmosfera, tão rejeitada por tantos, aqui se coloca em um nível em que o abstrato recebe doses generosas da genialidade de David sem nenhuma espécie de concessão. O seu instrumento vibra com tamanha intensidade que torna o disco muito bom de ser escutado. A união de composições – vejam bem quem está assinando alguma faixa – com Graham Nash – é, o Nash do Crosby, Stills, Nash & Young – mais a presença da violonista Marcia Mello (em “Black Graham”) com os tripulantes da nave eletrônica da Orb Alex Paterson e Youth com os backing de Dominique Le Vac e os teclados de Tim Bran, fez de Mettalic um álbum em que os gêneros convivem em harmonia. Claro, não é para ser escutado a todo instante, mas também não é daqueles que se coloca em sala de espera de escritório ou em elevadores. Exageros e preconceitos distantes, trata-se de um disco conceitual muito bem elaborado em que o brilho de David Gilmour assegura toda a sensibilidade necessária para que haja sobretudo unidade entre as duas partes em que foi dividido: Mettalic Side e Spheres Side. E, naturalmente, apenas para repetir, muito do estilo de tocar cravado no estilo Pink Floyd de Gilmour. Vale a audição e bons momentos de uma música que flui como um rio ao encontro do mar.

Joni Mitchell: Love has many faces

Joni Love

Joni Mitchell é muito mais que um nome na folk music. Desde que lançou seu primeiro disco no emblemático 1968, Song to a seagull, com produção de David Crosby, e desde lá já tinha a participação de Stephen Stills, por exemplo, ela traçou um caminho significativo em sua carreira. Não se limitou a fazer apenas canções apaixonadas e suaves ao violão. Seu trabalho como letrista e artista tem extrema relevância nesse seu caminhar. E também, revela sempre a inquietude dos criadores. Em 1971 veio Blue, maiúsculo e denso. Para em 1974, pisar firme no jazz/pop de Court and Spark sem se afastar da matriz folk, sua essência. E sempre ao longo dos anos vais construindo uma solidez musical, que mesmo quando tropeça em algumas canções, se mantém coerente com seus princípios e relevando sua maturidade. A caixa Love has many faces: Quartet, A ballet, Wainting to be danced avança sobre trabalhos conhecidos e nem tão conhecidos. Muitos com uma “nova roupagem” e mostra as faces verdadeiras de Joni. É uma interessante mostra de como a sua música foi se formando e sua perspectiva seguindo direção segura em seu projeto de vida seja musical ou mesmo pessoal. Talvez não seja “um resumo” que seus fãs gostariam de ter em mãos. Porém, sem dúvida, é uma coletânea muito rica de uma cantora e compositora que tem a seu lado músicos como David Crosby, James Taylor e Graham Nash, para ficar em apenas três dos ícones do acústico. Belo disco, envolvente e profundo.

Joni

www.youtube.com/watch?v=50zkUclo-cw

www.youtube.com/watch?v=E2nxCSTAq9c

www.youtube.com/watch?v=cRjQCvfcXn0

www.youtube.com/watch?v=LoKBGotuNhc

Fotos: capturadas no site http://www.allmusic.com