Mark Knopfler, Chet Atkins, Eric Clapton, George Harrison, David Gilmour, …

Blues, Folk. Country, Jazz, Rock, não importa o gênero. E porque é sábado, a música, a sensibilidade viajam pelo tempo e pelo espaço.

Anúncios

The Concert for Bangladesh

the-concert-for-bangladesh-W320

Agosto de 1971. O tempo não parou. O que motivou o ex-beatle George Harrison e Ravi Shankar a reunirem milhares de pessoas em dois dias no Madison Square Garden, em Nova York, continua atual. Pior, continuamos iguais. Se lá no início dos setenta os shows foram organizados para aumentar os esforços internacionais de sensibilização e de alívio aos fundos para os refugiados do Paquistão Oriental (hoje Bangladesh ), na sequência da Guerra da Libertação de Bangladesh, muito relacionado com o genocídio praticado então, os noticiários dos dias de hoje não nos distancia dessas razões. O poço em que a humanidade entrou não tem fim. Suas consequências, alimentadas ano após ano, chega a um momento de esgotamento da capacidade de reconstituição dos valores humanos. Falta de esperança? Desânimo? Não. Apenas a triste e discernida consciência de que caminhamos para o caos dos caos, onde os tecidos da sociedade se desfazem seja por um bombardeio, seja pela intolerância, seja pela corrupção, seja pelo preconceito, seja pela impunidade, seja por um lista infindável de situações que nos aprisionam dentro de nós mesmos. O exemplo de Harrison contou com uma “pequena ajuda dos amigos” Ringo Starr, Eric Clapton, Bog Dylan, Leon Russell, Billy Preston, Badfinger, Jim Keltner, Klaus Voormann e Jesse Ed Davis entre vários outros. Assisto o documentário. Escuto o disco. A parte deste todo que é a humanidade precisa parar, voltar um pouco para dentro e então buscar respostas mais contundentes e sérias para a crise de …falta de humanidade que vivemos. Continuo com a ingenuidade da utopia a guiar meus passos. Acreditar que é possível mais que um objetivo é uma razão para viver. Concertos como o realizado por George Harrison apontam, simbolicamente, este caminho. Em 2015, falta apenas o primeiro passo.

Chants of India: Ravi Shankar & George Harrison

Chants od India

Celebrar a paz ainda parece ser um desejo distante nos dias de hoje, ainda que exatamente por agora o fim de uma era de terror e barbárie esteja sendo reverenciada. Quase duas décadas atrás Ravi Shankar e George Harrison realizaram o que talvez seja o seu último encontro em disco. Chants of India é um álbum composto por orações com música indiana, em um trabalho muito conhecido e familiar de Shankar, trazendo a cada uma das 16 faixas cantos de paz e harmonia entre todos os elementos da natureza e os seres humanos. As gravações aconteceram na Índia e Inglaterra, com a presença de músicos de ambos países. E de várias formas a celebração que este disco contém, contempla a busca interior não apenas dos dois amigos e músicos. Vai além. Transmite em cada uma das composições o espírito tranquilo dos interlúdios e harmonias que se encontram nos instrumentos, nas vozes, e na natureza humana. Há um entrelaçamento de duas culturas distintas entre si, que se unem em nome de algo muito mais superior. Há sim uma celebração entre Ravi Shankar e George Harrison, que além de produzir o trabalho, participou ativamente como músico. (Importante ressaltar que em novembro de 2002
, quando da realização do Concert for George que reuniu vários artistas, a filha de Ravi, Anoushka Shankar conduziu “Sarve Shaam” de Chants e outras com esse sentimento indiano.) Outro fator que aproximou ainda mais a sonoridade indiana do ocidente é que cada uma das peças gravadas são curtas e com arranjos que as tornam coloridas e suaves e interiorizadas sem parecer em nenhum momento enfadonhas a quem não conhece o universo musical da Índia. Há uma atmosfera que se abre continuamente para que a música se desenvolva com naturalidade e seja sobretudo bela. Assim, se mantém íntegra em sua proposta e aproxima as pessoas. As ruas das cidades indianas se encontram com as de Liverpool e Londres e tornam esse caminhar mais belo, suave e possível de se acreditar na paz.

 

George Harrison: beatle não beatle

george

Escrever sobre os Beatles não é algo que tenha a pretensão ou mesmo invadir esse espaço tão rico e complexo que os quatro de Liverpool criaram. Até porque já há publicações, teses, e uma quantidade incrível de ensaios, artigos a respeito que eu, apenas um admirador, pouco ou nada tenho a meu favor para escrever. Nada impede, no entanto, que possa expressar minha escolha pelo beatle favorito: George Harrison. Talvez tenha sido ele o único que seguiu mesmo como integrante do grupo o seu próprio caminho. Dos quatro, a partir da sua dissolução em fins de 69 e início de 70, alçou o voo mais alto carreira solo. É verdade que de altos e baixos, sendo os baixos mais altos que se poderia desejar e os altos tão baixos que ficam por vezes submersos, tendo acima as obras de Lennon e McCartney. Com All Things Must Pass o primeiro da safra pós-Beatles colocou seu disco entre os maiores da história do rock. E as canções do álbum foram criadas na época em que era o guitarrista dos Beatles. Como cada um partiu para seus caminhos, logo ficou evidenciado, e hoje ainda mais, que Paul continua sendo beatle. Não poderia ser diferente. E não é crítica, ao contrário. John tinha a sua maneira de ver a vida e o mundo e a realidade, mas seus discos em geral, excluindo quem sabe Mind Games e Live in Toronto, de 69, com a Plastic Ono Band, com quem gravaria Imagine, produziu não muito além do que se esperava dele. Algumas composições brilhantes, e outras na média. Nada além, o que também não significa crítica. E Ringo, bom Ringo é Ringo e ponto. A química existia entre os quatro, solos nem tanto. Harrison partiu desde cedo para trajetória muito pessoal. Ousado, acredito ser ele o beatle mais ousado, já criara trabalhos experimentais, já se “misturara” com outros músicos como Eric Clapton, Ginger Baker, Bob Dylan. Não por acaso é dele a concepção do Concerto para Bangladesh, o primeiro a coletar fundos com objetivo social e humanitário. Suas composições já estavam amadurecidas. “Here comes the sun”, que fora gravada pelos Beatles, ganha um toque mágico com os violões de George e Pete Ham, esse do Badfinger. “Something”, era impressionante em suas linhas harmônicas que levou Frank Sinatra a tê-la em seu repertório e cometer a gafe e dizer que era da lavra de Lennon&McCartney. É no seu disco de estreia que revela em definitivo sua capacidade criativa e de encontros. Canções inesquecíveis e que soam mais que atuais. A bela “Behind that locked door”, a dylaniana “If not for you”, a Harrison “My sweet Lord”,  as sessões com uma gama infinita de artistas em um dos lados do álbum triplo no original não deixa a menor dúvida: George foi um beatle que não era beatle. Sua maneira simples e tranquila e inquietante introduziu a cítara, os solos marcantes do início ao fim de canções, a suavidade e a pegada das suas produções como “I need you”. Escrevo e no player George ocupa o espaço. Preciso mais? Sim, apertar a tecla do repeat.

Beatles através das gerações

cintia

Ontem, pequena nota dava conta da morte de Cynthia Lennon, a primeira esposa de John, com quem gerou Julian. O casamento durou poucos anos, a vida seguiu, e os Beatles tornaram-se simplesmente os Beatles. Há na notícia, tão breve quanto possa ter parecido a união entre o rebelde beatle e a ex-colega de escola, um quê de fim de uma era. De um tempo em que a década de sessenta iria experimentar quem sabe das maiores efervescências da humanidade seja em que área for. Aqui no Brasil, vivia eu minha pré-adolescência, já envolva sob o manto do militarismo a ceifar opções de vida cultural, para ficar apenas nesse campo, e a gênese do sentido e do significado de rebeldia passava pelos Beatles, pelos Rolling Stones, e por outras bandas que penetravam em nosso mercado fonográfico. das saudades da época, o vinil tão aguardado nas múltiplas lojas de discos que hoje apenas frequentam nossa memória. Estavam presentes Hermam Hermits, Byrds, Bee Gees, The Who, Joe Cocker, Jimi Hendrix, Joan Baez e um monte de outros que agora escapam enquanto teclo essas palavras. Woodstock foi a apoteose desse tempo. Por alguma razão, jamais considerei o fim de uma época, de uma era, mesmo quando em 1069 ou 1970 os Lennon já avisava: “The dream is over”. E o passar do tempo, geração após geração tudo o que consigo testemunhar é os Beatles cada vez mais Beatles e revolucionários e dando início a novas eras. Não há que m não grave uma canção que tenha a assinatura Lennon&McCartney ou George Harrison. Nem Frank Sinatra escapou ileso. Os Bee Gees no início de sua carreira gravaram Beatles. Maurice Gibb, gêmeo de Robin, produziu uma das canções do primeiro álbum solo de Ringo Starr, Sentimental Journey. Paul até hoje tem grande parte do seu repertório em shows com músicas assinadas pela dupla mais famosa do mundo.
Richie Havens fez um disco somente com canções da dupla mesclando com outras de Mr. Bob Dylan. Um álbum memorável. O inesquecível Joe Cocker marcou o maior festival de todos os tempos com “With a little help from my friends”. Joaz Baez tem em seu repertório “Imagine”, “Here comes the sun”, a gravadora de soul Motown tem um somente com Beatles, e assim vamos colhendo em vários artistas e gravadoras mais e mais Beatles. Dentro de nossas fronteiras geográficas Rita Lee, Zé Ramalho, Uakti, Duofel. No mágico Clube da Esquina comandado por Milton Nascimento, eles eram influência tanto que há uma gravação de “Norgegian wood” pelos integrantes do clube. Não, a morte de Cynthia, que junto traz a de John e George, coloca os Beatles acima de qualquer época ou era ou que nome se possa definir a sua existência. Eternos. Revolucionários. De geração em geração, sempre anunciando o novo. Paz a Cynthia, Julian e a todos nós.






A foto foi capturada no site: http://www.truthaboutthebeatlesgirls.tumblr.com

Dez canções para sexta-feira

37631

Hoje, John Mayer, Neil Young, Rod Stewart, Sheryl Crow, Angus & Julia Stone, Markéta Irglová & Glen Hansard, Crosby, Stills, Nash & Young, Rolling Stones e George Harrison & Bob Dylan serão nossas companhias com talento e sensibilidade. Sexta- feira, será o dia da música para o Chronosfer. E para vocês que aqui chegam. O meu abraço.

www.youtube.com/watch?v=cSdjo0W4Tvs

John Mayer – Queen of California

www.youtube.com/watch?v=chLFi2cFxzo

John Mayer – Queen of Califórnia Acoustic

www.youtube.com/watch?v=xMjDc8MJotU

Neil Young – Harvest Moon

www.youtube.com/watch?v=h4_yZ7BvKVA

Rod Stewart – The first cut is the deepest

www.youtube.com/watch?v=4QKZP6VE35I

Sheryl Crow – The first cut is the deepest

www.youtube.com/watch?v=9yQTGyYg0_E

Angus & Julia Stone – Devil´s tears

www.youtube.com/watch?v=fAAj11EdKXY

Markéta Irglová & Glen Hansard – If you want me

 www.youtube.com/watch?v=nDknDWp-elE

Crosby, Stills, Nash & Young – Teach your children

www.youtube.com/watch?v=lQlmywY_qEM

Rolling Stones – As tears go by

www.youtube.com/watch?v=HCXB1SUmEuw

George Harrison & Bob Dylan – If not for you

Foto: Chronosfer.