Al Di Meola, John McLaughlin & Paco De Lucia

Friday_Night_in_San_Francisco

Alguns discos entram em nossas vidas para sempre. Tornam-se definitivos. Guardamos em nossas almas e memórias e gostamos de tê-los próximos. Não importa o gênero, o estilo ou mesmo quem, o que importa é que o disco penetre profundamente em nossos corações e pronto. Tenho minhas preferências, que de alguma forma tenho mostrado aqui, e em um exercício para lá de exagerado faço uma espécie de 1001 discos para se ouvir antes de morrer. Guardadas as trilhões de proporções, naturalmente. Gosto, no entanto, de pensar que posso passar adiante trabalhos que para mim dizem muito, não apenas sob o ponto de vista musical, mas também social, político, cultural, de identidade, de raiz. Discos como O primeiro canto da Dulce Pontes, do Ian Anderson e suas danças com Deus, as verdadeiras canções de amor de León Gieco, os poemas e musicalidade de Mario Benedetti e Daniel Viglietti, e a lista está no Chronosfer em forma de posts. Assim, sem entrar em maiores detalhes, apenas deixar como sugestão, este extraordinário encontro de três dos maiores instrumentistas que escutei em minha vida: Al Di Meola, John McLaughlin e Paco De Lucia. E triste ao sentir na pele a certeza de que este encontro jamais se realizará pela partida de Lucia. Porém, Friday Night in San Francisco é daqueles álbuns em que o player não se cansa nunca de repetir e repetir. Repertório com cinco canções, deles e de Egberto Gismonti (“Frevo Rasgado”) e Chick Corea (“Short Tales of Black Forest”) que encantam, hipnotizam, e simplesmente nos transforma. Há tanto de harmonias e timbres sonoros que a junção de estilos e formas diferentes de interpretar se uniram um único e transversal som de magnitude superior. Música instrumental, jazz, flamenco, não importa. São três violões, três músicos. E precisa mais? Apenas que cada um de nós possa escutar com a alma, com o coração e a pele. E um universo inteiro de sensibilidade para ser vivido.