Estrella Morente: Amar en Paz

estrellaAmarenPaz

Uma proposta muito simples: repertório de músicas brasileiras na voz de Estrella Morente e com o violão de Niño Josele tecendo as teias harmônicas. Uma reunião de flamenco com música popular brasileira não soa tão original tampouco tão frágil como possa parecer a alguns críticos. O sonho de Fernando Trueba, o idealizador e tudo o mais da obra, se uniu a outros já realizados por ele, tanto com Estrella quanto com Josele na homenagem a Bill Evans. Foi quando a cantora gravou Francis Hime e enfim pisou o chão do Brasil. A Espanha tem muito a ver com nossas terras. Sua influência em nossa cultura é definitiva, e ao longo dos anos tem-se mostrado fértil. E não apenas por aqui, se não em toda América. É comum encontrar Diego El Cigala, por exemplo, na Argentina, gravando tangos. E o flamenco é um gênero que envolve quem com ele se relaciona. É impossível ficar em silêncio absoluto. Amar em Paz não é, no entanto, um disco de flamenco. É música brasileira vertida para o espanhol sob o comando do talento de Estrella. Um apanhado musical que vai cortando os anos e trajetórias, começando por Antônio Carlos Jobim/Vinicius de Moraes, Radamés Gnattali, Pixinguinha/João de Barro, Francis Hime/Chico Buarque, Milton Nascimento/Fernando Brant, Dolores Duran, Paulinho da Viola, Álvaro Nunes/Otavio de Sousa. Um leque de décadas e gêneros que os acordes do violão de Niño suaviza. Culturas e leituras que se encontram. Sem medo de se assumirem. Quem sabe mais desses encontros que um lê o outro através das águas dos oceanos não possa trazer como o título do álbum – Amar em Paz – justamente a paz que tanto desejamos entre todas as gentes do mundo. Seja esse disco neste post uma declaração de tolerância, de compreensão, de humanismo, de paz diante dos acontecimentos de ontem.

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Al Di Meola, John McLaughlin & Paco De Lucia

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Alguns discos entram em nossas vidas para sempre. Tornam-se definitivos. Guardamos em nossas almas e memórias e gostamos de tê-los próximos. Não importa o gênero, o estilo ou mesmo quem, o que importa é que o disco penetre profundamente em nossos corações e pronto. Tenho minhas preferências, que de alguma forma tenho mostrado aqui, e em um exercício para lá de exagerado faço uma espécie de 1001 discos para se ouvir antes de morrer. Guardadas as trilhões de proporções, naturalmente. Gosto, no entanto, de pensar que posso passar adiante trabalhos que para mim dizem muito, não apenas sob o ponto de vista musical, mas também social, político, cultural, de identidade, de raiz. Discos como O primeiro canto da Dulce Pontes, do Ian Anderson e suas danças com Deus, as verdadeiras canções de amor de León Gieco, os poemas e musicalidade de Mario Benedetti e Daniel Viglietti, e a lista está no Chronosfer em forma de posts. Assim, sem entrar em maiores detalhes, apenas deixar como sugestão, este extraordinário encontro de três dos maiores instrumentistas que escutei em minha vida: Al Di Meola, John McLaughlin e Paco De Lucia. E triste ao sentir na pele a certeza de que este encontro jamais se realizará pela partida de Lucia. Porém, Friday Night in San Francisco é daqueles álbuns em que o player não se cansa nunca de repetir e repetir. Repertório com cinco canções, deles e de Egberto Gismonti (“Frevo Rasgado”) e Chick Corea (“Short Tales of Black Forest”) que encantam, hipnotizam, e simplesmente nos transforma. Há tanto de harmonias e timbres sonoros que a junção de estilos e formas diferentes de interpretar se uniram um único e transversal som de magnitude superior. Música instrumental, jazz, flamenco, não importa. São três violões, três músicos. E precisa mais? Apenas que cada um de nós possa escutar com a alma, com o coração e a pele. E um universo inteiro de sensibilidade para ser vivido.

Diego El Cigala, espanhol do mundo

Cigala

Diego Ramón Jiménez Salazar, madrileño de 27 de dezembro de 1968 – amanhã cumpleaños! – mais conhecido por El Gigala, é um virtuose. Do flamenco ao tango nada é exagero em seu trabalho único em toda a sua plenitude criativa. O disco de 2003, com o pianista cubano Bebo Valdés Lágrimas Negras não deixa nenhuma dúvida. Pura fusão de ritmos da ilha caribenha com as nuances do flamenco faz com que todas as suas faixas pulsem, vibrem em nosso corpo, em nossa pele como se fossem parte da música. Qualquer disco com a sua marca, com a sua assinatura é sinônimo de sensibilidade. Cigala canta com alma. Transborda em emoção. Nada escapa, nenhum acorde é casual. Profundo, integra o seleto grupo de artistas capaz de pacificar a vida.

Cigala&Tango

Em 2010, gravou Cigala&Tango ao vivo no Teatro Gran Rex, em Buenos Aires com o argentino Andrés Calamaro em participação especial. repertório clássico, há Gardel nele, por exemplo, arranjos e interpretações soberbas. mais uma vez, um quê de flamenco se mescla ao tango. Diego envolve quem o escuta, quem o assiste. Para ele, não existe nenhuma fronteira. Da Espanha para o mundo. Sabe olhar para frente. E convida a todos nós a segui-lo.

www.youtube.com/watch?v=2xXSA8w_dEk

www.youtube.com/watch?v=3nsUP6zy8To

www.youtube.com/watch?v=8K0EYAgZLiw

www.youtube.com/watch?v=DeK_IYrixT8

Fotos: capturadas na Internet.