Mercedes Sosa: Deja la vida volar

mercedes sosa

A América Latina e o mundo calaram em 04 de outubro de 2009. A tucumana Mercedes “La Negra” Sosa acabara de silenciar seu canto en vivo entre nós para sempre. Com ela, uma nova canção, assim como no Chile, brilhou junto com a utopia por um mundo melhor e mais justo não apenas nas Américas nas nos países chamados de periféricos. O folclore, a contestação, o exílio, a força do coletivo, o olhar para os novos e para o novo, a terra semeada, a vida produzindo vida formavam sua pele, seu coração, sua alma. Deja la vida volar é uma compilação de apresentações feitas pela Europa e em sua Argentina. Lançada após o seu primeiro ano de sua partida, o nome do disco é significado, pelo “voar”, pelo compositor da canção, Victor Jara, e pelo repertório, que abraça desde os mais antigos, inclusive o tango, até os mais jovens como Jorge Drexler, Fito Paez, a extraordinária Violeta Parra, o nosso eterno Milton Nascimento, o mágico Atahualpa Yupanqui, a magia de Maria Elena Walsh, os maravilhosos Ariel Ramirez e Felix luna – Misa Criola, para quem não lembra – e o revolucionário Piazzolla.Mercedes Sosa. Não é preciso escrever nem dizer mais nada.

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Miniconto: Ciclos da vida II – Música: Joe Cocker, Fito Paez & Faith No More

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Por ser barco, sente a lâmina da água

Sal e casco, um cicatriza o outro

o corte, sangra no limo dos (meus) ossos.

Fito Paez: No sé si es Baires o Madrid

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Uma confissão: custei bons anos, esses estão acumulados lá atrás no passado, para gostar do Fito Paez. O motivo exato nunca soube tampouco percorri corredores ou subi escadas para saber. Então, um dia a capa de No sé si es Baires o Madrid  me chamou a atenção, as cores, o p&b, o Baires, o Madrid. Uma conjunção visual perfeita e ao mesmo tempo discreta e criativa. Não pensei duas vezes, o cd da compra na loja para o player aconteceu com rapidez. Não me arrependi. É um belo disco. O muro que havia erguido em setenta minutos ruiu.Felizmente. Um repertório com seus clássicos gravados no Palacio de los Congresos em Madrid (2008), convidados da grandeza de Pablo Milanés – “Yo vengo a ofrecer mi corazón” -, Joaquin Sabina – “Contigo” -, Gala Evora – “Un vestido y un amor” – e outras canções como “El amor después del amor”, a encantadora “11y6”, ou a estonteante “Mariposa Tecknicolor” aquecem o coração. Com certeza nos torna mais leves, mais afeitos à vida, a levantar âncora e seguir até o fim do mundo. Em Baires o Madrid o todo se completa e se faz presente. ( e pensar que tudo começou com a capa desse disco…)

Serrat & Sabina: dos pájaros de un tiro

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Dois ícones da Espanha: Joan Manuel Serrat e Joaquín Sabina. Cada um com seu nome gravado na história e no imaginário do público, nas apenas o espanhol mas de todos os lugares por onde passam. O catalão Serrat é nome emblemático na resistência ao período de Franco, onde além do exílio teve canções censuradas. (Está aí uma grande reflexão: a censura à Cultura. Todo regime de exceção começa perseguindo os artistas, de todas as formas, aqui no Brasil em nada foi diferente. Depois,, quando supostamente retorna a Democracia e caem os censores, a “liberdade” reassume seu posto, e o que se vê nos orçamentos governamentais: a Cultura nunca é prioridade. Para se pensar.) Aproxima-se da América Latina, grava trabalhos com o escritor Mario Benedetti, põe seu nome no Brasil, trabalha com Ana Belén e Victor Manuel, igualmente representativos da música espanhola.
Joaquín Sabina, andaluz de nascimento, pouco mais jovem que Serrat, porém com o mesmo sentido de vida: resistir ao autoritarismo. Exilado em Londres, se entranha na Cultura cinematográfica, no teatro e, claro, na música, com letras viscerais. Fica também mais próximo da América latina. Possui trabalhos com Fito Paez, e se alça como um artista acima de qualquer rótulo. Um transgressor criativo e instigante.
A união de Serrat e Sabina
Em 2007 ambos se reúnem e começam a trabalhar juntos em dos pájaros de um tiro. Disco que percorreu diversos países e teve várias novidades. Entre elas, um cantando canção do outro, um compondo para o outro, canções inéditas, novas versões, convidados nos países visitados e um vigor extraordinário envolvendo as 18 canções do repertório gravado. O cd disponível é o do show realizado no Palácio de Desportes de Madrid, realizado nos dias 18, 19 e 20 de setembro de 2007. O que dizer? Absolutamente nada. Apenas uma sugestão: escutem. E não tenham medo em apertar o repeat tantas vezes desejarem.