Ficção: Olhos da manhã (Fiction: Morning Eyes)

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A névoa assombra as retinas da manhã. Os músculos do sol arrefecem antes de os primeiros golpes da chuva despertem a areia das horas. O cinza se veste por cima do azul do dia e tece a cidade com suaves tramas. A luz, quieta, aos poucos silencia as nuvens. O milagre do amanhecer é um tempo sagrado, que se hospeda entre as margens das minhas mãos e a boca da terra, em cujos olhos descansa o incêndio da vida.

A saudade é a memória do que ainda não chegou.

 

The haze haunts the retinas in the morning. The muscles of the sun cool before the first blows of the rain awaken the sand of the hours. The gray dresses over the blue of the day and weaves the city with soft plots. The light, quiet, slowly silences the clouds. The miracle of dawn is a sacred time, which lodges between the banks of my hands and the mouth of the earth, in whose eyes rests the fire of life.

Longing is the memory of what has not yet come.

Foto: Chronosfer.

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