Dylan LeBlanc: Paupers Fields

Layout 1

O folk é um campo em que o semeador jamais o esgota. Sempre há um novo plantar e uma nova safra para a colheita. Dylan LeBlanc é um desses que faz do folk sua lida. Sem medos e com a suavidade da espera para colher. Paupers Fields é um trabalho assim. Feito com o talento de quem conhece a terra e nela sabe como a vida germina. Seu primeiro disco é o reflexo disso. E também da terra e seus cansaços, suas melancolias, seus fracassos, seus amores, a vida enfim se confessando pelos instrumentos e voz. As canções percorrem as sementes férteis de Nick Drake, Neil Young, Townes Van Zandt e Fleet Foxes. Ainda que a névoa da tristeza por vezes descanse entre as canções, há em LeBlanc uma promessa de dias e noites encantadas. Suas composições são o abraço e o silêncio que de repente se tornam uma constelação de harmonias luminosas. Vocais com Emmylou Harris envolvem. Sua acoustic guitar é a palavra que falta nesse campo que floresce aos nossos olhos e se instala em nossas almas para ficar.

Roger McGuinn, o mago dos Byrds

Byrds2

Roger MCGuinn, nascido James, depois Jim e finalmente Roger, sempre esteve à frente do seu tempo. O filho de Chicago trouxe à música a eletrificação, por exemplo, das canções acústicas de Bob Dylan e Pete Seeger. Com o The Byrds mexeu com estruturas que permaneciam latentes e avançou tanto nos vocais quanto nos arranjos ousados. Um grupo formado por Roger, Gene Clark, David Crosby, Chris Hillman e Michael Clarke jamais passaria em branco em um cenário onde já despontavam Beatles, Rolling Stones, Kinks, Yardbirds e já apareciam logo após Bee Gees, Cream, Pink Floyd e a lista aumentava a cada mês naqueles tempos. Isso é 1965, cinquenta anos atrás.  Arrisco a afirmar que os Byrds foram o embrião melhor acabado do que seria os acústicos Crosby, Stills, Nash & Young. Acompanhem as linhas de ambos, as harmonias, os vocais. Há um universo de semelhanças que a magia de McGuinn, que não participou do CSN&Y, parece estar presente e teve em Crosby o seu representante, ainda que David sempre teve personalidade própria. Como poucos souberam lidar com os gêneros: folk, country e o rock. Como poucos abriram espaços generosos para os que vinham e também para os que já estavam.  Roger McGuinn foi (é) um mago. Da sua guitarra e vocais a doçura de tempos ásperos. De tempos de transformações que receberam das texturas dos Byrds um sentido novo e de esperança. A lamentar que não foram adiante. Se dispersaram, seguiram outros caminhos, alguns partiram, e a vida seguiu. Outro dia assisti a um filme chamado The song onde Alan Powell é um compositor e cantor folk/country que a tantas do enredo canta Turn! Turn! Turn!, canção preferida da sua esposa. Nos créditos finais, ao fundo a mesma música é interpretada por Roger McGuinn e Emmylou Harris. A magia dos Byrds e de Roger. Hoje, passadas cinco décadas, não olho pelo espelho para ver o que está lá atrás, mas não posso negar que aqueles anos são a essência de um tempo que ainda tem que ser melhor compreendido ou talvez ainda deva ser vivido sem ser passado.