Folclore de Cuchi Leguizamon por Pablo Márquez

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O campo do folclore é imenso, vasto, e muitas partes dele ainda inexplorável. Permanece intacto, resistindo a passagem do tempo. Para muitos, confinado ao determinado espaço geográfico, para outros, devendo ganhar outros espaços maiores e amplitude geográfica. A primeira vez que ouvi o Cuchi  Leguizamon foi pelo León Gieco e o seu trabalho insinuante e significativo da música argentina chamado De Ushuaia a La Quiaca onde, acompanhado de alguns músicos do porte de Gustavo Santaolalla e a extraordinária folclorista Leda Valladares, percorreu o país de norte a sul, leste a oeste recompilando e mesmo deixando no original o folclore do país platino. São várias as regiões e as culturas que ali residem. O salteño Cuchi é um desses nomes sagrados. Um homem que trabalhou de forma incessante sua obra, reinventado-a sempre a partir do tradicional até atingir um ponto acima, criando diálogos com os seus movimentos que são pura poesia. É a partir das composições de Leguizamon que o guitarrista Pablo Máquez gravou uma verdadeira pérola musical: El Cuchi bien temperado. O argentino, também natural de Salta, vive na Europa, mais ligado ao clássico, nesse trabalho volta seu olhar para dentro da Argentina e encontra o fascínio que Cuchi desperta. O titular do instrumento que toca na Academia de Música da Basileia, Suíça, se vale das zambas, chacareras, vidalas, bailecitos, cuecas e carnavalitos do mestre e cria um disco admirável pelo caráter original ao mesmo tempo em que mantém as “interioridades” criativas de Leguizamon tal como as concebeu. Claro que muda aqui e ali os tons, os timbres, as texturas, mas não perde em nenhum momento de vista as composições para outras derivações que o improviso, por exemplo, poderia propor. Manteve o equilíbrio entre as criações de Cuchi e a sua linguagem com o seu projeto, e, sobretudo, não abre mão do seu jeito de mostrar como sente ao tocar a obra do compositor salteño. Um disco de riqueza musical, erudito passando longe do acadêmico, e oferece tantas possibilidades de interpretação e leituras que valoriza Cuchi Leguizamon como um folclorista com muita densidade clássica. Um álbum magnífico. (o último vídeo é o próprio Cuchi ao piano.)