Glen Hansard: sombrio e criativo

GH

O filme Once, Apenas uma vez, impulsionou a carreira de Glen Hansard. Não que fosse desconhecido, anônimo ou algo parecido. Não, pelo contrário. O trabalho com o The Frames sempre foi consistente e capaz de pôr seu nome à frente. A película, no entanto, teve o poder de incensar sua atuação e a de Marketá Irglová, pianista tcheca. A química entre ambos funcionou não apenas nas interpretações de seus personagens se não que também como instrumentistas e compositores. “Failling Slowly” venceu o Oscar de melhor canção de 2008, comprovando o acerto da dupla. Daí para o The Swell Season foi um passo natural e a dinâmica de ambos permaneceu intacta. Em 2012 o irlandês de Dublin, lançou seu primeiro álbum solo: Rhythm and Repose . Trabalho árduo de ser feito, embora revele todo o seu talento seja como músico, seja como cantor/compositor. Vindo de série de rupturas, as canções vão mostrando-o solitário, triste, quase sem esperança em meio a tantas tempestades. Embora possa aqui e ali encontrar passagens mais otimistas, o disco é sombrio, cinzento, e as onze faixas, quase todas acústicas, se mostram tal como o seu rosto na capa do disco. É um trabalho, entretanto, lúcido e criativo, ainda que carregue todas as pesadas nuvens da vida naquele seu momento. Todas as músicas são destaque. Todas possuem as digitais de Glen Hansard e seu DNA está à disposição de quem quiser ouvi-lo. Como curiosidade, Marketá faz backing vocal. Trabalho lapidado com sensibilidade.

Glen Hansard . Rhythm and Repose (2012) – YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=WPS1zdjHwpE

Foto: capturada na Internet.

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Once (Apenas uma vez): belo e dilacerante

Once

A primeira vez que ouvi falar do filme Once, no Brasil Apenas uma vez, a referência estava em sua trilha sonora. Escutei com todo cuidado “Failling Slowly” e descobri porque não por acaso foi Oscar de melhor canção de 2008. Ponto altíssimo todas as canções, em sua maioria composta pelos atores principais Glen Hansard e Markéta Irglová, também músicos na vida real. A história, segundo as pistas que fui seguindo através das críticas seja via imprensa seja pelas redes sociais, é singela e comovente. Afinal, uma imigrante tcheca, casada, procurando se adaptar a uma Dublin bela e gélida, e um jovem compositor e músico de rua em troca de algumas moedas, ao se encontrarem passam a ter outros tipos de encontro: a afinidade pela música e a quase desesperada necessidade de autoafirmação diante do cotidiano. Passam a ser ver todos os dias, ela se interessa pelas composições dele, e a trama está feita. O processo de criação e gravação, com também um grupo de rua, em estúdio da canção que permeia o filme todo se desenvolve em paralelo as tramas do interior das personagens. Cada um com seus dramas, medos e sonhos. A cena dos dois em uma loja de instrumentos musicais tocando e cantando “Failling Slowly” é comovente e sensível. É a síntese de cada um. É a essência de ambos. A trama se entrelaçando. Há espaço suficiente para criar no espectador a esperança de que um se apaixone pelo outro. Nas cenas em que Glen está compondo a música, outras tantas imagens de ambos embalam tal sentimento. Os dias passam, entram em estúdio, gravam e tudo segue a sua rotina. Ela, com a família, marido, filha, trabalho. Ele, violão ao ombro, caminha pelos corredores do aeroporto. Ela, ganha um piano, toca-o, lança o olhar pelo vidro da janela, encontrando as ruas quase desertas do subúrbio de Dublin. Ele, sorridente, caminha quem sabe ainda na direção dos seus sonhos. Por isso dilacerante, oferece o sonho e dá como retorno a realidade. Dirigido com maestria por John Carney, tem nos atores principais a razão de o filme colher tanta simpatia e sucesso. E, claro, uma extraordinária trilha sonora.

Once 2

www.youtube.com/watch?v=YXMiZwxwD4k

Reproduções capturadas na Internet.