Kátya Teixeira: Katxerê, Feito de Corda e cantiga, Lira do Povo e 2 Mares

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A música popular, no seu sentido mais interiorizado possível, é de uma riqueza universal e inesgotável. Por vezes, o público é induzido a acreditar que a verdadeira música do interior das terras brasileiras é a forma elitizada e sofisticada que certos gêneros alcançam na grande mídia. Basta apenas lançar um rápido olhar nas matérias que circulam por esses meios. Claro fica que não está em questão aqui o gosto de cada um em relação a música e seus gêneros. E gostar de qualquer gênero é sinônimo de sensibilidade. No entanto, o que assusta é o “esquecimento” por parte dessa massa crítica da mídia da verdadeira música popular e de raiz. Tamanho esquecer que a trona um gênero “cult”. Kátya Teixeira vem alguns anos realizando um trabalho de uma densidade imensa a partir do folclore. Das raízes, da cultura indígena, da vida em nosso interior. Assim o convívio com Vidal França, João Bá, Cátia de França, Daniela Lasalvia, e outros nomes que circulam por esses caminhos – eis alguns: Vital Faris, Dércio e Dorothy Mrques, Elomar, Xangai, para citar alguns – fez com que a sua história desde pequena se tornasse coerente com sua vida. Filha de cantores, família de cantores e de pessoas ligadas ao folclore e a vida interiorana, também cursou escola de música. Forja sua música na realidade que a raiz produz. É com ela e sua sensibilidade que avançamos nesse domingo em que as horas anda descansam à espera do sol.

Foto: capturada no http://www.encontrodeculturas.com.br

Daniela Lasalvia: profundas raízes brasileiras

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Daniela  Lasalvia ou Dani Lasalvia, é uma paulistana que nasceu em meio a tanta arte e fez da arte sua trajetória de vida. desde os tempos de criança, o piano foi fiel companheiro até a adolescência conhecer o canto lírico – 3 anos de estudos – a percussão, o vocal, a expressão corporal. Não satisfeita, com Paulinho Paraná aprendeu a tocar violão. Não foi o suficiente. Partiu para Moscou, onde no Conservatório Tchaikovski retornou ao canto lírico. Um caminho sem volta? Não, absolutamente não. No retorno ao Brasil, o canto popular vai ao seu encontro. O disco Madregaia é exemplar para colocar Daniela entre as cantoras que sentem as raízes de um país que tem muito da sua cultura ainda lá nas profundezas da terra. É com o violeiro, cantor, compositor e instrumentista Dércio Marques, das Minas Gerais, que faz parceria no disco. E apresentam uma estética centrada nas letras, nas melodias, na essência de canções que refletem – e são – a terra fértil em que vivemos.

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Neste ousado disco duplo,  as presenças de contribuições de Luis Perequê, Renato Braz, Edu Santana, Kátia Teixeira, Vozes Bugras – de quem foi integrante – Stênio Mendes, grupos Tarumã e Tarancón, Juh Vieira, Noel Andrade, Cao Alves, Toninho Ferragutti, João Bá e Juraildes da Cruz e ainda Chico Buarque, Vidal França e outros mais autores que possuem na cultura oral o princípio e o início de composições únicas e de criatividade popular. Disco extraordinário de uma cantora ainda mais extraordinária e sensível de um Brasil profundamente enraizado em sua cultura.

Foto: capturada no http://www.danilasalvia.tnb.art.br